Confusão aconteceu durante obstrução bolsonarista no plenário; vídeo mostra empurra-empurra generalizado e versões contraditórias sobre queda do parlamentar

Um episódio de confusão e tensão tomou conta da sessão plenária da Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (6). Durante a tentativa da presidência da Casa de desobstruir os trabalhos legislativos, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) caiu ao chão após um empurra-empurra envolvendo diversos parlamentares. Logo após o incidente, o deputado afirmou nas redes sociais que teria sido agredido pela deputada Camila Jara (PT-MS) — acusação prontamente negada pela parlamentar sul-mato-grossense.
A sessão marcada pela forte presença de parlamentares da oposição bolsonarista foi interrompida por mais de 30 horas. O grupo ocupava fisicamente a mesa da presidência da Câmara, exigindo a inclusão imediata do projeto que amplia a anistia para manifestantes envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Diante da obstrução prolongada, a presidência da Casa, conduzida por Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou a liberação do plenário.
Durante o processo de desocupação, houve empurra-empurra entre seguranças e parlamentares. Foi nesse contexto tumultuado que Nikolas Ferreira acabou caindo — e logo apontou Camila Jara como autora de uma suposta agressão. Nas redes sociais, o deputado escreveu:
“A esquerda age assim: te agride quando ninguém está vendo”, insinuando que a queda foi provocada por um golpe intencional da deputada do PT.
Contudo, imagens gravadas no momento do tumulto não comprovam a acusação. Os vídeos mostram uma movimentação intensa de deputados e seguranças ao redor da mesa da presidência, em um ambiente caótico, com diversos empurrões, gritos e confusão generalizada.
Camila Jara nega e critica “campanha de perseguição”
Por meio de nota oficial divulgada logo após a repercussão nas redes sociais, Camila Jara negou veementemente qualquer agressão e considerou a acusação de Nikolas Ferreira como parte de uma tentativa de intimidação.
“Tenho 1,60 metro de altura, 49 quilos e estou em tratamento contra um câncer. Reagi à pressão da multidão como qualquer mulher reagiria se estivesse sendo empurrada em meio a um grupo de homens”, declarou.
A deputada sul-mato-grossense também destacou que não permitirá que atitudes misóginas ou intimidações a afastem do exercício do seu mandato:
“Não me deixarei intimidar pelo ódio dos que desrespeitam a democracia. Seguiremos com coragem e diálogo”, concluiu.
Jara ainda repudiou o que chamou de “campanha de perseguição nas redes sociais”, enfatizando que continuará sua atuação parlamentar baseada no respeito institucional.
Oposição trava votações
O tumulto protagonizado pelos parlamentares bolsonaristas ocorreu após mais de um dia de paralisação dos trabalhos na Câmara, causada pela ocupação da mesa da presidência. O grupo exigia que o projeto que amplia a anistia a envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro fosse pautado com urgência.
A estratégia de obstrução acabou travando outras votações importantes, como o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos — proposta considerada prioritária até mesmo por setores do próprio governo.
Mesmo diante da advertência de que poderia haver punição, o grupo de oposição seguiu inflexível até a chegada de Hugo Motta ao plenário. Com a atuação dos seguranças legislativos, o grupo foi removido e a sessão foi retomada, ainda sob clima tenso.
Clima de guerra política
O episódio envolvendo Nikolas Ferreira e Camila Jara é mais um capítulo da crescente polarização e radicalização dos discursos no Congresso Nacional. A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, acentuou o clima de confronto entre os parlamentares da direita e os integrantes da base governista.
Enquanto a oposição acusa Moraes de perseguição política, governistas denunciam tentativas de ruptura democrática e incentivam a responsabilização de líderes envolvidos nos atos golpistas de 2023 e 2024.
Ao que tudo indica, os próximos dias no Congresso seguirão marcados por tensão, protestos e acusações cruzadas.
Confira mais notícias sobre tudo o que acontece na política nacional no Portal E-Brasil.
Autoria: Sarah Pacini

