Portal E-Brasil

1ª Jornada Estadual do Patrimônio Cultural começa em MS

1ª Jornada Estadual do Patrimônio Cultural começa em MS

Com 51 atividades culturais, evento celebra a memória, os saberes tradicionais e a identidade dos povos de Mato Grosso do Sul a partir de segunda-feira (11).

Com o objetivo de fortalecer a memória coletiva e promover o reconhecimento das tradições culturais de Mato Grosso do Sul, estreia nesta segunda-feira, 11 de agosto, a 1ª Jornada Estadual do Patrimônio Cultural. O evento será realizado simultaneamente em 14 municípios do estado, com uma programação composta por 51 ações culturais que vão de oficinas e rodas de conversa a exposições, apresentações artísticas e festivais.

Com o tema “Caminhos de Memória: Territórios, Saberes e Resistências”, a jornada representa um marco nas políticas culturais sul-mato-grossenses, segundo o diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS (FCMS), Eduardo Mendes Pinto. “Essa primeira edição propõe um olhar sensível sobre a construção da nossa identidade, promovendo o diálogo entre as diferentes comunidades que formam o Estado. Estamos falando de uma ação cultural que é, ao mesmo tempo, democrática, participativa e transformadora”, explica.

O evento é promovido pela Fundação de Cultura de MS (FCMS), em parceria com o IPHAN/MS (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o CAU/MS (Conselho de Arquitetura e Urbanismo de MS).

Exposição homenageia a cultura dos ervais

A abertura oficial da jornada será realizada às 17h30 desta segunda-feira (11), no Arquivo Público Estadual, em Campo Grande, com a inauguração da Exposição Fotográfica “Erva-Mate – Nos Tempos dos Ervais por Hélio Serejo”. A mostra reúne registros históricos, documentos e objetos relacionados à cultura da erva-mate, tendo como base o acervo do próprio arquivo, do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e da pesquisadora Helta Barbosa Serejo, neta do escritor e folclorista homenageado.

A curadoria da exposição é assinada por Rita Natalia Serenza e Douglas Alves da Silva, com apoio da jornalista Lu Tanno e da historiadora Madalena Greco. Eles destacam que a escolha da erva-mate como símbolo central da mostra vai além da planta: “Ela representa a essência da sociabilidade sul-mato-grossense. Desde o campo até a cidade, a erva-mate conecta gerações e territórios, estando presente no cotidiano e nas memórias afetivas de milhares de pessoas”, comenta Rita.

Diversidade cultural como protagonista

Ao longo da programação da Jornada, comunidades indígenas, quilombolas, pantaneiras, ribeirinhas e urbanas terão espaço para apresentar seus modos de vida e suas expressões culturais. A proposta é valorizar o patrimônio imaterial, como os saberes tradicionais, os rituais religiosos, a música, a dança e o artesanato.

Em Corumbá, por exemplo, haverá oficinas sobre técnicas ancestrais de cerâmica. Em Bonito, turistas e moradores poderão participar de rodas de conversa sobre a cultura terena. Já em Aquidauana, uma série de apresentações de grupos indígenas e quilombolas deve ocupar espaços públicos.

Além das atividades presenciais, parte da programação será transmitida online ou registrada em vídeo, garantindo o acesso ao conteúdo também para quem está em outras regiões.

Educação patrimonial e oficinas práticas

Outro foco da Jornada é a educação patrimonial. Escolas públicas e instituições de ensino em diversos municípios receberão atividades educativas voltadas para crianças e adolescentes, incentivando o reconhecimento de bens culturais locais e a importância da preservação da memória.

Entre as oficinas práticas oferecidas estão:

  • Técnicas de trançado de fibras naturais;
  • Produção de máscaras tradicionais;
  • Conservação de bens materiais;
  • Elaboração de inventários culturais participativos.

As ações foram planejadas com a participação de lideranças comunitárias, artistas locais, pesquisadores e gestores culturais, garantindo representatividade e diversidade nos temas abordados.

Municípios participantes

A 1ª Jornada Estadual do Patrimônio Cultural acontecerá em 14 municípios sul-mato-grossenses, são eles:

  • Campo Grande
  • Corumbá
  • Aquidauana
  • Bonito
  • Coxim
  • Dourados
  • Jardim
  • Paranaíba
  • Ponta Porã
  • Porto Murtinho
  • Rio Brilhante
  • São Gabriel do Oeste
  • Sidrolândia
  • Três Lagoas

Cada local terá uma programação própria, adaptada às características culturais da região, mas todas conectadas pelo mesmo propósito: valorizar o patrimônio vivo de Mato Grosso do Sul.

Resgate da memória como política pública

A Jornada nasce com o objetivo de se tornar um evento anual, e segundo a FCMS, é apenas o início de uma série de ações voltadas à construção de uma política permanente de preservação do patrimônio no Estado.

“Acreditamos que o futuro se constrói com base no conhecimento do passado. E o nosso passado é múltiplo, cheio de histórias de resistência, de luta e de sabedoria. A Jornada quer justamente celebrar essa pluralidade e reconhecer o valor das culturas que formam Mato Grosso do Sul”, resume Eduardo Mendes.

Para mais notícias sobre tudo o que acontece em Mato Grosso do Sul, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini
(Matéria redigida com base em informações da Fundação de Cultura de MS e divulgação oficial do evento.)

Arquivos Relacionados

Deixe um comentário