Inspirada na tendência infantil do “cabelo maluco”, ação terapêutica no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul promove acolhimento, criatividade e vínculo emocional entre mães e recém-nascidos.

No ambiente silencioso e repleto de cuidados da Unidade Neonatal do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), um toque de cor e alegria quebrou a rotina hospitalar nesta semana. Inspiradas na popular brincadeira do “cabelo maluco”, as mães de bebês internados participaram de uma atividade especial batizada de “Toucas Malucas” — uma ação terapêutica que uniu descontração, afeto e esperança em meio ao tratamento dos pequenos.
A iniciativa foi idealizada pela equipe multiprofissional do setor de Neonatologia, como parte de um trabalho contínuo de acolhimento às famílias que vivenciam o desafio da internação de seus filhos prematuros ou em tratamento intensivo. Coloridas, cheias de enfeites e confeccionadas com amor, as toucas ganharam formas criativas e significados profundos, simbolizando a força e a ternura de cada mãe diante das dificuldades do período.
Terapia com afeto e propósito
De acordo com a terapeuta ocupacional Grazielle Rodrigues, uma das responsáveis pela ação, o trabalho terapêutico desenvolvido na unidade vai muito além dos cuidados clínicos com os bebês. O foco também está na saúde emocional das mães, que enfrentam dias longos, de ansiedade e preocupação.
“Além do atendimento direto aos pequenos, realizamos grupos terapêuticos com as mães, com o objetivo de acolher, fortalecer e promover o bem-estar dessas mulheres que vivem um momento tão delicado”, explica Grazielle.
Segundo ela, o projeto das toucas surgiu como uma forma de trazer leveza e significado para o cotidiano hospitalar. “Transformamos a ideia do cabelo maluco em algo que fizesse sentido dentro da Neonatologia. É uma forma de elas enxergarem o futuro — hoje confeccionam as toucas para os bebês, e amanhã estarão arrumando o cabelo maluco deles para ir à escola”, completa.
A proposta reforça a importância da terapia ocupacional dentro do ambiente hospitalar, contribuindo para o vínculo afetivo entre mãe e bebê, a expressão emocional e o enfrentamento positivo das experiências vividas durante a internação.
Depoimentos que emocionam
Entre risadas, fitas coloridas e tecidos, cada mãe encontrou um momento de respiro. Katyelim Nathalia de Jesus, de 24 anos, mãe do pequeno Bernardo, internado há dois meses, conta que a atividade trouxe um alívio inesperado.
“É uma boa ideia, ajuda a gente a distrair um pouco, porque estamos em um ambiente tenso. Cheguei aqui com quase 26 semanas, e essas atividades ajudam a descontrair. Nunca imaginei que pudesse ter esse tipo de atividade em um hospital”, relatou, enquanto colava pequenos enfeites na touca do filho.
Já Jennifer Fernanda, mãe da pequena Ísis Valentina, também aprovou a iniciativa. “Achei bem legal, principalmente porque ajuda a gente a distrair. Criei a touca dela pensando nela mesma, no que iria combinar com ela”, contou, com um sorriso que misturava carinho e orgulho.
Outra participante, Nicolly de Oliveira Pereira, de 20 anos, mãe da Maria Helena, nascida prematura com 29 semanas, descreveu a experiência como transformadora.
“A atividade foi maravilhosa, faz com que a gente se distraia um pouco e tenha momentos mais felizes durante a internação. Minha inspiração foi a Maria Helena”, disse.
A avó da bebê, Joyce Carmo de Oliveira, de 42 anos, também participou e se surpreendeu com o resultado. “Não imaginava que tinha touca maluca. Foi uma novidade e tira um pouco o foco do que estamos vivendo”, afirmou.
Arte que cura
A confecção das toucas é mais do que uma atividade manual: é um instrumento terapêutico. Trabalhar com tecidos, fitas e cores estimula a expressão emocional, promove interação e reduz o estresse típico do ambiente hospitalar. Segundo a equipe do HRMS, ações como essa fazem parte de uma série de atividades que têm como objetivo humanizar o cuidado, fortalecendo o papel das mães como protagonistas no processo de recuperação dos bebês.
“O ambiente hospitalar pode ser desgastante, especialmente quando a internação é longa. Por isso, iniciativas como as toucas malucas são essenciais para devolver o sorriso, mesmo em meio a dias difíceis”, destacou Grazielle.
Ela acrescenta que, muitas vezes, o simples ato de confeccionar algo para o próprio filho faz com que as mães resgatem o sentimento de maternidade ativa, que pode se perder diante da rotina hospitalar e da preocupação com a saúde do bebê.
HRMS: referência em acolhimento e cuidado
Referência em gestação de alto risco e atendimento neonatal em Mato Grosso do Sul, o HRMS é reconhecido nacionalmente pela qualidade dos seus serviços. Desde 2003, a unidade possui o selo IHAC (Iniciativa Hospital Amigo da Criança) — um título concedido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hospitais que promovem, protegem e apoiam o aleitamento materno.
Além disso, o hospital é Centro de Referência Estadual do Método Canguru, uma abordagem humanizada que incentiva o contato pele a pele entre mãe e bebê, fortalecendo o vínculo afetivo e favorecendo o desenvolvimento dos recém-nascidos prematuros.
Esperança que se multiplica
A ação das “toucas malucas” é um exemplo de como pequenas iniciativas podem ter grandes impactos. Ao proporcionar momentos de leveza e integração, o projeto transforma o ambiente hospitalar em um espaço de acolhimento, cor e esperança.
Em meio a fios, tecidos e risadas, cada mãe encontra um pouco de si mesma — e, no processo, renova as forças para continuar ao lado do filho. O gesto simbólico de enfeitar uma touca se torna um ato de amor e resistência, capaz de iluminar até mesmo os dias mais difíceis.
No HRMS, o tratamento ultrapassa os limites da medicina: é também um exercício de empatia e humanidade. E, entre linhas e laços coloridos, as “toucas malucas” provam que a arte, o afeto e a esperança podem, sim, caminhar lado a lado no caminho da recuperação.
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Autoria: Sarah Pacini

