Influenciador foi preso em operação sobre rifas de carros de luxo; polícia aponta movimentação superior a R$ 100 milhões e defesa nega crimes
Justiça manteve nesta quinta-feira (20) a prisão do influenciador Eduardo Razuk, detido dois dias antes em Campo Grande durante a Operação Rodas da Sorte. A investigação apura a realização de rifas de carros de luxo e uma movimentação financeira que, segundo a Polícia Civil, ultrapassou R$ 100 milhões em seis meses.
O irmão do influenciador, Rafael Razuk, e outras duas pessoas também foram presos na operação. Os investigados são suspeitos, conforme a polícia, de prática de rifas ilegais, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As defesas contestam as acusações. Os advogados afirmam que os sorteios tinham respaldo de uma loteria oficial e anunciam medidas judiciais para tentar derrubar as prisões.
Durante a operação, policiais apreenderam 22 veículos de luxo, avaliados entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo também foram recolhidos.
Defesa prepara habeas corpus
Segundo o advogado Thiago Bunning, responsável pela defesa de Eduardo Razuk, o juiz da audiência de custódia manteve a prisão por considerar que não caberia a ele analisar o pedido de liberdade.
A questão, conforme a defesa, deverá ser submetida à juíza responsável pela decretação da prisão. Os advogados também avaliam apresentar habeas corpus diretamente ao Tribunal de Justiça.
A defesa de Rafael Razuk informou que pretende seguir caminho semelhante.
O advogado João Paulo Calves sustenta que não estariam presentes os requisitos necessários para manter a prisão preventiva e também questiona a existência dos crimes apontados na investigação.
Polícia investiga sorteios desde 2019
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc).
Segundo o delegado Pedro Henrique Pilar Cunha, os investigados promoviam rifas sem autorização desde 2019, principalmente por meio das redes sociais.
As cotas eram vendidas pela internet e os prêmios incluíam veículos de alto valor.
De acordo com a investigação, houve período em que cada sorteio movimentava aproximadamente R$ 2 milhões.
Entre 2019 e 2025, segundo a polícia, as atividades teriam ficado concentradas em Campo Grande.
Polícia aponta mudança na estrutura em 2025
A Dercc afirma que houve uma alteração na forma de realização dos sorteios a partir de 2025.
Segundo a investigação, após operações policiais contra rifas promovidas por influenciadores em diferentes estados, o grupo teria passado a utilizar uma estrutura envolvendo empresas de outros estados.
Os investigadores apontam ligação com uma empresa do Rio de Janeiro e outra da Paraíba.
Na versão apresentada pela polícia, a empresa fluminense faria a intermediação entre influenciadores e a estrutura localizada na Paraíba.
Para a investigação, esse modelo teria sido utilizado para dar aparência de regularidade aos sorteios e também teria relação com a suposta lavagem dos recursos arrecadados.
A operação teve cumprimento de mandados em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraíba.
Defesa diz que sorteios tinham autorização
A versão apresentada pelos advogados é diferente.
Após ter acesso ao inquérito, a defesa de Eduardo Razuk afirmou que os sorteios divulgados pelo influenciador estavam registrados e vinculados a uma loteria oficial da Paraíba.
Segundo Thiago Bunning, os procedimentos também teriam sido auditados.
A defesa sustenta que a controvérsia está na interpretação jurídica sobre a participação de Eduardo na divulgação das rifas e sobre a validade da autorização utilizada para os sorteios.
Os advogados também afirmam que as receitas foram declaradas à Receita Federal e que os tributos correspondentes foram pagos.
Segundo a defesa, os veículos apreendidos estavam registrados em nome de Eduardo e possuíam documentação e notas fiscais.
Esses argumentos ainda serão analisados no decorrer da investigação e do processo.
Defesa também contesta suspeita de lavagem
Thiago Bunning afirma que não existem elementos para caracterizar lavagem de dinheiro.
O advogado argumenta que os bens estavam formalmente registrados e que os recursos teriam sido declarados.
Também segundo a defesa, Eduardo e Rafael são primários, possuem bons antecedentes e não haviam sido chamados anteriormente para prestar esclarecimentos sobre os sorteios.
Bunning afirma ainda que as promoções realizadas desde dezembro de 2025 possuíam números de registro e documentação relacionada à loteria citada pela defesa.
A Polícia Civil, em sentido contrário, sustenta que a estrutura utilizada não tinha autorização válida para permitir os sorteios investigados.
Frota apreendida chega a 22 veículos
Um dos principais resultados da Operação Rodas da Sorte foi a apreensão da coleção de veículos ligada ao influenciador.
Foram recolhidos 22 carros de luxo, cujo valor total é estimado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.
A polícia investiga a origem dos recursos, as transações realizadas e o caminho percorrido pelo dinheiro arrecadado com as rifas.
Enquanto a investigação continua, Eduardo Razuk permanece preso. A defesa deverá recorrer para tentar obter sua liberdade.


