Fundada em 1924, a Feira Central preserva quase um século de memória, mudanças de endereço e forte identidade cultural, mantendo-se como um dos espaços mais emblemáticos de Campo Grande.

A Feira Central de Campo Grande, carinhosamente chamada de “feirona”, é um dos símbolos mais vibrantes da capital sul-mato-grossense. Muito além de um ponto turístico, ela representa um espaço de convivência, memória, diversidade gastronômica e intercâmbio cultural que atravessa gerações. Fundada em 1924, a feira se transformou ao longo dos anos, acompanhando o crescimento da cidade e passando por várias mudanças de endereço, até se consolidar no complexo da antiga Estação Ferroviária, onde funciona atualmente em uma área superior a 13 mil metros quadrados.
A história da Feira Central se confunde com a própria formação urbana e cultural de Campo Grande. Nos primeiros anos, quando a cidade ainda se estruturava, a feira funcionava na antiga Praça do Mercado, localizada bem no centro da capital. Era um ponto de encontro movimentado por produtores, comerciantes imigrantes — muitos deles japoneses, sírio-libaneses, paraguaios e bolivianos — e pelos povos nativos, que chegavam com seus produtos agrícolas e artesanais. A troca cultural já fazia parte do DNA da feira desde sua origem.
As primeiras mudanças
Com o passar dos anos, a cidade cresceu e as necessidades de organização urbana aumentaram. Em 1955, a feira deixou a Praça do Mercado e foi realocada para a Rua 15 de Novembro, entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho. A mudança refletia a tentativa de adequar o fluxo intenso de comerciantes e consumidores, mas ainda não resolvia definitivamente a questão do espaço.
Já em 1958, com a inauguração do Mercado Municipal de Campo Grande, muitos feirantes migraram para o novo prédio, que oferecia condições mais estáveis de venda. No entanto, a parcela que optou por permanecer na feira foi transferida para a Rua Antônio Maria Coelho, entre as ruas Pedro Celestino e 13 de Maio. Ali, a “feirona” permaneceu instalada até 1964, marcando mais um período importante na sua trajetória.
A expansão da feira e o fortalecimento da tradição
Nos anos seguintes, a Feira Central continuou crescendo. A quantidade de bancas aumentou, o público se multiplicou e a identidade cultural da feira se consolidou como parte essencial do cotidiano campo-grandense. Para acomodar essa expansão, ela foi novamente transferida — desta vez para as ruas José Antônio, Abraão Júlio Rahe e Padre João Crippa. Foi ali, por décadas, que a feira se tornou ponto tradicional das noites de quarta e sábado, reunindo famílias inteiras para comer, comprar hortaliças frescas e socializar.
Essa fase marcou uma geração e transformou a “feirona” em um dos espaços mais queridos da população. A mistura de sabores, sotaques e culturas ajudou a construir o imaginário afetivo de milhares de moradores da capital.
A grande transformação de 2004
A mudança decisiva, porém, aconteceu em 2004, quando a Feira Central passou pela maior revitalização de sua história. O espaço escolhido para sediar a nova estrutura foi a antiga Estação Ferroviária (Ferronorte), um patrimônio arquitetônico marcante e que carrega a memória da formação econômica de Campo Grande.
Além de simbolizar uma reconexão com elementos históricos, o novo local permitiu ampliar significativamente a infraestrutura. A área construída de 8.500 metros quadrados foi organizada de forma funcional e acolhedora, preservando referências aos seus antigos fundadores e às diferentes culturas que ajudaram a compor sua identidade.
Atualmente, a feira abriga:
- 199 pontos de venda de artesanato e lembranças;
- 28 restaurantes, com destaque absoluto para o tradicional sobá, prato japonês que se tornou símbolo gastronômico da capital;
- 120 bancas de hortaliças, que garantem produtos frescos e variados ao público.
Essa combinação única de gastronomia, artesanato, música e convivência transforma a feira em um espaço que agrada turistas e moradores. Muitos visitantes relatam que a primeira parada obrigatória ao chegar a Campo Grande é a “feirona”, seja para jantar sobá, experimentar espetinhos, comprar artesanato local ou simplesmente caminhar por suas alamedas ladeadas por cores, aromas e sons.
Patrimônio vivo de Campo Grande
A Feira Central se tornou um ponto de referência não apenas por seu tamanho e variedade, mas pela memória afetiva que carrega. Ela guarda tradições que resistem ao tempo e que continuam sendo transmitidas de geração para geração. Famílias que frequentavam o espaço nos anos 1960 hoje levam seus netos para conhecer a mesma cultura de convivência e gastronomia que ajudou a encantar toda uma cidade.
Além de um polo turístico, a Feira Central cumpre importante papel na economia local ao fomentar pequenos negócios, fortalecer a agricultura familiar e promover a identidade multicultural que marca Mato Grosso do Sul.
Serviço
Local: Rua 14 de Julho, 3351
Horário de funcionamento: De quarta-feira a domingo, das 16h às 00h
A “feirona” segue viva, pulsante e indispensável para quem deseja conhecer de fato a história, o sabor e a essência de Campo Grande.
Autoria: Sarah Pacini.

