Vítima fez pagamentos por cerca de um mês após receber cobranças para credenciamento, aluguel de equipamento, seguros e supostas taxas
Homem de 55 anos perdeu cerca de R$ 15 mil após cair em um golpe enquanto buscava trabalho como entregador em Campo Grande. O caso foi registrado nesta quarta-feira (19) na 7ª Delegacia de Polícia Civil e é investigado como fraude eletrônica.
Segundo o boletim de ocorrência, a vítima procurava pela internet empresas que agregavam veículos para serviços de entrega. Durante a busca, encontrou uma suposta oportunidade e iniciou contato por mensagens para obter informações sobre o trabalho.
A partir daí, começou um processo apresentado como necessário para o credenciamento. O homem enviou documentos pessoais, informações bancárias e dados do próprio veículo.
Ao longo de aproximadamente um mês, diferentes cobranças foram apresentadas como etapas obrigatórias para que ele pudesse começar a trabalhar.
Primeira cobrança envolveu equipamento
Uma das primeiras exigências foi o pagamento pelo uso de um aparelho que, segundo os interlocutores, serviria para fazer a leitura dos produtos transportados.
A vítima foi informada de que faria entregas principalmente de medicamentos retirados em depósitos.
Como não teria condições de comprar o equipamento naquele momento, recebeu a opção de alugá-lo.
O pagamento foi feito, mas o aparelho nunca foi entregue.
Suposto trabalho envolveria medicamentos
Cerca de dois dias depois, o homem foi informado de que havia sido selecionado para fazer entregas de produtos farmacêuticos.
Segundo o relato registrado na delegacia, foram mencionados medicamentos de alto valor, incluindo remédios utilizados em tratamentos contra o câncer e canetas emagrecedoras.
Na sequência, novas cobranças foram apresentadas.
A vítima foi informada de que precisaria contratar seguro para o veículo e também seguro de vida. A justificativa apresentada era de que a suposta empresa arcaria com metade dos custos e o trabalhador pagaria a parte restante.
Golpistas citaram suposta exigência do Banco Central
Dias depois, os interlocutores passaram a afirmar que o Banco Central teria identificado os valores movimentados e exigido uma espécie de autenticação dos depósitos.
A vítima contou que foi orientada a transferir novas quantias para que a origem e a finalidade do dinheiro fossem supostamente reconhecidas.
Nenhuma comunicação oficial do Banco Central foi apresentada.
O homem também afirmou à polícia que não recebeu documento, protocolo ou qualquer notificação diretamente da instituição. Todas as informações sobre a suposta exigência foram transmitidas apenas pelas pessoas com quem conversava.
Novas taxas fizeram prejuízo aumentar
Depois dos primeiros pagamentos, outras cobranças começaram a aparecer.
Segundo o boletim, eram apresentadas justificativas relacionadas a impostos, taxas e supostos procedimentos necessários para liberar valores que já haviam sido pagos.
A vítima acreditava que receberia o dinheiro de volta após a conclusão do processo e, por isso, continuou realizando depósitos.
Nenhuma quantia foi devolvida.
Até o registro da ocorrência, o trabalhador também não tinha recebido o equipamento prometido e não havia realizado nenhuma entrega.
Homem entregou comprovantes à polícia
A vítima informou que ainda recebia novas cobranças quando decidiu procurar a polícia.
Segundo o relato, os interlocutores passaram a dizer que o valor necessário para uma suposta “pré-autenticação” havia aumentado.
O homem apresentou comprovantes dos pagamentos realizados e afirmou possuir uma cópia do contrato que teria sido encaminhado pela suposta empresa, além de outros documentos relacionados às negociações.
O caso foi registrado como fraude eletrônica e será apurado pela Polícia Civil.


