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Entenda como funciona a eleição de um novo Papa

Entenda como funciona a eleição de um novo Papa

Cerimônia secreta reúne cardeais de todo o mundo na Capela Sistina para eleger o novo líder da Igreja Católica após a morte do Papa Francisco

Com a morte do Papa Francisco nesta segunda-feira (21), a Igreja Católica inicia um dos processos mais tradicionais e simbólicos do Vaticano: o Conclave. A eleição do novo pontífice, sucessor de São Pedro, deve ocorrer a partir do dia 6 de maio, respeitando o intervalo mínimo de 15 dias exigido após a morte de um papa.

A previsão segue a norma estabelecida pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada pelo Papa João Paulo II em 1996. O documento regula todo o processo de vacância da Sé Apostólica, nome dado ao período em que a Santa Sé se encontra sem papa.

O que é o Conclave?

O termo conclave vem do latim cum clave, que significa “com chave”, numa referência ao isolamento total a que são submetidos os cardeais eleitores durante o processo de votação. Essa prática milenar visa garantir total sigilo e liberdade de decisão, sem interferência externa, política ou midiática.

Durante o Conclave, os cardeais permanecem confinados no interior da Cidade do Vaticano, mais precisamente na Casa Santa Marta, de onde só saem para participar das sessões de votação na Capela Sistina. O acesso ao local é restrito e vigiado, inclusive com dispositivos que bloqueiam sinais de comunicação.

Quem vota?

Apenas cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto no Conclave. Atualmente, há cerca de 120 cardeais eleitores elegíveis, oriundos de diferentes partes do mundo. O número exato será confirmado nos próximos dias, conforme o Colégio de Cardeais se organiza para o funeral de Francisco e as etapas preliminares da sucessão papal.

Durante o Conclave, esses cardeais têm a missão de escolher o novo líder da Igreja entre eles mesmos — embora, tecnicamente, qualquer homem batizado possa ser eleito papa, na prática o escolhido sempre é um cardeal.

Como é feita a eleição?

O processo de escolha do novo papa se dá por meio de votações secretas realizadas dentro da Capela Sistina. Para ser eleito, o candidato precisa obter dois terços dos votos dos cardeais presentes. Caso isso não ocorra nas primeiras rodadas, o processo segue com até quatro votações por dia — duas pela manhã e duas à tarde — até que haja um consenso.

As cédulas preenchidas pelos cardeais são queimadas após cada votação. A fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina sinaliza ao mundo o andamento da eleição: fumaça preta indica que nenhum candidato foi escolhido; fumaça branca significa que um novo papa foi eleito.

O que acontece após a eleição?

Assim que um cardeal atinge o número necessário de votos, ele é perguntado se aceita a eleição e, em caso afirmativo, escolhe o nome pelo qual será conhecido como papa. Depois, é conduzido até a chamada “Sala das Lágrimas”, onde veste os paramentos papais pela primeira vez.

Em seguida, o novo pontífice é apresentado ao público na sacada central da Basílica de São Pedro, com o tradicional anúncio em latim: “Habemus Papam!” (“Temos um papa!”). O novo líder da Igreja Católica então concede sua primeira bênção apostólica à multidão reunida na praça.

Etapas anteriores ao Conclave

Antes do início do Conclave, o Vaticano passa por uma fase intensa de organização. Entre as principais etapas estão:

  • Preparação do funeral do papa falecido, com nove dias de cerimônias litúrgicas chamadas de novemdiales.
  • Reuniões gerais do Colégio de Cardeais, conhecidas como congregações gerais, nas quais são discutidas questões administrativas e pastorais.
  • Definição da data oficial de início do Conclave, que, neste caso, só pode ocorrer após o dia 5 de maio.

Durante esse período, o Camerlengo — atualmente o cardeal Kevin Farrell — assume o comando administrativo da Santa Sé. Ele é responsável por validar a morte do papa, lacrar seus aposentos, coordenar os preparativos do Conclave e garantir a segurança do processo.

O que esperar do próximo papa?

A escolha do novo pontífice será observada com atenção por milhões de fiéis ao redor do mundo, especialmente diante dos desafios atuais enfrentados pela Igreja, como a modernização da doutrina, a crise de vocações e o combate a escândalos internos.

O legado de Francisco, marcado por reformas, abertura ao diálogo inter-religioso e forte ênfase em questões sociais e ambientais, deverá influenciar o perfil do próximo papa. Muitos acreditam que o novo pontífice pode ser escolhido entre cardeais da América Latina, África ou Ásia, refletindo a crescente presença da Igreja Católica no hemisfério Sul.

Para mais notícias sobre o Vaticano, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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