Genilson Lino da Silva, conhecido como “Perna” ou “General do Crime”, tem histórico de tráfico, assassinatos e regalias no sistema prisional

Um dos criminosos mais temidos da Bahia, Genilson Lino da Silva, 48 anos, conhecido pelos apelidos “Perna” e “General do Crime”, se entregou voluntariamente à Polícia Militar na tarde da última sexta-feira (19), em Campo Grande (MS). O homem, que acumula condenações que somam mais de 70 anos de prisão em regime fechado, estava foragido e é apontado como o líder da facção baiana Caveira, atuante no tráfico de drogas, roubos, assassinatos e controle de unidades prisionais.
O caso aconteceu por volta das 14h30, no Centro Comercial do bairro Coophavila II, localizado na Avenida Marinha, na região sul da capital sul-mato-grossense. Comerciantes acionaram a polícia após perceberem a presença de um homem que afirmava querer se entregar. Ao chegarem ao local, os militares identificaram Genilson, que se apresentou espontaneamente e declarou estar com mandado de prisão em aberto.
Consultas confirmam múltiplas condenações
Ao realizarem a consulta no BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão), os policiais confirmaram que havia uma ordem judicial definitiva — com pena total de 70 anos, 2 meses e 15 dias — por diversos crimes, entre eles: tráfico de drogas, roubo, porte ilegal de arma de fogo e associação criminosa. Além disso, havia um mandado de prisão preventiva pelo assassinato do personal trainer Rodrigo Gama, ocorrido em fevereiro de 2023 em uma academia de Caruaru, Pernambuco.
O crime, de acordo com investigações, foi encomendado por Genilson, após uma discussão dentro da academia. Segundo o delegado Bruno Vital, o motivo teria sido uma reprimenda feita pela vítima, que se incomodou com o fato de Genilson estar filmando mulheres sem autorização durante os treinos. Além disso, “Perna” teria nutrido ciúmes pelo fato de sua esposa seguir o personal nas redes sociais.
A vítima foi executada com um disparo na nuca e morreu na hora. O mandante, segundo as autoridades, comandava o crime à distância, mesmo estando em condição de foragido.
Histórico de poder dentro e fora das prisões
A trajetória criminosa de Genilson é marcada por episódios que escandalizaram o sistema prisional brasileiro. Entre 2005 e 2018, ele foi considerado o preso mais perigoso da Bahia, acumulando o comando de facções, influência política e poder dentro dos presídios.
Em 2009, seu nome foi alvo de uma CPI do Congresso Nacional, que investigava as regalias em presídios baianos. Em uma das operações realizadas na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, foram encontradas duas pistolas carregadas e mais de R$ 280 mil em espécie em sua cela — além de uma cópia da chave do cadeado, permitindo a movimentação livre dentro da unidade prisional.
Esses episódios levaram à sua transferência para unidades de segurança máxima. Passou pela penitenciária federal de Catanduvas (PR), depois por Roraima, e em 2018 foi levado à Penitenciária de Serrinha, no interior da Bahia. Não há informações oficiais sobre quando ou como Genilson chegou a Mato Grosso do Sul, onde acabou se entregando.
Figura temida, mas cercada de mistérios
A trajetória de “Perna” é cercada de mistério e simboliza a capacidade de adaptação e sobrevivência das lideranças do crime organizado. Mesmo após várias transferências e operações contra sua estrutura de poder, ele conseguiu manter a articulação criminosa, inclusive de dentro dos presídios federais.
Com o codinome “General do Crime”, Genilson se tornou uma lenda dentro da estrutura da facção que liderava. A Caveira, segundo investigações, possui ramificações que vão além da Bahia, atuando também em Pernambuco, São Paulo e no Centro-Oeste.
Próximos passos e regime fechado
Agora sob custódia, Genilson deve ser transferido para uma unidade prisional de segurança máxima. Com as condenações já transitadas em julgado, ele deverá cumprir pena em regime fechado, sem direito a benefícios de progressão por um longo período. Ainda há investigações em curso sobre eventuais cúmplices, rotas de fuga e atividades recentes do criminoso.
As autoridades da Polícia Civil da Bahia e do Ministério Público já foram notificadas da prisão. O caso será encaminhado à Justiça para os trâmites de recambiamento do condenado ao Estado de origem ou sua alocação definitiva em presídio federal, dependendo da avaliação de risco.
Perigo fora de circulação
Com a prisão de Genilson Lino da Silva, as autoridades reforçam o combate às lideranças do crime organizado no Brasil. A entrega espontânea surpreendeu até mesmo os investigadores, que há meses buscavam pistas sobre o paradeiro do criminoso.
Enquanto as investigações continuam para mapear a rede que ainda sustenta o braço da facção fora dos presídios, a população respira mais aliviada com a retirada de circulação de um dos criminosos mais perigosos do país.
Autoria: Sarah Pacini
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