
Este mês foi um desafio, entre tantas coisas tive que me preparar para dar um curso novo de liderança, que eu chamo de liderança 2.0 para equipes de alta performance. Quanto mais pesquisava sobre o assunto, mais tinha certeza de que a comunicação é a chave para um ambiente harmonioso seja no trabalho, seja na vida pessoal.
Nessa turma, um dos pontos mais abordados foi o turnover – o constante entra e sai de colaboradores nas empresas. E, novamente, a comunicação, ou melhor, a falta dela, despontava como um dos principais fatores para esse fenômeno empresarial. Pessoas anseiam por uma comunicação clara, objetiva e, acima de tudo, por reconhecimento pelo trabalho bem-feito. Há, claro, outras questões, mas não as abordarei hoje.
Como estudiosa do tema há mais de 20 anos, reafirmo: a comunicação é uma ferramenta poderosíssima, mas muitas vezes subestimada. Acreditamos ingenuamente que basta abrir a boca e emitir palavras para que a outra pessoa automaticamente nos compreenda. Ledo engano. Tive um líder que dizia que “O óbvio precisa ser dito”. Na primeira vez que ouvi pensei “que coisa mais sem sentido”, mas com o tempo percebi que essas palavras eram sábias. O que é óbvio para mim não é, necessariamente, para o outro, pois cada um de nós carrega uma bagagem única: experiências, histórias de vida, níveis educacionais, vocabulários e perspectivas diferentes.
E para deixar a complexidade ainda maior, não se trata apenas do que dizemos, mas como dizemos. O estudo do psicólogo Albert Mehrabian, publicado em 1967, revela que a comunicação é apenas 7% verbal, enquanto 38% é o tom de voz (incluindo volume, ritmo e entonação) e 55% é a linguagem corporal. Nas minhas aulas, costumo brincar que, diante desses números, fica evidente que somos verdadeiros analfabetos da comunicação. Achamos que dominamos, mas nem mesmo os 7% da comunicação verbal controlamos plenamente. Convenhamos, a língua portuguesa, por si só, já é um desafio!
Nessas minhas andanças e observações, noto cada dia mais e mais pessoas se declarando tímidas, introvertidas, com vergonha de se expressar. É quase algo crônico, e falo isso de carteirinha, pois já perdi inúmeras oportunidades na vida em razão dessas questões. Quem leu meus artigos anteriores sabe o quão desafiador foi meu processo de libertação. Mesmo assim, sair da concha é um desafio e um exercício diário.
Se desejamos ser pessoas melhores e, consequentemente, líderes mais eficazes, precisamos investir urgentemente não apenas na melhoria da nossa comunicação, mas em um despertar como um todo.
Sinceramente, não sou muito fã de teoria pela teoria. Sempre prezo por um viés prático nas minhas falas. Então, vamos a algumas dicas para aprimorar a comunicação, transformando-a em algo mais assertivo – ou seja, sem ruídos e direto no alvo:
- Exercite a verdadeira empatia: Muito se fala em empatia, mas pouco se exercita. Para uma comunicação assertiva, precisamos realmente nos colocar no lugar do outro, buscando compreender sua perspectiva.
- Seja claro e conciso: Fale de forma direta, sem rodeios, gírias ou termos técnicos que o outro possa não entender. A simplicidade é sua maior aliada.
- Mantenha a calma: Em situações tensas, um tom de voz calmo e profissional pode abrir espaço para o diálogo.
- Trate com cordialidade: A gentileza no tratamento é um convite para que a outra pessoa se sinta à vontade para se comunicar.
- Sorria: Sorrir não mal;
- Reconheça o valor: Valorize as ideias e opiniões do outro, mesmo que você não as compartilhe. Isso constrói confiança e respeito.
- O poder da respiração: Não subestime o efeito calmante da respiração. Se sentir que está perdendo o controle ou a paciência, respire fundo e faça uma pausa antes de continuar.
- Escuta ativa: Escute de verdade. Preste atenção ao que o outro está dizendo, sem interromper, sem julgamentos e sem desviar o foco. É difícil, eu sei, mas é questão de treino.
- Escolha o momento certo: Nem sempre o melhor momento para se comunicar é aquele que você pensa. Se o outro estiver estressado ou cansado, pode ser melhor esperar por um momento mais propício.
E é importante ter em mente que a comunicação assertiva é um processo contínuo de aprendizado. A mentalidade de eterno aprendiz traz resultados positivos e uma melhora contínua.
É importante ter em mente que a comunicação assertiva é um processo contínuo de aprendizado. A mentalidade de “eterno aprendiz” traz resultados positivos e uma melhora contínua em todas as esferas da vida.
Espero que este texto tenha despertado em você a necessidade de investir na sua comunicação para aprimorar outros aspectos da sua vida pessoal e profissional. Que as empresas consigam ter líderes que, além de competentes, sejam bons comunicadores, capazes de reter talentos e de reconhecer que, às vezes, um elogio pertinente é tão bem-vindo quanto uma nota de R$100,00.
Quem é a autora:
Rosana Cambuí é filha, irmã, tia, namorada, publicitária e, mais recentemente, instrutora, consultora e palestrante, com anos de experiência em criação, planejamento e marketing. Pós-graduada em gestão de vendas, marketing e empreendedorismo, já liderou equipes e projetos em diversas empresas de MS. Recentemente, descobriu um novo propósito: compartilhar conhecimento através de aulas e palestras sobre oratória, liderança, marketing, gestão, com uma pitada de tecnologia.
A intenção com essa coluna é compartilhar conhecimento e buscar inspirar as pessoas a superarem seus medos e alcançarem seu pleno potencial.
Acompanhe os artigos de Rosana Cambuí no Portal E-Brasil.


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