Portal E-Brasil

10 de setembro – Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

10 de setembro – Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

Campanhas de conscientização buscam quebrar o silêncio e salvar vidas diante de números alarmantes de suicídio no Brasil e no mundo

Neste 10 de setembro, o mundo volta seus olhos para uma das questões mais urgentes da saúde pública: a prevenção ao suicídio. A data marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, instituído pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objetivo de promover ações de conscientização, combate ao estigma e apoio às pessoas em sofrimento psíquico.

O suicídio é uma realidade silenciosa, mas devastadora. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos ao redor do planeta — o que representa uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, os números também preocupam: cerca de 14 mil brasileiros tiram a própria vida anualmente, segundo dados do Ministério da Saúde.

Setembro Amarelo: mês de conscientização

Desde 2015, o Brasil realiza a campanha Setembro Amarelo, criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). A campanha tem como principal objetivo levar informações à população e combater o preconceito que cerca os transtornos mentais e o suicídio. O lema de 2024 foi “Se precisar, peça ajuda!”, reforçando a importância de abrir espaços para o diálogo e oferecer suporte emocional.

Segundo a ABP, 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos com ajuda médica adequada, apoio psicológico e redes de apoio fortalecidas. No entanto, o tabu em torno do tema, aliado à falta de acesso a serviços de saúde mental, impede que muitas pessoas busquem ajuda.

O impacto entre jovens e adolescentes

Um dos dados mais alarmantes está relacionado à juventude. No Brasil, o suicídio já é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas de homicídios e acidentes de trânsito. Essa estatística evidencia a urgência de políticas públicas voltadas à saúde mental nas escolas, universidades e ambientes digitais.

Especialistas destacam que fatores como bullying, depressão, ansiedade, uso problemático de redes sociais, violência doméstica e abuso de substâncias são alguns dos gatilhos que podem levar jovens ao comportamento suicida.

Saúde mental e pandemia: um agravante

A pandemia da Covid-19 agravou os casos de sofrimento mental em todo o mundo. Segundo um relatório da OMS publicado em 2022, a prevalência de transtornos de ansiedade e depressão aumentou em 25% globalmente no primeiro ano da pandemia. O isolamento social, o medo da doença, as perdas e as dificuldades econômicas contribuíram significativamente para esse aumento.

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) — que oferece apoio emocional gratuito — registrou um aumento de mais de 20% nas ligações durante os anos de 2020 e 2021, especialmente de pessoas relatando crises de ansiedade e ideação suicida.

Sinais de alerta e como ajudar

Identificar comportamentos de risco é fundamental para agir a tempo. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Mudanças bruscas de comportamento;
  • Isolamento social;
  • Comentários frequentes sobre morte ou falta de sentido na vida;
  • Desinteresse por atividades que antes davam prazer;
  • Doações repentinas de objetos pessoais importantes;
  • Aumento do uso de álcool ou outras drogas.

É essencial lembrar que ouvir sem julgar, acolher e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes que salvam vidas. O apoio de familiares, amigos e instituições pode fazer a diferença para quem está em sofrimento.

Canais de apoio

O Brasil conta com diversas iniciativas para apoio à saúde mental. O CVV (ligue 188) funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, de forma gratuita e sigilosa. O serviço é mantido por voluntários capacitados para oferecer escuta ativa e apoio emocional.

Além disso, o SUS oferece atendimento psicológico e psiquiátrico em unidades básicas de saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que podem ser acessados gratuitamente pela população.

Prevenção é responsabilidade de todos

Falar sobre suicídio ainda é um desafio, mas silenciar pode custar vidas. Especialistas reforçam que o tema deve ser tratado com seriedade, empatia e responsabilidade, tanto em casa quanto em ambientes escolares, corporativos e na mídia.

A data de hoje, 10 de setembro, serve como um lembrete global de que cada vida importa e de que é possível, sim, prevenir o suicídio com informação, acolhimento e políticas públicas eficazes.

Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, não hesite em procurar ajuda. Você não está sozinho.

Confira mais notícias sobre saúde no Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

Arquivos Relacionados

Deixe um comentário