Ex-vereador havia sido demitido em 2020 após processo disciplinar; decreto do governo determina retorno ao cargo de investigador
Seis anos depois de ser demitido da Polícia Civil, Tiago Henrique Vargas foi reintegrado ao cargo de investigador nesta segunda-feira (26), por determinação do governador Eduardo Riedel (PP). O decreto publicado no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul torna sem efeito a demissão aplicada em julho de 2020 e os atos decorrentes do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra ele em 2019.
A medida cumpre uma decisão da Justiça Estadual que anulou a demissão e determinou o retorno de Vargas ao cargo. O decreto informa, porém, que a reintegração ocorre “sub judice”, ou seja, a situação ainda está sujeita ao andamento do processo judicial.
Até a publicação do decreto, não havia informação sobre eventual pagamento retroativo de salários ou outras consequências financeiras relacionadas ao período em que Vargas ficou afastado da Polícia Civil.

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Processo disciplinar terminou em demissão
O PAD que levou à demissão foi instaurado para apurar um episódio ocorrido em 30 de abril de 2019. Naquele mesmo ano, em 11 de julho, Vargas havia ingressado com uma ação contra o Estado pedindo a anulação de 11 procedimentos disciplinares e indenização por danos morais, alegando perseguição política.
Durante o andamento do processo judicial, um dos procedimentos administrativos foi concluído e resultou na demissão do então investigador, em julho de 2020.
A decisão judicial que anulou a punição foi tomada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul em julho deste ano. Com a determinação, o governo estadual publicou agora o ato formal de reintegração.
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Da Polícia Civil à política
Antes de entrar na política, Tiago Vargas trabalhava como investigador da Polícia Civil. Em 2020, foi eleito vereador de Campo Grande com a maior votação para a Câmara Municipal naquele pleito.
Durante o mandato, exercido entre 2021 e 2024, ganhou projeção por embates públicos com autoridades e por posicionamentos políticos.
Em 2022, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e recebeu mais de 18 mil votos, mas não foi eleito. Dois anos depois, tentou retornar à Câmara Municipal de Campo Grande, mas também não conseguiu se eleger.
Após deixar a política e o serviço público, passou a trabalhar como catador de materiais recicláveis.
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Reintegração ocorre enquanto situação judicial continua
A publicação do governo também registra que a reintegração está “sub judice”. Na prática, isso significa que o retorno ao cargo está relacionado a uma decisão judicial que ainda pode ter novos desdobramentos.
Vargas comemorou a decisão nas redes sociais e publicou um trecho do decreto de reintegração. Na mensagem, afirmou que considera o retorno uma vitória após seis anos de disputas.
O ex-vereador também cumpre prisão domiciliar em razão de uma condenação em processo movido pelo ex-governador e senador eleito Reinaldo Azambuja (PL). A ação ocorreu após Vargas publicar um vídeo nas redes sociais no qual chamou Azambuja de “corrupto”.
Até a última atualização, o decreto de reintegração não detalhava os fundamentos da decisão judicial que anulou a demissão nem informava eventuais efeitos financeiros do retorno ao cargo.

