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Estiagem atinge quinto rio em Mato Grosso do Sul

Estiagem atinge quinto rio em Mato Grosso do Sul

Com o Rio Miranda entrando em nível crítico, já são cinco os rios monitorados com vazão abaixo da média; especialistas acompanham situação com preocupação

A situação hídrica de Mato Grosso do Sul continua se agravando. Nesta segunda-feira (15), o Rio Miranda entrou oficialmente em estado de estiagem, tornando-se o quinto curso d’água do estado a atingir nível crítico, de acordo com o boletim diário emitido pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

O Rio Miranda se junta agora aos rios Aquidauana, Pardo, Dourados e Cuiabá, todos sob monitoramento da Sala de Situação dos Rios de MS. A inclusão do Miranda no grupo evidencia o agravamento do quadro de seca que se alastra por diferentes regiões do estado, com impactos diretos no abastecimento, na agricultura e na biodiversidade.

Nível dos rios abaixo do esperado

De acordo com o boletim, o Rio Miranda alcançou nesta segunda-feira uma cota de 123 cm – marca que coincide com o limiar estabelecido para definir o estado de estiagem na estação de monitoramento. O dado foi coletado por meio da rede do Sistema Hidro-Telemetria, gerida pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), que monitora 14 pontos estratégicos ao longo de importantes bacias hidrográficas do estado.

Outros rios que já estavam em situação crítica mantêm-se abaixo da média esperada para o período. O Rio Aquidauana, por exemplo, registra atualmente 156 cm, quando o limite mínimo para sair da faixa de estiagem seria 200 cm. Já o Rio Pardo, monitorado na estação Fazenda Buriti, apresenta cota de 272 cm – também inferior à marca de 303 cm necessária para considerar condições normais.

No caso do Rio Dourados, a situação é ainda mais delicada: a cota está em apenas 73 cm, bem abaixo da linha de 112 cm que marca o início da estiagem. O Rio Cuiabá, por sua vez, na estação Pousada Taimã, marca 244 cm, quando o normal seria acima de 263 cm.

Esses números reforçam a urgência em acompanhar de perto os efeitos da seca e a necessidade de medidas preventivas para reduzir danos a setores estratégicos, como o agronegócio e o turismo ambiental, especialmente no Pantanal.

Alguns rios ainda apresentam níveis estáveis

Apesar do cenário preocupante em boa parte do estado, nem todos os rios apresentam queda em seus níveis. Segundo o mesmo relatório, o Rio Paraguai, na estação de Porto Esperança, marca atualmente 178 cm – considerado dentro da normalidade. O mesmo ocorre com o Rio Taquari, cuja estação de medição em Coxim aponta para 365 cm, também em níveis considerados adequados para o período.

A manutenção da estabilidade nestes rios, contudo, não descarta a possibilidade de mudanças rápidas no quadro, uma vez que o sistema hídrico regional está altamente sensível a variações climáticas.

Chuvas previstas, mas com efeitos incertos

Apesar do avanço da estiagem, há previsão de instabilidade climática nos próximos dias. De acordo com os meteorologistas, uma área de baixa pressão atmosférica, aliada à formação de um cavado (região alongada de baixa pressão), deve aumentar a nebulosidade principalmente entre a tarde desta segunda-feira e a terça-feira (16), criando condições para pancadas de chuva em várias regiões do estado.

As precipitações, no entanto, ainda não são suficientes para reverter o quadro de estiagem. Há risco de tempestades isoladas com descargas elétricas e rajadas de vento, especialmente nas regiões centro-sul e oeste. Mesmo com o retorno da chuva, os efeitos da seca prolongada sobre os corpos hídricos não são revertidos de forma imediata, e as previsões apontam apenas alívio pontual.

Temperaturas continuam elevadas em MS

Enquanto o alívio hídrico ainda é incerto, as temperaturas seguem altas em praticamente todas as regiões sul-mato-grossenses. Na segunda-feira, os termômetros devem marcar entre 17°C e 19°C nas mínimas e entre 28°C e 34°C nas máximas na região sul, cone-sul e no entorno de Dourados.

Já nas áreas sudoeste e pantaneira, as mínimas variam entre 23°C e 26°C, enquanto as máximas podem atingir até 40°C. Nas regiões do bolsão, norte e leste, as temperaturas oscilam entre 19°C e 22°C nas mínimas, e entre 36°C e 39°C nas máximas. Em Campo Grande, capital do estado, as mínimas previstas ficam entre 20°C e 22°C, com máximas que podem chegar a 36°C.

Impactos ambientais e necessidade de ação

A ampliação da estiagem para cinco rios importantes acende o alerta sobre os impactos ambientais em curso. Além da diminuição da disponibilidade de água para consumo humano e uso agrícola, a fauna e a flora local também sofrem. Espécies aquáticas enfrentam escassez de oxigênio e redução de habitat, enquanto as matas ciliares secam, contribuindo para o risco de incêndios.

Órgãos ambientais e autoridades locais reforçam a importância de uso consciente da água e a adoção de medidas de conservação, sobretudo em propriedades rurais. Ações de reflorestamento, preservação de nascentes e gestão de recursos hídricos ganham ainda mais relevância em momentos de crise.

Com o aumento das temperaturas e o agravamento da seca, especialistas alertam que o cenário pode se tornar recorrente nos próximos anos, caso não haja ações estruturais voltadas à adaptação às mudanças climáticas.

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Autoria: Sarah Pacini

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