Portal E-Brasil

Bárbara Aguiar representa Brasil no muay thai neste sábado

Bárbara Aguiar representa Brasil no muay thai neste sábado

Linha fina: Bárbara Aguiar, a “Anaconda Queen”, disputa neste sábado o cinturão do peso galo no tradicionalíssimo estádio Rajadamnerm, e pode se tornar a primeira não-tailandesa a conquistá-lo.

Neste sábado, dia 22 de fevereiro, uma brasileira terá a chance de escrever seu nome na história do muay thai mundial. Bárbara “Anaconda Queen” Aguiar, de 29 anos, vai disputar o cinturão vago do peso galo do renomado estádio Rajadamnerm, na Tailândia. Sua adversária será a estoniana Marie Ruumet, com quem já teve um confronto no ano passado, onde foi derrotada por decisão dos juízes. Agora, a chance de revanche e de consagrar-se campeã está ao seu alcance.

O Rajadamnerm é considerado o templo do muay thai, sendo o estádio mais antigo e tradicional da Tailândia, e ao lado do Lumpinee, é uma das maiores referências do esporte no país. Históricamente, os campeões desses estádios eram, em sua grande maioria, tailandeses, e conquistar um cinturão nessas arenas era considerado um feito quase inatingível para os lutadores estrangeiros. No entanto, em 2023, o Raja permitiu a entrada das mulheres nas disputas, e isso abriu uma nova porta para atletas como Bárbara.

Em uma entrevista emocionada, Aguiar falou sobre o impacto que essa oportunidade tem em sua carreira. “É o cinturão mais importante do cenário do muay thai na Tailândia. Quando vim para cá, as mulheres nem podiam lutar em estádio. Em 2023 começamos a lutar no Raja, então virou um sonho de lutar lá, e vou realizar esse sonho no sábado. É incrível!”, vibra a atleta, que atualmente representa o Phuket Fight Club.

A trajetória de Bárbara até essa disputa histórica foi repleta de desafios. Natural de Belo Horizonte, a mineira passou por dificuldades financeiras ao longo de sua carreira, incluindo longas viagens de ônibus para competir e o árduo processo de corte de peso. Há seis anos na Tailândia, Aguiar enfrentou adversidades como doenças e inflamações, mas sua paixão pelo muay thai e sua dedicação ao esporte a mantiveram firme na busca por seus objetivos.

Em 2024, ela conquistou o título do torneio RWS, também realizado no Rajadamnerm, mas com um cinturão próprio, diferente do cinturão do estádio. Agora, o objetivo é conquistar o título que está em disputa e, com isso, escrever seu nome na história do esporte. “A campeã terá uma revanche e novo confronto de estilos contra Ruumet, para quem perdeu ano passado por decisão dos juízes”, comentou Aguiar, detalhando a rivalidade entre as duas.

O estilo de luta de Bárbara é agressivo e técnico. Conhecida pelo seu poder no clinche, ela se descreve como uma lutadora que “anda para frente”, utilizando joelhos, cotovelos e mãos com grande precisão. Ela acredita que o formato de cinco rounds, ao contrário de três como na luta anterior contra Ruumet, favorece seu estilo mais intenso. “Ela anda para trás, usa o teep e chuta. Eu ando para frente, usando joelho, cotovelo, mão, e gosto de clinchar. Então a luta vai ser assim. Vamos ver qual vai ser o melhor estilo dessa vez”, afirmou a brasileira, confiante para a revanche.

Apesar do cenário difícil que encontrou ao longo de sua trajetória na Tailândia, com dificuldades financeiras e problemas de saúde, Bárbara sempre se manteve firme em seu propósito de viver do muay thai. “Minha renda aqui na Tailândia vinha apenas do muay thai, então tinha que lutar muito e, claro, treinar muito. A imunidade baixava, a Tailândia não é um país muito limpo e por isso já lutei diversas vezes com inflamações, bem doente e tomando remédios fortes”, relatou.

O prêmio conquistado em 2024, no valor de 3 milhões de bahts (aproximadamente 500 mil reais), ajudou a melhorar sua vida financeira, mas ainda assim, Bárbara precisa complementar sua renda com aulas de natação. Ela revela que, apesar da estabilidade financeira proporcionada pela luta, seu sonho de conquistar o cinturão do Rajadamnerm é algo que pode mudar ainda mais sua carreira. “Sequer penso em treinar MMA, não tenho essa vontade de migrar. As aulas de natação não tomam muito meu tempo, e sei que estou no caminho certo para viver só de luta”, afirma a lutadora, que se dedica exclusivamente ao muay thai.

Este sábado, portanto, será um momento de grande importância para Bárbara “Anaconda Queen” Aguiar, que entra no octógono não só para disputar um cinturão, mas para marcar sua história no muay thai, abrindo caminho para outras mulheres no esporte e, talvez, se tornando a primeira não-tailandesa a conquistar o tão desejado cinturão do Rajadamnerm.

Para mais notícias sobre esportes, acesse o Portal E-Brasil.

Arquivos Relacionados

Deixe um comentário