Rio chegou a 6,61 metros nesta terça-feira; chuvas fortes nas cabeceiras provocaram alagamentos, mas fenômeno ainda não é considerado cheia do Pantanal
Chuvas intensas registradas nas cabeceiras dos rios elevaram rapidamente o nível do rio Miranda, que chegou a 6,61 metros nesta terça-feira (13), em Mato Grosso do Sul. A marca ultrapassa em nove centímetros a cota de alerta e está 4,7 metros acima da média histórica do rio, que é de 1,91 metro.
Em menos de uma semana, o nível subiu mais de 1,75 metro. Na quarta-feira (7), a medição estava em 4,85 metros. Os dados são do Serviço Geológico do Brasil e mostram a velocidade com que o volume de água aumentou nos últimos dias.
Registros feitos em áreas do Caronal, entre Coxim e Corumbá, e no Pantanal do Nabileque, entre Miranda e Corumbá, mostram pontos alagados, água próxima a propriedades rurais e dificuldades para a circulação de veículos.
Apesar da elevação expressiva do rio Miranda e dos alagamentos registrados em algumas áreas, o Instituto SOS Pantanal afirma que o fenômeno não caracteriza uma cheia da planície pantaneira. Trata-se, segundo o instituto, de uma cheia regional provocada pelas chuvas concentradas nas cabeceiras.
Por que o Pantanal não está em período de cheia
Segundo o biólogo Gustavo Figueirôa, do Instituto SOS Pantanal, para que o cenário seja considerado uma cheia do Pantanal, é necessário que o rio Paraguai, principal curso d’água da planície, ultrapasse sua calha.
De acordo com ele, os níveis registrados em diferentes pontos do rio Paraguai ainda estão abaixo da média. Por isso, a elevação do Miranda e os alagamentos observados em algumas regiões não significam que toda a planície pantaneira esteja passando por um período de cheia.
A situação atual está relacionada ao volume de chuva concentrado nas cabeceiras dos rios nas últimas semanas. Parte dessa água tende a seguir pelos cursos d’água até alcançar o rio Paraguai.
Segundo Figueirôa, trata-se de uma quantidade de chuva considerada fora do período habitual para a região. Caso as precipitações não continuem, a tendência é que a água escoe e avance rapidamente em direção ao rio Paraguai.
Nabileque e Caronal já registram alagamentos
O Pantanal do Nabileque, localizado na porção sul da planície pantaneira brasileira, está entre as primeiras regiões a receber as águas durante processos de inundação, conforme o Instituto SOS Pantanal.
Na região, os registros mostram a água avançando sobre áreas próximas a propriedades rurais e dificultando a circulação.
Outro ponto com alagamentos é o Caronal, localizado no Pantanal do Paiaguás, às margens do rio Taquari. Segundo o Instituto SOS Pantanal, o Paiaguás é uma das regiões do Pantanal conhecidas por registrar cheias mais intensas.
A situação, portanto, é regional e está concentrada em áreas que receberam grande volume de água após as chuvas nas cabeceiras.
Deslocamento pode ficar mais difícil
Além dos alagamentos já observados, o Instituto SOS Pantanal aponta que as condições de deslocamento no Nabileque podem piorar na segunda quinzena de novembro.
Um dos fatores é o tipo de solo predominante na região. O solo argiloso apresenta baixa permeabilidade e demora mais para absorver e drenar a água.
Isso pode manter áreas encharcadas por mais tempo e dificultar a circulação de veículos em determinados trechos.
Segundo o corretor de gado Hugo Leandro Tognini, que trabalha na região do Pantanal do Nabileque, as chuvas são frequentes nessa época do ano. Ele também relata que a região registra precipitações frequentes desde o ano passado.
Última grande cheia ocorreu em 2018
Embora os níveis do rio Miranda tenham subido rapidamente, o Instituto SOS Pantanal diferencia o cenário atual de uma cheia generalizada da planície.
A última grande cheia do Pantanal mencionada pelo instituto ocorreu em 2018. O cenário desta semana está relacionado principalmente às chuvas fortes nas cabeceiras e ao aumento do nível de rios da bacia do Paraguai.
Enquanto o rio Miranda já ultrapassou a cota de alerta, o comportamento do rio Paraguai continua sendo um dos principais fatores para determinar se o Pantanal entrará efetivamente em período de cheia.


