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MS é estado com menor lucro na produção de soja

MS é estado com menor lucro na produção de soja

Mato Grosso do Sul registrou margem de apenas 8%, bem abaixo de estados como Paraná (46%) e Goiás (41%), segundo levantamento da Datagro.

Mato Grosso do Sul teve a menor lucratividade bruta na produção de soja entre os principais estados produtores na safra 2024/2025, conforme aponta levantamento da Datagro, uma das principais consultorias do agronegócio no Brasil. O estudo, divulgado pela Folha de São Paulo, revela que o Estado alcançou uma margem de apenas 8%, em forte contraste com outros estados do país.

Para comparação, Mato Grosso, líder nacional na produção da oleaginosa, registrou lucratividade de 26%. Já Goiás chegou a 41%, enquanto o Paraná liderou com 46%. O Rio Grande do Sul, por sua vez, não apresentou nenhuma margem de lucro nesta temporada.

A análise da Datagro considerou três principais fatores: receita obtida, custo de produção estimado e produtividade média. A combinação desses elementos evidenciou as disparidades regionais e os desafios enfrentados por cada estado.

Clima afetou regiões do MS e Sul do país

Um dos motivos apontados para o baixo desempenho sul-mato-grossense é o impacto climático, especialmente na região sul do Estado, que enfrentou temperaturas elevadas e escassez de chuvas, cenário semelhante ao vivido por produtores do Rio Grande do Sul e do noroeste do Paraná.

Apesar das condições adversas em parte do território, a produtividade média no Brasil aumentou em relação à safra anterior. Segundo o estudo, o país registrou média de 3.537 kg de soja por hectare, superior aos 3.352 kg/ha da safra 2023/2024.

Mesmo com esses dados positivos em escala nacional, a produtividade em Mato Grosso do Sul não acompanhou o desempenho de estados como Mato Grosso, que alcançou 3.900 kg/ha.

Custo de produção caiu, mas não foi suficiente

Os custos de produção também tiveram uma leve queda em MS, com redução de 3% em relação à safra anterior. No entanto, a diminuição dos gastos não foi suficiente para melhorar a margem de lucro dos produtores locais.

Outros estados conseguiram reduzir ainda mais os custos: Mato Grosso teve queda de 4%, o Paraná, 8%, e Goiás, 18%. Essa diferença contribuiu diretamente para os melhores resultados de lucratividade nesses estados.

Produção total em alta, mas lucro apertado

De acordo com informações da Carta de Conjuntura Agropecuária divulgada em março pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com base nos dados do IBGE e do SIGA/MS, Mato Grosso do Sul deverá colher 75,3 milhões de toneladas de produção agrícola em 2025.

Esse volume é 2,5% maior que o da safra anterior e abrange uma área plantada de 7,40 milhões de hectares, expansão de 2,76%. Mesmo com o crescimento na produção e na área cultivada, a baixa margem de lucro traz preocupações ao setor.

Impactos e perspectivas

A baixa rentabilidade acende um alerta entre os produtores de Mato Grosso do Sul. A margem de 8% limita o poder de investimento no campo, seja em tecnologias, fertilizantes ou expansão de áreas. Especialistas também apontam que, caso o cenário climático adverso se mantenha ou os custos deixem de cair, a sustentabilidade econômica da produção de soja no Estado pode ser comprometida nos próximos ciclos.

Apesar disso, há expectativa de que, com melhor planejamento, assistência técnica e ajustes logísticos, a próxima safra possa trazer resultados mais positivos.

Para mais notícias sobre agronegócio, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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