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Drones com cabo de fibra óptica revolucionam a guerra na Ucrânia

Drones com cabo de fibra óptica revolucionam a guerra na Ucrânia

Nova tecnologia empregada pela Rússia permite ataques mais precisos e indetectáveis, mudando drasticamente a dinâmica dos combates e dificultando a movimentação de tropas ucranianas.

A guerra na Ucrânia, que já dura mais de três anos, acaba de ganhar uma nova e aterrorizante dimensão com o uso de drones equipados com cabos de fibra óptica. A inovação tecnológica está mudando o rumo do conflito e tornando a simples movimentação de soldados mais arriscada do que enfrentar o inimigo diretamente no campo de batalha.

Em Rodynske, cidade localizada na região de Donetsk, a realidade da guerra se impõe com brutalidade. Prédios administrativos destruídos, blocos residenciais em ruínas e fumaça ainda saindo dos escombros ilustram o rastro deixado por bombas planadoras russas de 250 kg. A cena é desoladora e, ao mesmo tempo, reveladora da escalada dos ataques recentes.

Rodynske está a cerca de 15 quilômetros ao norte da estratégica cidade de Pokrovsk, onde as forças russas tentam avançar há meses. Sem sucesso nas investidas diretas, a nova estratégia adotada pelo exército de Moscou envolve o cerco das cidades e o corte de rotas de suprimento — tática que vem sendo aplicada com intensidade redobrada desde o fracasso nas negociações por um cessar-fogo nas últimas semanas.

Durante visita ao local, uma equipe de reportagem internacional precisou se esconder sob uma árvore para escapar de um drone que sobrevoava a região. Minutos depois, uma explosão próxima confirmou o ataque, e os jornalistas correram para um prédio abandonado em busca de proteção. O fato de o drone estar operando tão perto da cidade indica que os pontos de lançamento russos estão mais próximos do que se pensava — possivelmente a partir de áreas recentemente ocupadas ao leste de Pokrovsk.

Nova arma muda regras do jogo

O elemento mais disruptivo desta nova fase do conflito é o uso de drones conectados por cabos de fibra óptica. Esses dispositivos representam uma evolução devastadora na tecnologia bélica. Diferentemente dos drones tradicionais, que operam por sinal de rádio e são vulneráveis a bloqueadores eletrônicos, os novos modelos transmitem comandos e imagens em tempo real por meio do cabo físico conectado diretamente ao operador.

“Esses drones são praticamente imunes a interferências eletrônicas”, explica um engenheiro de guerra da 68ª Brigada Jaeger, conhecido pelo codinome Moderador. “O cabo de fibra óptica, que pode ter dezenas de quilômetros, liga o drone ao controlador, eliminando a possibilidade de interrupção do sinal por sistemas de defesa convencionais.”

O impacto prático é devastador: os drones russos podem agora invadir áreas urbanas, entrar em edificações e caçar alvos com uma precisão jamais vista. Essa nova geração de drones também pode operar em baixas altitudes e realizar missões sigilosas, o que dificulta a detecção por radares e aumenta sua letalidade.

Deslocamentos cada vez mais letais

Em Bilytske, cidade mais afastada da linha de frente, casas inteiras foram arrasadas por ataques noturnos com mísseis. Svitlana, de 61 anos, retornou ao que restou de sua casa para resgatar pertences. Ela relata que, no início da guerra, as explosões eram distantes, mas agora o perigo é constante e pessoal.

“Antes, parecia que a guerra estava longe. Agora, ela está batendo na nossa porta”, diz ela. “O centro da cidade está destruído. Até a padaria e o zoológico foram atingidos.”

Em meio ao cenário de destruição, unidades como a 5ª Brigada de Assalto da Ucrânia se encontram em posições estratégicas, à espera de condições climáticas favoráveis, como nuvens densas ou ventos fortes, para poderem se mover com menor risco de detecção por drones.

“Nos últimos dias, só conseguimos nos mover quando há cobertura de nuvens ou vento”, explica Serhii, um dos soldados da brigada. “Os drones estão em toda parte. Eles rastreiam movimentos, miram alvos e enviam coordenadas em tempo real.”

Ele também destaca o poder de invasão dos novos drones: “Eles podem entrar em prédios e identificar alvos em ambientes internos. É uma mudança brutal na forma como operamos.”

Corrida tecnológica desigual

A Ucrânia tenta responder à nova ameaça, mas admite estar atrasada na corrida por essa tecnologia. Enquanto os russos já usam drones de fibra óptica em larga escala, as forças ucranianas ainda realizam testes e buscam maneiras de adaptar sua produção.

Venia, operadora de drones da 68ª Brigada, confirma o desequilíbrio: “Eles começaram muito antes. Estamos tentando alcançar, mas ainda estamos atrás. Esses drones são precisos e versáteis. Precisamos de soluções urgentes.”

A adaptação às novas ameaças tem levado até a sugestões improvisadas nas frentes de batalha. Soldados chegaram a comentar, em tom de brincadeira, que talvez seja necessário levar tesouras nas missões, para cortar fisicamente os cabos dos drones inimigos caso consigam se aproximar o suficiente.

O futuro do conflito

A introdução desses drones marca uma nova era no teatro de guerra. Não se trata mais apenas de poder de fogo ou superioridade aérea, mas de guerra tecnológica avançada, em que cabos, sensores e software decidem quem vive e quem morre. Para as tropas ucranianas, cada movimento precisa ser calculado milimetricamente — não apenas para avançar, mas simplesmente para sobreviver.

Com cidades em ruínas, rotas de suprimento comprometidas e drones espreitando dos céus, a Ucrânia enfrenta um inimigo cada vez mais invisível, preciso e letal.

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Autoria: Sarah Pacini

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