Uso de inteligência artificial e Pix acelera criação de golpes; Procon-SP registra aumento expressivo de denúncias
Tentativas de fraude ligadas à Copa do Mundo 2026 cresceram significativamente, segundo levantamento da NordVPN. Entre 2024 e 2025, 34% dos internautas brasileiros relataram contato com golpes relacionados ao futebol, quase o dobro dos 19% registrados antes do Mundial de 2022.
Golpes mais rápidos e personalizados
A principal mudança em relação ao ciclo anterior é a velocidade e a sofisticação dos ataques, impulsionados pela inteligência artificial generativa. Processos que antes levavam dias agora podem ser realizados em poucas horas. Além disso, criminosos utilizam dados pessoais — como CPF, e-mail e histórico de compras — para criar golpes direcionados às vítimas.
Impacto do Pix
O uso do Pix tornou as fraudes ainda mais preocupantes. A instantaneidade e irreversibilidade das transferências dificultam a recuperação de recursos após a execução do golpe. Criminosos também criam marcas falsas que se apresentam como parceiras oficiais da Copa e atuam em grupos de torcedores e colecionadores para ganhar confiança.
Redes sociais como porta de entrada
Golpistas utilizam principalmente:
- Instagram: 51%
- WhatsApp: 48%
- Facebook: 35%
- TikTok: 26%
As fraudes incluem apostas ilegais, venda de ingressos falsos e comercialização de produtos falsificados, especialmente figurinhas e álbuns da Copa, cuja quantidade de denúncias no Procon-SP passou de zero em março para 109 em maio de 2026.
Dados do Procon-SP
- Total de reclamações: 238 entre março e maio
- Saltos mensais: 19 (março) → 63 (abril) → 156 (maio)
- Produtos afetados: atrasos, não entrega ou diferenças em itens comprados
Crise de confiança digital
A popularização da IA gerou dificuldade para diferenciar conteúdos autênticos de manipulados, segundo Marcelo Souza, vice-presidente da Certta. A proteção depende cada vez mais da verificação de identidade e do monitoramento em tempo real de comportamentos fora do padrão.
Recomendações para consumidores
- Pesquisar reputação de lojas e vendedores
- Desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado
- Verificar CNPJ, endereço e canais de atendimento
- Guardar anúncios, comprovantes e conversas
- Conferir prazo de entrega, troca e condições
- Em produtos colecionáveis, confirmar autenticidade
- Registrar reclamações no Procon local
Dicas adicionais para compras online
- Ignorar contadores regressivos e urgência excessiva
- Verificar se o CNPJ corresponde ao setor de varejo
- Conferir data de criação do domínio (sites com <30 dias são suspeitos)
- Evitar sites que aceitam somente Pix, privilegiando plataformas com múltiplas formas de pagamento


