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Mofo na comida pode causar intoxicação e exige descarte do alimento

Mofo na comida pode causar intoxicação e exige descarte do alimento

Fungos se espalham além da parte visível e podem liberar toxinas resistentes ao cozimento

Mofo encontrado em frutas, pães, bolos, carnes e outros alimentos não está restrito à mancha visível na superfície. O bolor é formado por colônias de fungos que se desenvolvem a partir de esporos microscópicos e podem penetrar profundamente na comida.

Esses micro-organismos encontram condições favoráveis para crescer em ambientes com umidade, oxigênio e nutrientes. A ingestão acidental nem sempre provoca problemas em pessoas saudáveis, mas alguns fungos produzem substâncias capazes de causar intoxicações e outros danos à saúde.

Esporos chegam pelo ar e por objetos

Esporos de fungos circulam pelo ambiente e podem ser transportados pelo ar, roupas, calçados, animais e insetos.

Ao se depositarem sobre um alimento, começam a germinar quando encontram umidade e nutrientes. Durante esse processo, formam hifas, pequenos filamentos que avançam pelo interior da comida.

A camada felpuda, esverdeada, azulada ou esbranquiçada corresponde apenas à parte visível da colônia. Abaixo dela, os filamentos podem já ter alcançado regiões aparentemente preservadas.

Alimentos úmidos e macios oferecem maior facilidade para essa propagação.

Mofo visível pode indicar que os fungos já se espalharam pelo interior do alimento - Foto: Yulia Reznikov/Getty Images/Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde
Mofo visível pode indicar que os fungos já se espalharam pelo interior do alimento – Foto: Yulia Reznikov/Getty Images/Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde

Cheirar alimento mofado também oferece risco

Aproximar o rosto para sentir o cheiro de uma comida embolorada não é recomendado. Os esporos podem entrar pelas vias respiratórias e provocar irritação no nariz e na garganta.

Tosse, coriza e piora de quadros de rinite ou asma estão entre as possíveis reações.

Pessoas com a imunidade comprometida correm risco maior de desenvolver infecções respiratórias graves, como a aspergilose, após a inalação de determinados fungos.

Ingestão pode provocar sintomas digestivos

Os efeitos da ingestão dependem da espécie do fungo, da quantidade consumida e das condições de saúde da pessoa.

Alguns mofos podem não provocar sintomas imediatos. Outros liberam micotoxinas, substâncias que afetam principalmente o sistema digestivo.

Náusea, vômito, cólicas e diarreia podem surgir em casos de intoxicação. A exposição frequente a determinadas toxinas também representa preocupação a longo prazo.

A aflatoxina, produzida por alguns tipos de fungos, está associada ao aumento do risco de câncer quando há exposição contínua.

Aquecer não elimina todas as toxinas

Ferver, fritar, assar ou levar o alimento ao micro-ondas não garante que ele se torne seguro para consumo.

Temperaturas elevadas podem destruir parte dos fungos e dos esporos, mas algumas micotoxinas resistem ao calor e permanecem na comida.

Por esse motivo, cozinhar um produto mofado não elimina necessariamente o risco.

Retirar apenas a parte mofada não é seguro

A orientação geral é descartar o alimento inteiro quando houver sinais de bolor. Cortar somente a região visivelmente contaminada pode deixar no produto hifas e toxinas que já se espalharam.

Essa atenção deve ser ainda maior com alimentos macios e ricos em água, nos quais o fungo consegue avançar rapidamente.

Queijos como gorgonzola e roquefort são exceções. Neles, fungos selecionados e controlados fazem parte do processo de fabricação e são próprios para o consumo.

Cuidados ajudam a evitar contaminação

Comprar alimentos frescos em quantidades compatíveis com o consumo da família reduz o risco de perdas. Também é importante observar os prazos de validade e usar primeiro os produtos que estão mais próximos do vencimento.

Alimentos devem ser guardados em locais secos, limpos e protegidos. Produtos com maior teor de água precisam permanecer cobertos ou dentro de recipientes adequados.

Geladeira, bancadas, utensílios, panos de prato e esponjas devem ser limpos com frequência. Frutas e legumes também precisam ser lavados e separados conforme o grau de amadurecimento.

Caso um alimento mofado seja encontrado na geladeira, ele deve ser descartado e a área onde estava armazenado deve ser higienizada.

Como reduzir o risco de mofo

  • Evite comprar alimentos frescos em excesso
  • Observe a validade e o estado das embalagens
  • Guarde produtos em locais secos e protegidos
  • Mantenha a geladeira limpa
  • Descarte alimentos com bolor
  • Higienize utensílios, bancadas, panos e esponjas
  • Não cheire alimentos visivelmente mofados
  • Não tente recuperar a comida apenas retirando a parte afetada

*Fonte: Liliane Oliveira Rocha, farmacêutica e professora do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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