Sedã ainda aparece no site da marca, mas últimas unidades devem encerrar o ciclo do modelo no país
Nissan se prepara para encerrar a venda do Sentra no Brasil. O sedã médio ainda aparece no site da marca, mas a montadora comercializa as últimas unidades do modelo, que perdeu espaço em um mercado cada vez mais dominado por SUVs, híbridos e veículos com novas tecnologias.
Importado do México, o Sentra vendido no Brasil manteve a proposta tradicional dos sedãs médios: bom espaço interno, porta-malas amplo, acabamento acima da média de parte dos SUVs compactos e conforto para uso familiar. O modelo é equipado com motor 2.0 aspirado a gasolina, de 151 cv e 20 kgfm de torque, sempre com câmbio automático Xtronic CVT.
Apesar do conjunto equilibrado, o Sentra passou a enfrentar um cenário mais difícil. O Toyota Corolla segue forte como referência histórica entre os sedãs médios, enquanto modelos eletrificados, como o BYD King, aumentaram a pressão no segmento com apelo de tecnologia, consumo e preço competitivo.

Mercado mudou de direção
A saída do Sentra reflete uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Nos últimos anos, SUVs compactos e médios avançaram sobre diferentes faixas de preço e reduziram o espaço dos sedãs tradicionais.
Segundo dados citados pela Fenabrave, o Sentra emplacou pouco mais de 341 unidades em 2026. Em junho, foram apenas nove unidades vendidas. O desempenho baixo reforçou a dificuldade do modelo em se manter competitivo.
Além disso, o sedã passou a mostrar sinais de defasagem diante de rivais mais modernos. A central multimídia de oito polegadas, o painel com instrumentos analógicos e a falta de uma atualização mais profunda pesaram contra o modelo no Brasil.
N7 pode ocupar espaço deixado pelo Sentra
Com a saída do Sentra, a Nissan já observa novas possibilidades para o segmento de sedãs no país. Um dos nomes cotados é o N7, modelo elétrico desenvolvido pela joint venture Dongfeng Nissan na China.
O carro já foi visto em testes nas ruas brasileiras e pode ocupar a lacuna deixada pelo Sentra no futuro. Diferente do sedã atual, o N7 é construído sobre uma nova arquitetura modular voltada a veículos eletrificados.
O modelo também é maior que o Sentra. São 4,93 metros de comprimento e 2,91 metros de entre-eixos, medidas que o colocam em uma proposta mais ampla e tecnológica.

Preços e versões atuais
No Brasil, o Sentra 2026 tem preços sugeridos de R$ 174.490 na versão Advance CVT e R$ 198.790 na versão Exclusive CVT Interior Premium. Apesar disso, concessionárias têm oferecido bonificações, o que pode tornar as últimas unidades uma opção para quem ainda busca um sedã médio tradicional.
A ficha técnica do modelo traz motor 2.0 a gasolina, 151 cv, 20 kgfm de torque, câmbio Xtronic CVT, tração dianteira e porta-malas de 466 litros.

Foco em outros modelos
A decisão de retirar o Sentra do portfólio brasileiro também indica uma estratégia da Nissan mais voltada a modelos de maior volume, como Kicks e Kait. A marca ainda mantém o Versa 1.6 entre os sedãs, com preço mais acessível e foco em custo-benefício.
Fora do Brasil, em mercados como México e Estados Unidos, o Sentra já recebeu atualizações visuais e internas, com acabamento renovado e telas maiores. Por aqui, no entanto, a configuração comercializada permaneceu baseada no ciclo anterior.
Com a mudança, o Sentra deve encerrar sua trajetória recente no Brasil como um sedã reconhecido pelo conforto e acabamento, mas que acabou perdendo força em meio à transformação do mercado automotivo.


