Detran-MS confirma 1,8 milhão de veículos regularizados e avança na digitalização dos serviços, mas alerta para riscos de atraso

O Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) concluiu o calendário de licenciamento anual de veículos de 2025 com um dado que chama atenção: apenas 55% dos proprietários quitaram o tributo dentro do prazo. O número representa cerca de 1,8 milhão de veículos regularizados, enquanto quase metade da frota registrada no Estado permanece irregular.
O processo foi encerrado oficialmente em 31 de outubro, marcando o fim do período escalonado de pagamentos. Apesar do índice elevado de inadimplência, o órgão destaca o avanço da digitalização dos serviços, que vem modernizando o atendimento e facilitando a vida dos motoristas sul-mato-grossenses. Segundo o Detran, mais da metade das emissões (51%) já é feita de forma digital, por meio do portal Meu Detran e do aplicativo oficial.
Digitalização em alta e menos papel
A migração para o formato digital é uma das principais metas do órgão e integra o plano de modernização da gestão pública estadual. O Detran-MS destaca que o uso das plataformas online representa economia, agilidade e sustentabilidade, reduzindo custos operacionais e eliminando gradualmente o uso de papel.
Em agosto deste ano, o Detran iniciou uma nova etapa de transição: proprietários de veículos com placas finais 7 a 0 deixaram de receber as guias impressas de licenciamento, passando a emitir o documento exclusivamente de forma digital. O modelo deve se tornar padrão em 2026, quando o Estado prevê alcançar 100% de digitalização nos processos de licenciamento, renovação de CNH e outros serviços.
De acordo com o diretor-presidente do Detran-MS, Rudel Trindade, os resultados de 2025 refletem o esforço contínuo das equipes técnicas e o compromisso do órgão com a modernização.
“O avanço da digitalização é resultado de um trabalho planejado e constante. Nosso objetivo é simplificar a vida do cidadão, oferecendo um atendimento rápido, seguro e totalmente acessível pelos meios digitais”, destacou Trindade.
Calendário e prorrogações
O cronograma de licenciamento 2025 começou em abril e seguiu o tradicional sistema de escalonamento conforme o número final da placa do veículo. No entanto, houve uma exceção para as placas de final 3, cujo prazo inicial — previsto para maio — precisou ser prorrogado até setembro, em razão de falhas na impressão das guias físicas.
A decisão evitou prejuízos aos motoristas e sobrecarga nos canais de atendimento, que registraram aumento expressivo na procura durante o período. Mesmo assim, o índice final mostra que uma grande parcela dos proprietários deixou de cumprir a obrigação até o encerramento do calendário.
Consequências da irregularidade
O licenciamento anual é obrigatório para todos os veículos que circulam no território nacional e comprova que o automóvel está em situação regular perante o Detran. Circular sem o documento atualizado é considerado infração gravíssima, sujeita a multa, sete pontos na CNH e apreensão do veículo, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Além disso, o Detran alerta que o atraso superior a dois anos pode gerar inscrição do débito na Dívida Ativa do Estado, com cobrança judicial feita pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Em Mato Grosso do Sul, os processos são conduzidos pela sede da PGE, localizada na Avenida Afonso Pena, nº 6.134, em Campo Grande.
Motoristas que ainda não regularizaram a situação podem fazê-lo a qualquer momento, por meio dos canais digitais — aplicativo Meu Detran, portal www.meudetran.ms.gov.br ou até mesmo pelo WhatsApp oficial (67) 3368-0500. O sistema permite gerar a guia de pagamento e emitir o CRLV-e (Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo eletrônico) imediatamente após a quitação.
Diferença de valores e economia
Cumprir o prazo de licenciamento garante desconto previsto em lei estadual, calculado em 4,53 Uferms (Unidade Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul). Após o vencimento, o valor sobe para 5,88 Uferms, o que representa uma diferença média de R$ 70 por veículo — economia significativa para quem manteve a documentação em dia.
Além da multa e dos juros, o não pagamento impede o proprietário de transferir, vender ou renovar o licenciamento do veículo nos anos seguintes, acumulando pendências que podem resultar em apreensão do bem em fiscalizações de rotina.
Preferência por meios digitais
O levantamento do Detran-MS mostra que a adesão aos meios digitais superou o atendimento presencial pela primeira vez. Esse avanço demonstra a confiança dos usuários nas ferramentas virtuais, que oferecem acesso rápido a serviços como emissão de guias, consulta de débitos, renovação de CNH e acompanhamento de processos.
Para o órgão, essa mudança também reforça o caráter sustentável e econômico da nova fase administrativa. A redução do uso de papel e da necessidade de deslocamento até agências físicas contribui para a preservação ambiental e otimiza o tempo dos cidadãos.
Educação e fiscalização
Mesmo com a facilidade digital, o Detran-MS reforça a importância da educação no trânsito e da conscientização dos motoristas sobre suas obrigações legais. O órgão mantém campanhas permanentes para lembrar os prazos e esclarecer dúvidas sobre documentação e penalidades.
Além disso, a fiscalização segue rigorosa em todo o Estado. Blitze de rotina e operações integradas com a Polícia Militar e o Batalhão de Trânsito têm identificado veículos com documentação vencida e aplicado as sanções previstas.
A expectativa é de que, com a consolidação dos canais digitais e campanhas educativas mais amplas, o índice de regularização aumente nos próximos ciclos de licenciamento.
Serviço
Os proprietários que desejarem regularizar seus veículos podem acessar o portal www.meudetran.ms.gov.br, baixar o aplicativo Meu Detran-MS ou entrar em contato pelo WhatsApp (67) 3368-0500.
Os pagamentos podem ser realizados via boleto bancário, Pix ou nas redes credenciadas. Após a compensação, o documento digital fica disponível para download e pode ser armazenado no celular, no app Carteira Digital de Trânsito (CDT).
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Autoria: Sarah Pacini.

