Com edição comemorativa no dia 6 de junho, evento reúne artistas independentes e reforça a força da cena musical alternativa sul-mato-grossense

No próximo dia 6 de junho, Campo Grande será palco da 6ª edição do Festival Cerrado Alternativo, um evento que vai muito além de um simples show: é uma celebração da resistência artística e da música autoral. Criado há um ano, o festival nasceu de forma independente, com estrutura modesta, mas carregado de propósito — e agora se firma como uma das mais relevantes vitrines para músicos que não se encaixam nas fórmulas comerciais ou nos tradicionais circuitos de covers.
O evento acontece no Buteco do Miau, localizado na Avenida José Nogueira Viêira, nº 1303, no bairro Tiradentes. A partir das 20h, o espaço se transforma em um reduto de diversidade sonora, onde a autenticidade é regra e a repetição de hits radiofônicos dá lugar à criatividade e à identidade cultural.
Música autoral em destaque
Nesta edição especial de aniversário, o festival apresenta três atrações que representam bem o espírito do Cerrado Alternativo: Dovalle, Projeto Kzulo e Duo Vozmecê. Cada um desses nomes traz ao palco uma sonoridade própria, que transita entre o rock experimental, ritmos afro-latinos, polca paraguaia, samba, música regional e novas vertentes da cena brasileira.
Esses artistas fazem parte de um movimento musical que resiste em manter viva a criação artística autêntica, muitas vezes ignorada pelos grandes palcos e mídias tradicionais. Como afirma Karla Velasco, produtora do festival, a proposta vai além da diversão:
“É resistência. É som autoral no palco. É cena pulsando. A gente luta para criar espaços onde a arte verdadeira aconteça.”
Cena alternativa encontra espaço
Em um cenário local dominado por eventos comerciais e repertórios previsíveis, o Cerrado Alternativo cumpre um papel essencial. Ele oferece palco e visibilidade para artistas que desejam mostrar seu trabalho autoral e conectar-se com um público disposto a descobrir novas referências.
Pedro Fattori, integrante do Duo Vozmecê, que mistura ritmos e poéticas populares com arranjos experimentais, vê o evento como algo maior que uma simples apresentação:
“É um dos poucos espaços realmente pensados para a cena autoral da cidade. E isso reverbera. Estimula a criação, movimenta artistas e atrai um público interessado em cultura, em novidade, em identidade.”
Além de ser uma plataforma de visibilidade, o festival tem uma proposta justa de valorização dos artistas. Os ingressos custam apenas R$ 15, e toda a renda é revertida diretamente aos músicos. É uma forma de manter o ciclo artístico sustentável, ainda que distante da lógica de lucro predominante em outros formatos de entretenimento.
Um ano de resistência e conquistas
O Cerrado Alternativo começou pequeno, sem apoio institucional, dependendo da força de vontade de artistas, produtores e apoiadores locais. O objetivo era claro: criar um espaço onde a música autoral pudesse respirar. Hoje, após um ano e cinco edições anteriores — todas com bom público —, o projeto se consolida como símbolo de resistência criativa.
Não é fácil manter um festival independente em meio a tantas dificuldades, como falta de patrocínio, custos de estrutura e a própria desvalorização cultural que muitas vezes atinge artistas fora do circuito pop. Ainda assim, a cada nova edição, o evento prova que há público para o diferente, para o novo, para o genuíno.
Karla Velasco reforça que o maior presente nesse primeiro aniversário é ver a cena florescendo:
“O mais gratificante é perceber que as pessoas estão dispostas a ouvir, apoiar e fazer parte dessa construção coletiva. O Cerrado é de todos que acreditam que música também é resistência.”
Serviço – Festival Cerrado Alternativo
- Data: 06 de junho de 2025 (sexta-feira)
- Horário: A partir das 20h
- Local: Buteco do Miau – Av. José Nogueira Viêira, 1303 – Bairro Tiradentes, Campo Grande (MS)
- Ingresso: R$ 15 (valor revertido aos artistas)
- Atrações: Dovalle, Projeto Kzulo e Duo Vozmecê
Mais do que um show, o Cerrado Alternativo é um manifesto artístico — uma noite onde sons diversos ecoam para lembrar que a cultura local pulsa forte, criativa e resistente.
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Autoria: Sarah Pacini

