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Cidade de Deus é um dos melhores filmes do século 21

Cidade de Deus é um dos melhores filmes do século 21

Produção brasileira ocupa a 15ª posição entre os 100 melhores filmes do século, segundo ranking internacional elaborado com votos de nomes influentes do cinema mundial.

O prestigiado jornal norte-americano The New York Times divulgou nesta semana uma lista dos 100 melhores filmes do século XXI, e o Brasil conquistou um feito notável: o longa-metragem “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, ficou em 15º lugar, sendo a única produção brasileira a figurar no ranking.

O levantamento, que tem como objetivo destacar as obras mais impactantes, relevantes e artisticamente inovadoras desde o ano 2000, foi elaborado com a colaboração de mais de 500 profissionais da indústria cinematográfica internacional. Entre os votantes estavam diretores, roteiristas, atores e críticos renomados de diversos países.

Reconhecimento global

Desde seu lançamento em 2003, Cidade de Deus já vinha sendo exaltado por seu estilo narrativo ousado, fotografia marcante e crítica social contundente. Inspirado no livro homônimo de Paulo Lins, o filme retrata a trajetória de jovens em uma comunidade do Rio de Janeiro marcada pela violência, tráfico de drogas e desigualdade social.

Na nova lista do The New York Times, a produção aparece entre nomes consagrados do cinema contemporâneo, como Parasita, Moonlight, Onde os Fracos Não Têm Vez e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. O primeiro lugar ficou com o premiado filme sul-coreano “Parasita”, de Bong Joon-ho, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2020.

Entre os que escolheram Cidade de Deus como um de seus favoritos, está o ator britânico Chiwetel Ejiofor, indicado ao Oscar por “12 Anos de Escravidão”. Ele destacou o impacto emocional e a imersão visual proporcionada pelo longa brasileiro:

“Na primeira vez em que você assiste, sente o calor, sente o suor nas costas, sente a pressão, sente as ruas. São poucos os filmes que conseguem te colocar dentro de um ambiente com tanta precisão.”

O comediante e ator norte-americano Patton Oswalt também citou o filme, mencionando uma das cenas mais icônicas como exemplo da potência narrativa da obra:

“Há uma cena no meio do filme em que os personagens improvisam uma dança, enquanto toca ‘Kung Fu Fighting’. É vibrante, emocionante, mas ao mesmo tempo trágico e tenso. É simplesmente extraordinário.”

Indicações e impacto cultural

O reconhecimento internacional de Cidade de Deus não é novidade. Em 2004, o longa conquistou quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia. Ainda que não tenha levado nenhuma estatueta, o filme marcou a história do cinema brasileiro como um dos mais celebrados fora do país.

A narrativa, que mistura realidade e ficção com uma linguagem ágil e montagem dinâmica, é frequentemente utilizada em escolas de cinema como referência de direção, edição e construção de personagens. A estética documental e o uso de atores não profissionais também foram destacados como elementos que contribuíram para o realismo do enredo.

Representatividade e importância para o cinema nacional

Estar entre os 15 melhores filmes do século XXI em uma lista global reforça a importância simbólica e artística de “Cidade de Deus” para o cinema mundial. Além de colocar o Brasil em um espaço de destaque, o reconhecimento mostra que produções fora do eixo Hollywood-Europa também têm poder de mobilizar, emocionar e influenciar a indústria.

Segundo especialistas, o filme é um marco não apenas por sua estética, mas por dar voz a um Brasil pouco representado nas grandes telas, abordando temas como racismo, exclusão, criminalidade e juventude periférica. Tudo isso com autenticidade e sensibilidade, mas sem amenizar as violências retratadas.

Ranking internacional e outros destaques

Além de Cidade de Deus, a lista traz outros filmes que marcaram época, como:

  • Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004), de Michel Gondry
  • A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Miyazaki
  • Mad Max: Estrada da Fúria (2015), de George Miller
  • O Lobo de Wall Street (2013), de Martin Scorsese
  • Ela (2013), de Spike Jonze
  • Zona de Interesse (2023), de Jonathan Glazer
  • Roma (2018), de Alfonso Cuarón

Produções de diretores como David Fincher, Quentin Tarantino, Christopher Nolan, Greta Gerwig e Pedro Almodóvar também figuram na seleção.

A presença de Cidade de Deus neste grupo seleto é motivo de celebração e reforça a capacidade do cinema brasileiro de impactar públicos e críticos além das fronteiras nacionais.

Para mais notícias sobre cinema, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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