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Simone Tebet e Eduardo Rocha se aproximam do PT

Simone Tebet e Eduardo Rocha se aproximam do PT

Movimento político acontece em contexto de redefinição de alianças dentro do MDB de MS e preparação para as eleições de 2026.

O clima de divisão dentro do MDB de Mato Grosso do Sul ganha novos contornos com os recentes sinais de aproximação de duas de suas principais figuras com o governo federal. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o ex-secretário da Casa Civil estadual, Eduardo Rocha, têm se aproximado cada vez mais do Partido dos Trabalhadores (PT), um movimento político que se desenha em meio a um cenário de reorganização das forças partidárias no estado, com vistas às eleições de 2026.

No dia 24 de outubro, ambos participaram de um evento simbólico, a entrega de 20 imóveis da União ao governo estadual, ao lado de ministros e parlamentares petistas. O gesto não passou despercebido, uma vez que o envolvimento de Simone Tebet e Eduardo Rocha com o PT sugere uma convergência política crescente, com implicações para o futuro do MDB, que atravessa um momento de redefinição interna. O partido está diante da preparação para os pleitos de 2026, e a relação de Tebet e Rocha com o governo Lula tende a influenciar essas movimentações.

Eduardo Rocha Deixa a Casa Civil para Se Dedicar à Pré-Campanha

O ex-secretário da Casa Civil, Eduardo Rocha, anunciou sua saída do cargo na próxima segunda-feira (27), quando Walter Carneiro Júnior assumirá oficialmente o posto. A decisão foi tomada em reunião com o governador Eduardo Riedel (PP) e o vice-governador José Carlos Barbosa (Barbosinha). A saída de Rocha, que se prepara para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026, reflete o desejo de afastar sua candidatura das disputas eleitorais internas do governo.

Em sua justificativa, Rocha afirmou que preferiu deixar o cargo de secretário para evitar que a política eleitoral interferisse no andamento do governo estadual. “Quis sair antes para não contaminar a política do governo com a política eleitoral. Vou rodar os 79 municípios”, explicou, ressaltando seu foco em sua pré-candidatura.

Sobre seu futuro partidário, Rocha não descartou a possibilidade de sair do MDB, partido ao qual é filiado há mais de 30 anos. No entanto, deixou claro que seguirá a orientação do governador Riedel em relação à sua trajetória política. “O governador Riedel vai decidir o meu destino. Se eu fico no MDB, se vou para o PP, para o PSD ou para o Republicanos. Se fosse da minha vontade, eu ficaria no MDB”, declarou Rocha. Sua fala sugere que ele está disposto a se alinhar à estratégia política do governo estadual, mesmo que isso signifique uma possível mudança de partido, o que poderia enfraquecer ainda mais a unidade interna do MDB.

Simone Tebet e o Equilíbrio entre MDB e Governo Lula

Enquanto Eduardo Rocha se prepara para sua campanha estadual, Simone Tebet, ministra de Estado e esposa de Rocha, busca equilibrar sua relação com o MDB e com o governo federal. A ministra tem demonstrado cautela em suas alianças políticas, especialmente em relação à aproximação com o PT, que continua a gerar divisões no partido em Mato Grosso do Sul.

Em uma declaração recente, Tebet negou boatos de que abandonaria o MDB para se filiar ao PSB e disputar o Senado por São Paulo em 2026. “Eu não vou para o PSB e nem pretendo trocar o meu domicílio eleitoral. Caso eu saia candidata a senadora em 2026, será pelo MDB e por Mato Grosso do Sul”, afirmou, reforçando seu compromisso com a legenda e com seu estado.

Simone também ressaltou que tem o aval da Executiva Nacional do MDB para concorrer ao Senado, mas destacou que, durante a campanha, respeitará as alianças regionais do partido, evitando situações em que seu apoio ao presidente Lula possa gerar desconfortos. Ela tem se posicionado de forma pragmática, defendendo que o MDB mantenha sua autonomia estadual, como ocorreu nas eleições de 2014, quando, mesmo com Michel Temer na vice-presidência de Dilma Rousseff, o MDB de MS optou por apoiar Geraldo Alckmin (PSDB).

Divisão Interna no MDB e o Desafio de Manter a Unidade

Dentro do MDB de Mato Grosso do Sul, o relacionamento com o PT continua a ser um ponto de discórdia. Parte da legenda, especialmente liderada pelo ex-governador André Puccinelli, resiste à aproximação com o governo Lula e critica a postura “lulista” de Simone Tebet. Essa resistência reflete a tensão interna do partido, que ainda preserva laços históricos com o campo oposicionista.

Simone e Rocha, por outro lado, defendem que o MDB deve adotar uma postura mais flexível e pragmática, alinhando-se ao governo federal quando as propostas convergirem com os interesses de Mato Grosso do Sul. A estratégia deles é a de garantir a continuidade das alianças estaduais e evitar que as disputas internas no MDB atrapalhem a manutenção de uma postura política que favoreça o desenvolvimento do estado.

O futuro do MDB, assim como as alianças para as eleições de 2026, permanece incerto. O racha dentro do partido e a crescente aproximação de suas principais lideranças com o PT indicam que o cenário político no estado poderá ser profundamente alterado, com novas alianças e rearranjos partidários.

Autoria: Sarah Pacini

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