Caso inusitado viraliza nas redes e acende alerta sobre fraudes em pedidos por aplicativos e mensagens. Proprietário usou criatividade para dar o troco em tentativa de golpe.

Uma tentativa de golpe com comprovante falso de Pix terminou de forma inesperada — e até irônica — em Anápolis, cidade a 55 quilômetros de Goiânia. Após perceber que o pagamento de um pedido de mais de R$ 250 não havia sido realmente efetuado, o dono de uma lanchonete decidiu revidar com bom humor e criatividade: enviou uma pedra no lugar do sanduíche.
O episódio ganhou destaque após viralizar nas redes sociais e foi confirmado pela reportagem da TV Anhanguera e do g1 Goiás. O protagonista da história é Vitor de Sousa Silva, empresário e dono do estabelecimento, que decidiu não apenas desmascarar o golpista, mas também transformar a situação em um alerta bem-humorado para outros comerciantes.
Pedido caro, comprovante falso
A situação teve início quando um suposto cliente entrou em contato com a lanchonete e fez um pedido considerável: oito sanduíches, uma porção de batata frita, três açaís, um creme de maracujá e um refrigerante, totalizando R$ 254. Em seguida, ele enviou um comprovante de transferência via Pix, aparentemente legítimo.
No entanto, ao verificar a conta da empresa, Vitor percebeu que o valor não havia sido creditado. “A gente sempre está na correria, mas dessa vez algo me chamou atenção. O comprovante parecia suspeito. Fui conferir no aplicativo do banco e, de fato, o dinheiro não tinha entrado”, contou ele à TV Anhanguera.
Foi nesse momento que ele decidiu dar o troco de forma criativa.
O nascimento do “X-Pedra”
Com a ajuda dos funcionários, Vitor montou um lanche falso. No lugar do hambúrguer, colocou pedras que encontrou na rua, além de restos de embalagens antigas. Para o açaí, usou apenas água dentro do copo plástico. A embalagem ainda levava uma mensagem escrita à mão: “Pix falso, lanche falso”.
Com o “combo fake” pronto, o entregador foi até o endereço fornecido e realizou a entrega, como se tudo estivesse normal. A reação do golpista, porém, surpreendeu ainda mais.
Minutos depois, o suposto cliente mandou uma mensagem irônica:
“Não foi a coca e o creme de maracujá. Maravilhoso seus sanduíches. Pedirei mais vezes. Obrigada”.
A zombaria do golpista, longe de irritar Vitor, serviu como combustível para transformar o episódio em conteúdo nas redes sociais. “Já que a gente tem que lidar com esse tipo de gente, que pelo menos seja com leveza. Claro que é revoltante, mas rimos muito”, disse ele.
Alerta a outros empreendedores
Apesar do tom bem-humorado, o caso levanta um alerta sério sobre golpes comuns no setor de alimentação. Com o crescimento dos pedidos via apps, WhatsApp e redes sociais, muitos comerciantes têm sido vítimas de comprovantes de Pix falsificados, geralmente montados com editores de imagem.
Vitor aproveitou a repercussão do caso para deixar uma recomendação: “Sempre confiram o extrato bancário antes de liberar qualquer pedido. A pressa pode sair caro”, orientou.
Repercussão nas redes
As imagens do “X-Pedra” e da embalagem com a mensagem viralizaram. No vídeo compartilhado com a reportagem, é possível ver a equipe da lanchonete rindo da situação e comentando o conteúdo do falso pedido. A criatividade dos funcionários e a resposta bem-humorada conquistaram a simpatia do público nas redes.
“Esse foi o melhor atendimento de emergência que vi na vida”, brincou um internauta. Outro comentou: “Golpista saiu da dieta e ganhou uma dose de calosidade urbana”.
A situação gerou ainda discussões sobre a facilidade de se aplicar golpes com comprovantes falsos e a falta de mecanismos de verificação nos aplicativos de mensagens.
Crime e punição
Especialistas alertam que fraudes com Pix são tipificadas como estelionato, crime previsto no artigo 171 do Código Penal. Se identificado, o autor pode responder criminalmente, com pena de 1 a 5 anos de reclusão e multa.
No entanto, a dificuldade de rastrear os autores, especialmente quando não há cadastro oficial ou número de CPF vinculado, dificulta o processo. Por isso, o melhor caminho para os empreendedores ainda é a prevenção, a conferência direta no aplicativo bancário e a criação de fluxos internos de verificação.
“X-Pedra” pode virar item de marketing
Diante da repercussão positiva e do senso de humor aprovado pelos clientes, Vitor não descarta transformar o “X-Pedra” em uma ação de marketing para sua lanchonete. “Quem sabe não vira uma promoção ou um nome de lanche mesmo? Só que dessa vez com carne de verdade”, brinca.
O episódio, que poderia ser motivo de estresse e prejuízo, tornou-se uma pequena vitória para o empreendedor — e um lembrete de que criatividade e cautela são grandes aliados contra fraudes cotidianas.
Autoria: Sarah Pacini
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