Como a perda de peso transformou a relação de Marília Mendonça com a moda

Como a perda de peso transformou a relação de Marília Mendonça com a moda

A trajetória artística de Marília Mendonça (1995-2021) foi marcada não apenas pelo sucesso musical, mas também por uma notável evolução visual. Segundo relatos da stylist Flavia Brunetti, responsável pelos figurinos da artista, o interesse da cantora pelo universo fashion cresceu à medida que ela emagrecia e fortalecia sua autoestima.

No início da carreira, a preocupação da Rainha da Sofrência com o vestuário era puramente operacional, voltada apenas para a montagem prática de malas para os shows. A mudança no visual acabou transformando a forma como a artista encarava o próprio guarda-roupa.

“essa coisa dela emagrecer influenciou a relação que ela tinha com a moda em si. Antes, [o meu trabalho] era um serviço, depois virou uma paixão“, revelou Flavia.

Encontro inusitado e o início da amizade

A aproximação entre a stylist e a cantora aconteceu de forma curiosa. Após passar pelo fim de um relacionamento ao descobrir uma traição no celular do ex-namorado, Flavia o expulsou de casa com o auxílio do porteiro do prédio. Durante uma viagem a trabalho para Fortaleza, desabafou com um cliente sobre o ocorrido. O profissional mencionou que havia assistido ao show de uma cantora jovem chamada Marília Mendonça, cuja música “Alô, Porteiro” narrava exatamente a mesma situação.

Impactada pela coincidência, Flavia pediu que sua empresária entrasse em contato com a equipe da artista para apresentar seu portfólio. A parceria começou quando a cantora ainda dava os primeiros passos no cenário nacional.

“Já tinha trabalhado com todas as celebridades do Brasil, com todas as blogueiras, com todo mundo que você possa imaginar, e ninguém nunca me tocou tanto como essa menina. Quando conheci Marília, ela tinha de 17 para 18 anos”, disse a stylist.

Flavia destacou o caráter inovador de Marília em um gênero dominado por homens:

“Ela era gorda, pobre, de Goiânia — um meio machista, do agro, mas desbravadora. Ela estava falando de chifre, falando: ‘Eu bebo mesmo’. Tinha tudo para ser um ‘flop’ [fracasso], mas transformou isso em um fenômeno”.

Para montar os primeiros figurinos da artista, a stylist a levou para fazer compras no tradicional bairro do Brás, polo de comércio popular em São Paulo. “Depois daquele dia, a gente já foi para o bar e nunca mais se desgrudou, até o dia em que ela morreu”, contou.

Construção de imagem e paixão pela moda

Com o passar dos anos e o processo de emagrecimento, a visão de Marília sobre o vestuário expandiu-se consideravelmente. O foco deixou de ser apenas a facilidade logística para dar lugar a um planejamento estético detalhado.

“Quando ela emagreceu, aí sim começou a se interessar mesmo por moda. A partir daí, não estávamos mais falando só de figurino, de facilidade, de mala, e sim de uma construção de imagem, de se preocupar com marcas, de ter relacionamento com estilistas”, narrou Flavia. A profissional concluiu ressaltando o carinho que a sertaneja desenvolveu pelo setor: “Ela morreu amando moda, isso eu posso te garantir”.

Acervo icônico em exposição em São Paulo

Os figurinos históricos idealizados por Flavia Brunetti para a Rainha da Sofrência podem ser vistos de perto pelo público na mostra Sentimento Louco, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), na capital paulista.

A exposição ocupa uma área de mil metros quadrados distribuída em dois andares. O percurso imersivo recria cenários fundamentais na vida e na carreira de Marília, incluindo a árvore sob a qual ela costumava compor suas canções, seu quarto com itens pessoais como sapatos e acessórios, e o estúdio onde gravou seu DVD de estreia em 2015.

Fonte: CNN

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