Começa hoje a visitação da exposição que traz obras em couro, brim e tecidos de algodão, explorando a diversidade das culturas indígenas e afro-brasileiras.

A partir de hoje (5 de fevereiro), os campo-grandenses terão a oportunidade de mergulhar em uma experiência artística única com a exposição “Povos da Terra”, do artista GHVA. A mostra, que fica em cartaz até o dia 21 de fevereiro, promove uma viagem profunda pelas raízes do Brasil, explorando a diversidade das culturas indígenas e afro-brasileiras com uma sensibilidade única e uma técnica que mistura realismo e expressividade.
A exposição, que será realizada na Casa de Cultura, localizada na Avenida Afonso Pena, 2270, no Centro, abre oficialmente às 19h desta quarta-feira (5). A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 9h às 12h.
A arte de GHVA: um resgate das raízes brasileiras
Nascido em uma comunidade amazônica rica em diversidade, GHVA aprendeu, desde cedo, a observar os detalhes da vida ao seu redor. Este olhar atento é refletido em sua arte, que interpreta e resgata as histórias dos povos indígenas. O artista, que dedicou anos a estudar e pesquisar sobre essas culturas, usa sua obra como um meio de perpetuar as tradições e os saberes desses grupos.
As obras expostas em “Povos da Terra” são produzidas em materiais como couro, brim e tecidos de algodão, que trazem textura e corporeidade às pinturas. Cada retrato se apresenta como uma composição delicada, na qual intervenções cuidadosas criam um efeito de estranhamento positivo, desafiando o olhar do espectador e estimulando uma reflexão mais profunda sobre o tema.
Uma viagem pela diversidade cultural
A exposição é um convite para refletir sobre a história e a memória dos povos originários, muitas vezes invisibilizados na narrativa oficial do Brasil. Por meio de suas obras, GHVA busca denunciar as injustiças e os desafios que eles enfrentam até os dias atuais.
“Povos da Terra” é uma oportunidade para o público conhecer mais sobre as tradições, os costumes e as lutas dos povos indígenas e afro-brasileiros, além de se encantar com a técnica refinada e o olhar sensível do artista.
Os povos indígenas de Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul é um estado conhecido por sua rica diversidade cultural, especialmente quando se trata dos povos indígenas. Com mais de 80 mil indígenas, distribuídos em oito etnias principais – Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Ofaié, Kinikinau, Atikum e Guató –, o estado é um dos mais importantes cenários de resistência e preservação das culturas originárias no Brasil.
Os Guarani e Kaiowá são as etnias mais numerosas e também as que enfrentam os maiores desafios. Historicamente, esses povos têm lutado pela demarcação de suas terras, muitas vezes invadidas por fazendeiros e empreendimentos agrícolas. A falta de território adequado para viver e manter suas tradições é uma das principais causas de conflitos e violências contra essas comunidades.
Já os Terena, conhecidos por sua habilidade na agricultura e no artesanato, têm uma forte presença no estado, especialmente na região de Aquidauana e Miranda. Sua cultura é marcada por festas tradicionais, como o Kuarup, e por uma relação profunda com a natureza.
Os Kadiwéu, por sua vez, são famosos por sua arte e pinturas corporais, que contam histórias e representam a conexão espiritual com o mundo. Já os Ofaié, uma das etnias mais ameaçadas, lutam para preservar sua língua e tradições diante de um cenário de extrema vulnerabilidade.
A luta pela demarcação de terras
Um dos temas centrais abordados na exposição “Povos da Terra” é a luta dos povos indígenas pela demarcação de suas terras. Em Mato Grosso do Sul, essa questão é especialmente urgente. Apesar de a Constituição Federal garantir o direito dos indígenas às suas terras tradicionais, muitos territórios ainda não foram demarcados, o que gera conflitos e violências.
A exposição de GHVA traz à tona essa realidade, mostrando como a falta de terra impacta a preservação de suas culturas e tradições. As obras em couro e tecido, por exemplo, remetem à conexão dos indígenas com a natureza e ao uso sustentável dos recursos naturais.
A importância da arte como ferramenta de resistência
A arte tem sido uma das principais ferramentas de resistência e afirmação das culturas indígenas. Por meio de pinturas, esculturas, músicas e danças, esses povos conseguem manter vivas suas tradições e transmitir seus conhecimentos para as novas gerações.
A exposição “Povos da Terra” é um exemplo disso. Ao retratar a vida e a história dos povos originários, GHVA chama a atenção para a necessidade de preservá-las. Suas obras são um convite para refletir sobre o papel de cada um de nós na luta por um mundo mais justo e inclusivo.
Contextualizando a Realidade Indígena em MS
Mato Grosso do Sul é um estado que carrega uma história complexa em relação aos povos indígenas. Desde o período colonial, essas comunidades enfrentam desafios como a perda de territórios, a exploração de seus recursos e a violência. Hoje, apesar dos avanços em políticas públicas, muitos indígenas ainda vivem em condições precárias, sem acesso a serviços básicos como saúde e educação.
A exposição “Povos da Terra” chega, portanto, em um momento crucial para a reflexão sobre a importância de valorizar e proteger as culturas indígenas. Ao trazer à tona as histórias e as lutas desses povos, a mostra também contribui para a construção de uma sociedade mais consciente e solidária.
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Autoria: Sarah Pacini

