Flávio Bolsonaro vota de Estados Unidos em PEC da Segurança Pública no Senado

Flávio Bolsonaro vota de Estados Unidos em PEC da Segurança Pública no Senado

Mesmo estando nos Estados Unidos há uma semana, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de forma remota da sessão ordinária do Senado na última terça-feira (3), registrando seu voto a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada por unanimidade.

Viagem ao exterior e investigações no STF

O parlamentar viajou na semana passada, logo após ser derrotado no segundo turno das eleições. A viagem ocorreu à revelia de uma decisão judicial emitida pelo ministro Alexandre de Moraes que ordenava a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. A ordem foi expedida no âmbito de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga Flávio e o advogado Willer Tomaz por suposta lavagem de dinheiro ligada a apostas esportivas. O senador possui foro privilegiado e responde a duas investigações criminais na Corte.

Participação remota e ausência de comunicação

O político não comunicou à Mesa Diretora do Senado sobre a sua partida para território norte-americano, alegando publicamente ser vítima de perseguição política. Como seu mandato é válido até janeiro de 2027 e nenhuma sanção o impediu de utilizar o Sistema de Deliberação Remota, ele conseguiu participar da primeira sessão plenária semipresencial desde sua saída do Brasil.

Posicionamento nas votações da PEC

Durante a apreciação da PEC da Segurança Pública, projeto do governo federal focado em integrar órgãos de segurança de diferentes esferas contra o crime organizado, o senador apoiou a medida. Ele também votou favoravelmente à Emenda nº 85, proposta pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), que permite o repasse de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública às Forças Armadas para atuação em crimes transfronteiriços, ambientais e em Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Contudo, o parlamentar foi voto vencido ao rejeitar o requerimento do relator Rogério Carvalho (PT-SE) para desmembrar o debate sobre a redução da maioridade penal, tema que acabou sendo separado e votado posteriormente. O Senado e a assessoria do congressista foram procurados para prestar esclarecimentos, mas não responderam aos questionamentos.

Controvérsia jurídica e ação popular

A atuação do congressista à distância gerou questionamentos legais. O advogado Leonardo Nicolau Passos Marinho, autor de uma ação popular que exige a suspensão dos salários e verbas de gabinete do senador, expressou surpresa com a participação remota.

“As regras da Casa são claras. Para se ausentar, os parlamentares têm que pedir licença prévia à Mesa Diretora do Senado. O que, até onde sabemos, não ocorreu”, afirmou Marinho, explicando que, a seu ver, a participação do senador na sessão desta terça-feira não invalida a ação popular já impetrada.

“Vamos ter que analisar como isto se reflete nos argumentos da ação, mas entendo que isso não altera o fato de que o próprio senador manifestou a intenção de se estabelecer nos Estados Unidos, para o que ele precisa abandonar o mandato”, concluiu o advogado.

Fonte: Agencia Brasil

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