Mostra com curadoria do MARCO presta homenagem à trajetória única da pintora sul-mato-grossense, conhecida por sua arte visionária e pioneirismo no cenário cultural de Mato Grosso do Sul.

O Museu da Imagem e do Som (MIS), localizado em Campo Grande (MS), abre suas portas a partir do dia 12 de maio, às 19h, para a exposição “As várias faces de Lídia Baís”, em homenagem aos 125 anos de nascimento da renomada artista sul-mato-grossense. A mostra integra a programação oficial da 22ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e permanece em cartaz até o dia 30 de junho de 2025.
Sob curadoria do Museu de Arte Contemporânea (MARCO), a exposição oferece ao público um mergulho profundo no legado de Lídia Baís, reunindo obras emblemáticas que percorrem diferentes fases da carreira da artista. A iniciativa faz parte da celebração do Dia Internacional de Museus, comemorado mundialmente em 18 de maio, cujo tema deste ano é “O futuro dos museus em comunidades em rápida transformação”.
Uma trajetória marcada por resistência, arte e espiritualidade
Nascida em 1900, na então vila de Campo Grande (que mais tarde se tornaria capital do Mato Grosso do Sul), Lídia Baís foi uma das primeiras mulheres da região a se destacar no cenário artístico nacional, enfrentando desafios sociais e familiares com a mesma ousadia que transparece em suas obras.
Filha de imigrantes italianos, Lídia demonstrou desde cedo talento e vocação artística. Determinada a expandir seus horizontes, ela mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou com o respeitado pintor Henrique Bernadelli, referência no ensino das belas-artes no Brasil. Nessa época, suas pinturas ainda tinham um estilo mais acadêmico, mas já apresentavam sinais de uma busca por identidade própria, influenciada pelo fervor da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo.
Foi em 1927, durante uma viagem à Europa, que Lídia teve contato com a vanguarda artística e conheceu Ismael Nery, figura central do surrealismo brasileiro. A troca de ideias e influências com Nery marcou profundamente sua produção e consolidou o caráter introspectivo, espiritual e simbólico de suas criações.
Rejeição, isolamento e genialidade
Apesar de sua intensa dedicação e evidente talento, Lídia enfrentou incompreensão da sociedade e resistência até mesmo dentro de sua própria família. Em 1929, promoveu uma exposição individual no Rio de Janeiro com apoio de nomes importantes, como os irmãos Bernadelli e Oswaldo Teixeira. No entanto, críticas conservadoras e pressões familiares a levaram de volta para Campo Grande.
Na capital sul-mato-grossense, já isolada, transformou o antigo sobrado da família em ateliê e templo de expressão pessoal. Pintava alegorias diretamente nas paredes, criava desenhos, escrevia diários e registrava experiências espirituais. Em meio a um cenário pouco receptivo à arte moderna, Lídia se refugiava em sua interioridade, produzindo obras densas, ricas em simbolismos e mensagens místicas.
Sua vida foi marcada por uma constante tensão entre genialidade artística e incompreensão social. Faleceu em 19 de outubro de 1985, vítima de esclerose múltipla, deixando um legado que só anos depois começou a ser verdadeiramente reconhecido.
Um convite à reflexão
A exposição no MIS visa justamente resgatar essa história, propondo ao público uma reflexão sobre o papel dos artistas visionários em contextos de transformação social. A curadoria do MARCO destaca não apenas a estética singular de Lídia Baís, mas também sua força como mulher e artista em uma época em que o conservadorismo cultural predominava.
O Museu da Imagem e do Som está localizado no Memorial da Cultura e da Cidadania, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, no Centro da capital. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30, com entrada gratuita.
A mostra é uma oportunidade imperdível para conhecer, revisitar e valorizar uma figura que desafiou as convenções, transformando dor e isolamento em arte. Ao integrar o calendário da Semana Nacional de Museus, a exposição reafirma o compromisso das instituições culturais com a preservação da memória e a promoção de narrativas diversas e inclusivas.
Além de prestigiar a obra de Lídia Baís, a visita proporciona ao público uma experiência sensível e inspiradora, em sintonia com o tema de 2025, que propõe discutir o papel dos museus em tempos de rápidas transformações sociais e culturais. Em tempos em que o passado é revisitado sob novas lentes, reconhecer o legado de Lídia é também uma forma de pensar o futuro das artes no Brasil.
Serviço:
📍 Exposição: “As várias faces de Lídia Baís”
📅 Abertura: 12 de maio, às 19h
🗓 Visitação: até 30 de junho de 2025
⏰ Horário: segunda a sexta, das 7h30 às 17h30
📌 Local: Museu da Imagem e do Som – 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania
📍 Endereço: Av. Fernando Corrêa da Costa, 559 – Centro, Campo Grande/MS
🎟 Entrada gratuita
Para mais notícias sobre atividades culturais em Mato Grosso do Sul, confira o Portal E-Brasil.
Autoria: Sarah Pacini

