Americana foi diagnosticada com doença rara que causou inflamação na medula espinhal; caso alerta para riscos das infecções transmitidas por carrapatos.

A influenciadora digital americana Maria Palen, de 31 anos, perdeu os movimentos das pernas após ser diagnosticada com babesiose, uma infecção parasitária grave transmitida por carrapatos. O caso, que ganhou destaque nas redes sociais, chama atenção para os riscos pouco conhecidos das doenças causadas por esses parasitas.
A jovem, que levava uma vida saudável na Califórnia e reunia mais de 23 mil seguidores no Instagram, relatava sua rotina de treinos, receitas vegetarianas e passeios ao ar livre. No entanto, em outubro de 2024, durante uma viagem ao Texas, começou a apresentar sintomas como febre, dores no corpo e cansaço extremo. Em poucos dias, perdeu o controle da bexiga e foi internada às pressas.
Após uma bateria de exames, os médicos diagnosticaram babesiose, uma condição causada por protozoários do gênero Babesia, que atacam as células vermelhas do sangue. No caso de Maria, a infecção provocou uma complicação rara: mielite transversa, inflamação da medula espinhal que afetou diretamente sua mobilidade da cintura para baixo.
O que é a babesiose?
A babesiose é uma doença infecciosa transmitida por carrapatos do gênero Ixodes, o mesmo vetor responsável pela Doença de Lyme. Apesar de rara em humanos, a infecção tem se tornado mais comum em determinadas regiões dos Estados Unidos, especialmente no Nordeste e Centro-Oeste do país — como Nova York, Connecticut, Massachusetts e Minnesota, onde é considerada endêmica.
Segundo o médico infectologista André Siqueira, da Fiocruz, a babesiose é frequentemente chamada de “malária dos carrapatos“, por seus sintomas semelhantes aos da malária: febre alta, calafrios, dores musculares e fadiga intensa. Em casos mais graves, pode levar à insuficiência de órgãos e até à morte.
“É uma doença que muitas vezes passa despercebida ou é confundida com uma virose comum. Mas em pacientes imunossuprimidos ou com outras vulnerabilidades, pode evoluir rapidamente e de forma grave”, explica o especialista.
Sintomas da babesiose
Os principais sinais de alerta incluem:
- Febre súbita e alta;
- Suores noturnos e calafrios;
- Dores musculares e de cabeça;
- Cansaço extremo;
- Icterícia (amarelamento da pele e olhos);
- Urina escura, por destruição das hemácias.
A gravidade da doença pode variar. Em pessoas saudáveis, a babesiose pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves. Já em idosos, imunocomprometidos ou portadores de outras comorbidades, o quadro pode se agravar rapidamente.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da babesiose é confirmado por meio de exames de sangue, que identificam a presença do parasita Babesia nas hemácias. Também podem ser usados testes sorológicos e de biologia molecular (PCR).
O tratamento padrão inclui a combinação de medicamentos antiparasitários, como atovaquona e azitromicina, por um período de 7 a 10 dias. Em casos mais graves, pode ser necessária hospitalização e suporte clínico intensivo, como transfusões de sangue ou ventilação mecânica.
O caso de Maria Palen
Em um post emocionante no Instagram, Maria compartilhou com seus seguidores o impacto da doença em sua vida:
“Nunca imaginei que uma picada tão pequena pudesse virar minha vida de cabeça para baixo. Foram semanas de dor, incertezas e medo. Mas também de fé, luta e esperança.”
Os médicos que acompanharam seu caso informaram que as chances de recuperação — total, parcial ou nenhuma — eram de cerca de 33% para cada cenário. Desde então, ela segue em fisioterapia diária, reaprendendo a movimentar os membros inferiores e mantendo uma atitude positiva diante do novo desafio.
Existe risco no Brasil?
No Brasil, a babesiose é mais conhecida como uma doença veterinária, que afeta cães e bovinos, especialmente em áreas rurais. Ainda não há confirmação de casos autóctones (transmitidos localmente) da doença em humanos. No entanto, especialistas alertam para a possibilidade de subnotificações, já que os sintomas podem ser confundidos com dengue, febre amarela ou outras viroses comuns.
Além disso, brasileiros que viajam para regiões endêmicas nos Estados Unidos ou Europa devem redobrar os cuidados em trilhas e áreas de mata.
Como se proteger de carrapatos
A prevenção é a melhor forma de evitar infecções como a babesiose. Confira algumas medidas essenciais:
- Use roupas compridas e claras em áreas com vegetação densa;
- Aplique repelentes nas áreas expostas da pele e nas roupas;
- Evite sentar diretamente no chão ou em gramados altos;
- Faça uma inspeção completa no corpo após passeios ao ar livre;
- Se encontrar um carrapato preso à pele, retire-o com uma pinça, puxando devagar, sem esmagar o animal.
Guardar o carrapato em um recipiente pode ajudar profissionais de saúde a identificar a espécie e avaliar possíveis riscos de infecção.
Reabilitação e superação
Mesmo com o diagnóstico de mielite transversa, Maria Palen tem usado sua influência digital para conscientizar sobre os riscos das doenças transmitidas por carrapatos. Sua rotina de recuperação, compartilhada nas redes, tem inspirado seguidores e alertado sobre um problema muitas vezes negligenciado.
“Sigo firme. Cada pequeno movimento é uma conquista. Quero usar minha história para mostrar que a prevenção salva vidas e que, mesmo diante das adversidades, sempre há espaço para esperança.”
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Por Sarah Pacini

