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 Clínicas de recuperação em MS são alvo de investigação

 Clínicas de recuperação em MS são alvo de investigação


Ministério Público de Mato Grosso do Sul abre procedimento administrativo para acompanhar internações e altas em clínicas de recuperação de dependentes químicos em Fátima do Sul.

Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) iniciou, nesta semana, um procedimento administrativo para acompanhar o fluxo de pacientes em três clínicas de recuperação de dependentes químicos e alcoólatras em Fátima do Sul. As instituições investigadas são a Clínica de Recuperação para Dependentes Químicos e Alcoolistas Oxford, a Clínica de Recuperação para Dependentes Químicos e Alcoolistas DAYTOP Brasil e o Centro de Tratamento para Dependência Química e Alcoolismo Hazelden BR.

A ação, publicada no Diário Oficial, tem como objetivo monitorar as internações psiquiátricas e as altas de pacientes ao longo de 2025. O MPMS busca identificar possíveis irregularidades no funcionamento dessas clínicas, que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade devido à dependência química e ao alcoolismo.

Objetivo da investigação

O procedimento administrativo é o primeiro passo para uma investigação mais aprofundada. Caso sejam encontradas evidências de irregularidades, o MPMS poderá abrir um inquérito civil, que pode resultar em medidas judiciais contra as clínicas. Por outro lado, se não forem identificados indícios de problemas, o processo pode ser arquivado.

A iniciativa do MPMS reflete uma preocupação crescente com a qualidade dos serviços oferecidos por clínicas de recuperação, especialmente em um contexto em que a dependência química e o alcoolismo são problemas de saúde pública cada vez mais graves. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mato Grosso do Sul é um dos estados com maior número de internações compulsórias relacionadas a drogas e álcool.

Clínicas investigadas

As três clínicas alvo da investigação são referências no tratamento de dependentes químicos na região de Fátima do Sul. A Clínica Oxford e a DAYTOP Brasil são conhecidas por oferecer programas de reabilitação de longo prazo, enquanto o Centro Hazelden BR segue um modelo de tratamento baseado em abordagens terapêuticas e espirituais.

Apesar da reputação dessas instituições, o MPMS decidiu investigar possíveis falhas no acompanhamento dos pacientes, como a falta de transparência nos processos de internação e alta, além de denúncias relacionadas a condições inadequadas de atendimento.

Famílias acolhedoras também sob acompanhamento

Além das clínicas de recuperação, a 2ª Promotoria de Justiça de Fátima do Sul também está de olho no programa de famílias acolhedoras. O MPMS abriu um procedimento administrativo para formalizar visitas semestrais às famílias que acolhem crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

O programa de famílias acolhedoras é uma alternativa ao acolhimento institucional e tem como objetivo oferecer um ambiente familiar temporário para menores que foram afastados de suas famílias de origem por decisão judicial. Em Fátima do Sul, Vicentina e Jateí, as visitas serão realizadas entre fevereiro e abril e depois entre setembro e novembro.

As famílias interessadas em participar do programa passam por uma capacitação e são cadastradas no projeto. O objetivo é garantir que as crianças e adolescentes recebam cuidados adequados enquanto aguardam a resolução de suas situações familiares.

Contexto da dependência química em MS

Mato Grosso do Sul tem enfrentado um aumento significativo nos casos de dependência química e alcoolismo, especialmente entre jovens e adultos. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, o estado registrou mais de 5 mil internações relacionadas a drogas e álcool em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

Especialistas apontam que a falta de políticas públicas eficientes e a precarização dos serviços de saúde mental contribuem para o agravamento do problema. Nesse contexto, as clínicas de recuperação desempenham um papel crucial, mas também precisam ser fiscalizadas para garantir que ofereçam um atendimento de qualidade.

Próximos passos

O MPMS deve realizar visitas técnicas às clínicas de recuperação e às famílias acolhedoras ao longo do ano. O objetivo é coletar informações detalhadas sobre o funcionamento dessas instituições e identificar possíveis falhas que possam prejudicar os pacientes.

Enquanto isso, as clínicas investigadas terão a oportunidade de se manifestar e apresentar documentos que comprovem a regularidade de suas atividades. O resultado da investigação será divulgado após a conclusão do procedimento administrativo.

Importância da fiscalização

A ação do MPMS é um passo importante para garantir que as clínicas de recuperação e as famílias acolhedoras cumpram seu papel de forma ética e responsável. Em um estado como Mato Grosso do Sul, onde a dependência química e o alcoolismo são problemas graves, a fiscalização é essencial para proteger os direitos dos pacientes e das crianças em situação de vulnerabilidade.

A expectativa é que a investigação sirva de exemplo para outras regiões do país, incentivando uma maior transparência e responsabilidade no tratamento de dependentes químicos e no acolhimento de menores.

Para mais notícias sobre tudo o que acontece em Mato Grosso do Sul, acesse o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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