Estado já soma cinco óbitos em 2025, todos entre idosos do interior. Casos confirmados e prováveis também atingem recordes históricos, segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde.

Mato Grosso do Sul vive o seu pior cenário epidemiológico relacionado à chikungunya em quase 10 anos. Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) nesta segunda-feira (19) revelam que cinco mortes foram registradas em 2025, o maior número de óbitos pela doença desde o início da série histórica analisada.
A chikungunya, transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, já provocou 2.424 casos confirmados e mais de 9.500 casos prováveis apenas nos primeiros meses deste ano. O crescimento é alarmante: em comparação com os dados totais de 2024, houve um aumento de 246% nos casos prováveis.
Mortes concentram-se entre idosos do interior
As cinco vítimas da doença em 2025 são todas pessoas idosas, residentes de municípios do interior do estado. A maioria possuía comorbidades que agravaram o quadro clínico, embora nem todos os casos tenham sido associados a doenças pré-existentes.
Veja os casos fatais registrados até o momento:
- Homem, 84 anos, de Dois Irmãos do Buriti – faleceu em 4 de fevereiro; sem comorbidades relatadas.
- Mulher, 86 anos, de Vicentina – morreu em 7 de abril; tinha diabetes e doença hematológica.
- Homem, 79 anos, de Naviraí – faleceu em 5 de abril; possuía hipertensão arterial.
- Homem, 96 anos, também de Vicentina – morreu em 26 de abril; sem comorbidades conhecidas.
- Homem, 83 anos, de Terenos – faleceu em 15 de abril; portador de cardiopatia.
O município de Vicentina é o que mais registrou mortes neste período, com dois óbitos confirmados.
Explosão de casos e pior ano da década
Além do aumento no número de mortes, Mato Grosso do Sul enfrenta recordes também no volume de casos. Com 2.424 infecções confirmadas e 9.572 casos prováveis, o estado já superou todos os dados anuais registrados desde 2015.
Para efeito de comparação, os anos com mais óbitos por chikungunya haviam sido 2018 e 2023, com três mortes cada. Em 2015, foi registrada apenas uma vítima fatal da doença. Nos demais anos, nenhuma morte foi associada ao vírus chikungunya.
Este panorama aponta para um cenário epidemiológico grave, que exige resposta rápida das autoridades de saúde e maior conscientização da população quanto à prevenção.
Por que a chikungunya preocupa
A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. Entre os principais sintomas estão:
- Febre alta e repentina
- Dor intensa nas articulações, que pode durar semanas ou até meses
- Dores musculares
- Manchas na pele
- Cefaleia
Embora a maioria dos pacientes se recupere sem complicações, idosos e pessoas com doenças crônicas estão mais suscetíveis a desenvolver formas graves da infecção, que podem levar à morte. Em alguns casos, a chikungunya pode causar artrite crônica incapacitante, comprometendo a qualidade de vida mesmo após o fim da infecção.
Prevenção é o melhor remédio
Diante da ausência de vacina aprovada para uso em larga escala no Brasil e da inexistência de um tratamento antiviral específico, a prevenção continua sendo a principal forma de combate à doença. Ações simples podem impedir a proliferação do mosquito transmissor, como:
- Eliminar água parada em vasos de plantas, calhas, pneus e recipientes
- Tampar caixas d’água
- Manter piscinas limpas
- Evitar acúmulo de lixo em terrenos baldios
- Instalar telas nas janelas e usar repelentes
As autoridades de saúde recomendam ainda que, ao menor sinal de febre alta acompanhada de dores no corpo, os pacientes procurem atendimento médico imediato para diagnóstico e acompanhamento, especialmente pessoas idosas ou com histórico de doenças como diabetes, hipertensão, cardiopatias ou problemas imunológicos.
Combate ao mosquito e ações da SES
A Secretaria Estadual de Saúde afirma que, diante do aumento expressivo de casos, está intensificando as ações de vigilância epidemiológica, visitas domiciliares, mutirões de limpeza e campanhas educativas em municípios com maior incidência da doença.
No município de Vicentina, por exemplo, a Defesa Civil tem atuado diretamente nas ações preventivas, com agentes visitando residências para identificar e eliminar focos do mosquito. Outras cidades com alta incidência devem receber reforço na estrutura de combate vetorial nos próximos dias.
A SES também reforça a importância do engajamento da população nas ações preventivas, pois a maior parte dos criadouros do Aedes aegypti se encontra dentro das casas ou nos quintais.
Alerta contínuo
Com a chegada do período de estiagem, tradicionalmente considerado menos propício à proliferação do mosquito, a tendência é que os números de novos casos desacelerem. No entanto, especialistas alertam que a chikungunya continua circulando em níveis inéditos, e que a vigilância precisa ser mantida em tempo integral.
O aumento expressivo da doença em 2025 deve servir como alerta para políticas públicas mais efetivas de prevenção e controle de arboviroses, incluindo investimentos em saneamento básico, campanhas permanentes e maior acesso à informação.
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Autoria: Sarah Pacini

