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Amiga conta que Preta Gil planejou seu próprio velório

Amiga conta que Preta Gil planejou seu próprio velório

Melhor amiga da artista, Jude Paulla revelou que Preta deixou claro como gostaria de ser lembrada: com cores, afeto, diversidade e autenticidade. Velório emocionou multidão no centro do Rio.

A despedida de Preta Gil foi mais do que um funeral: foi um manifesto de amor à vida, à arte e à liberdade. Faleceu no dia 20 de julho de 2025, aos 50 anos, vítima de complicações de um câncer agressivo, a cantora, apresentadora e empresária teve o último desejo respeitado por familiares, amigos e fãs. Seu velório, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, emocionou não apenas pela perda precoce, mas também pela forma como foi conduzido: uma verdadeira celebração.

Em publicação feita nas redes sociais neste sábado (26), Jude Paulla — melhor amiga e empresária que esteve ao lado de Preta Gil durante todo o tratamento nos Estados Unidos — contou que foi a própria artista quem planejou os principais detalhes da cerimônia de despedida.

Segundo Jude, desde que soube da volta do câncer, Preta começou a conversar abertamente sobre a possibilidade da morte. “Ela falava com medo, mas também com muita clareza. Um dia, em casa com ela, gravei um vídeo no qual ela descrevia exatamente como queria que fosse seu funeral”, relatou.

A escolha do Theatro Municipal do Rio de Janeiro como local do velório foi simbólica. Ícone da cultura brasileira, Preta Gil sempre defendeu a arte como forma de resistência e transformação. Além disso, o espaço representa um palco que acolheu gerações de artistas — e ela, como figura central na música popular brasileira e na representatividade negra e LGBTQIA+, era parte dessa história.

Uma despedida com a cara dela

O velório teve elementos inusitados e muito significativos. Em vez de um clima exclusivamente de luto, o ambiente refletia a energia de Preta: músicas escolhidas por ela foram tocadas, houve percussão no cortejo pelas ruas do Rio e até mesmo drinques sem álcool foram servidos, conforme ela havia pedido. Para os convidados, um pedido especial: roupas claras, leves e confortáveis.

Jude Paulla também contou que alguns detalhes não puderam ser realizados devido a entraves burocráticos, mas garantiu que “tudo que foi possível, a gente fez”. E completou: “Foi uma confusão do jeitinho que ela gostava: todo mundo misturado, música, emoção, gente chorando e rindo ao mesmo tempo. Nada mais Preta do que isso”.

Um trecho marcante compartilhado por outro amigo, Douglas Paiva, também viralizou nas redes sociais: uma mulher caminhando atrás do carro do Corpo de Bombeiros segurando uma cerveja, como se brindasse à memória da artista. Para ele, foi “um funeral icônico para uma mulher igualmente icônica”.

Últimos momentos nos Estados Unidos

A empresária revelou que Preta passou seus últimos dias em Nova York, onde tentava tratamento com uma técnica inovadora que ainda não está disponível no Brasil. Mesmo diante das dores e limitações causadas pelo avanço do câncer, a cantora se manteve firme, cercada por afeto e dignidade.

“Ela nunca deixou de ser quem era, mesmo quando o corpo já não respondia. Era leve, amorosa, engraçada e muito consciente. A Preta que o Brasil conheceu na TV e nos palcos era exatamente a mesma com quem eu convivi todos os dias”, escreveu Jude.

Nos bastidores, Preta também discutiu com os amigos próximos como gostaria de ser lembrada nas redes sociais e na mídia. Ela não queria que sua morte fosse marcada apenas por tristeza, mas como um lembrete da importância de viver com verdade. “Se um dia eu for embora, quero que as pessoas lembrem da Preta que ria alto, que falava palavrão, que brigava e pedia desculpa, que amava estar cercada de gente”, teria dito.

Legado para além da música

Filha de Gilberto Gil, Preta construiu uma carreira própria, marcada por autenticidade e coragem. Foi uma das primeiras artistas a abordar temas como gordofobia, racismo e homofobia em suas entrevistas e composições. Criou o Bloco da Preta, que se tornou um dos maiores carnavais de rua do país, e também teve papel de destaque em campanhas sociais e no incentivo à autoestima feminina.

Ao longo da trajetória, cultivou amizades sinceras com artistas, políticos, jornalistas e anônimos. Mas foi na amizade com Jude Paulla que ela encontrou seu maior apoio no enfrentamento do câncer. “Nós duas sabíamos que o fim podia chegar, mas não deixamos que isso apagasse os dias bonitos que vivemos juntas. Ela foi até o fim sendo Preta. E isso é tudo que importa”, concluiu a amiga.

Autenticidade até o fim

A cerimônia de cremação foi realizada de forma reservada, como a própria cantora desejava. Nas redes sociais, fãs e amigos compartilharam vídeos do cortejo e mensagens de gratidão. O nome de Preta Gil rapidamente ocupou os trending topics no X (antigo Twitter), com homenagens emocionadas.

Preta Gil partiu, mas seu legado permanece. Não apenas na música ou na TV, mas no modo como desafiou padrões, rompeu silêncios e viveu sem pedir licença. Sua despedida foi uma última aula de liberdade — uma festa bonita, cheia de afeto, cores e batuque.

Autoria: Sarah Pacini

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