Ontem (01), milhares de entregadores realizaram uma grande mobilização em São Paulo como parte do Breque Nacional de 48 horas, que envolve cerca de 60 cidades.

O foco do movimento é exigir melhores condições de trabalho e aumento da remuneração oferecida pelas plataformas de delivery, como o iFood, que foi o principal alvo da manifestação na capital paulista.
Motivos da Greve
Os entregadores exigem, entre outras coisas, um aumento significativo na taxa mínima por corrida, que atualmente é de R$ 6,50, para R$ 10. Eles também pedem um reajuste na remuneração por quilômetro rodado, passando de R$ 1,50 para R$ 2,50, e a implementação de um limite de 3 quilômetros para entregas realizadas por bicicleta. Outro ponto crucial é o pagamento integral das corridas mesmo quando os pedidos são agrupados em uma única rota.
Além das condições de pagamento, os entregadores denunciam a precarização do trabalho e a falta de segurança. A categoria, majoritariamente composta por motoboys, enfrenta sérios riscos durante as entregas, e muitos lamentam a falta de reconhecimento e respeito por parte das plataformas.
O que aconteceu no ato?
O protesto teve início na Avenida Paulista, com uma motociata que percorreu importantes vias da cidade, incluindo uma parada em frente ao MasP (Museu de Arte de São Paulo), onde fizeram uma intervenção simbólica, com uma bag e tinta vermelha representando o alto número de mortes entre motociclistas, que subiram 20% em 2024 na capital paulista. Para os entregadores, a falta de uma remuneração digna é diretamente responsável pela necessidade de trabalhar de forma extenuante, frequentemente ultrapassando 12 horas diárias, o que leva a acidentes e até mortes.
Na frente da sede do iFood, em Osasco, os entregadores aguardaram por horas, mas não obtiveram uma resposta satisfatória da empresa. Após a reunião, que foi mediada pela Polícia Militar, o iFood afirmou que havia uma abertura para diálogo, mas não aceitou as principais reivindicações do movimento. Sem avanços, os entregadores decidiram intensificar a mobilização e se dividiram em grupos para bloquear a saída de entregas nos principais shoppings da cidade, paralisando pedidos no horário de jantar.
A Luta Pela Dignidade
“Sem nós, não tem iFood, não tem aplicativo nenhum”, afirmou Jr. Freitas, uma das principais lideranças da greve, que também é um dos fundadores da Aliança Nacional dos Entregadores de Aplicativos (Anea). Freitas ressaltou que, sem as condições mínimas de trabalho, a categoria está sendo desrespeitada, apesar de ser responsável pela movimentação de bilhões para as empresas de entrega.
Impactos e Repercussões
A greve tem gerado impacto significativo nas grandes cidades, especialmente em São Paulo, onde o movimento é mais forte. A manifestação tem sido registrada por vídeos e fotos dos próprios entregadores, que se utilizam das redes sociais para compartilhar suas experiências e angústias. O protesto também contou com o apoio de entidades como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que forneceu marmitas para alimentar os manifestantes.
Apesar da resistência das plataformas, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Abomitec), que representa empresas como iFood, Uber, 99 e outras, disse respeitar o direito de manifestação, mas afirmou que a renda média dos entregadores cresceu 5% acima da inflação em 2023 e 2024, um argumento contestado pelos trabalhadores, que afirmam que o aumento não é suficiente diante da alta no custo de vida e da constante precarização da profissão.
O Futuro da Mobilização
Os entregadores afirmam que a greve continua, com promessas de ampliar a mobilização para outras cidades e paralisar os principais pontos do Brasil. O movimento também visa sensibilizar a população para os problemas enfrentados pelos trabalhadores e pressionar as empresas a responderem às suas reivindicações.
Com a greve em andamento, fica claro que a luta por condições de trabalho mais justas para os entregadores está longe de ser resolvida. A categoria espera que as empresas do setor reconheçam o valor de seus profissionais e façam ajustes que garantam um trabalho digno e seguro.
Linha fina: O protesto, que se espalhou por várias cidades, continua com os entregadores pedindo melhores condições de trabalho e segurança, após não conseguirem respostas satisfatórias da empresa.
Para mais notícias sobre tecnologia, acesse o Portal E-Brasil.

