Família autorizou captação após morte encefálica de jovem de 29 anos; coração e pulmão seguiram para São Paulo
Família da estudante de medicina Maria Caroline Azevedo Freitas, de 29 anos, autorizou a doação de órgãos da jovem, que morreu no Hospital da Vida, em Dourados, após sofrer um acidente de moto em Ponta Porã.
A captação foi realizada na noite de quarta-feira (24) e durou cerca de cinco horas. Foram retirados coração, pulmões, rins, fígado e córneas. Coração e pulmões seguiram para São Paulo, enquanto rins, fígado e córneas serão destinados a pacientes de Mato Grosso do Sul que aguardam por transplante.
A autorização ocorreu após a confirmação oficial de morte encefálica, na noite de terça-feira (23). O protocolo para diagnóstico havia sido aberto na segunda-feira (22), com exames e procedimentos obrigatórios.
Gesto em meio à dor
A decisão da família foi destacada por profissionais que acompanharam o procedimento. Segundo Ludelça Dorneles, coordenadora da OPO, Organização de Procura de Órgãos, do Hospital da Vida, Maria Caroline era uma pessoa ligada à área da saúde e tinha uma trajetória marcada pela defesa da vida.
Ela afirmou que a família, também formada por profissionais de saúde, optou pela doação em um momento de grande dor.
Logística envolveu equipes de MS e São Paulo
A retirada do fígado foi feita por uma equipe de Campo Grande. Já coração e pulmões foram captados por médicos do Incor, Instituto do Coração de São Paulo.
O transporte dos órgãos contou com apoio de aeronave, medida necessária para garantir a rapidez exigida nesse tipo de procedimento.
A cirurgiã pulmonar Flávia Fiuza de Andrade, integrante da equipe responsável pela captação dos pulmões, destacou que a logística foi essencial para que o órgão chegasse à paciente receptora em São Paulo. Ela também agradeceu à família, à OPO e ao hospital pela mobilização.
O cirurgião cardíaco Ronaldo Honorato, também do Incor, ressaltou que a doação permite que a vida da jovem seja ressignificada ao beneficiar outras pessoas que aguardam por transplante.
Importância de conversar com a família
Profissionais da área reforçam que manifestar em vida o desejo de ser doador é importante, mas lembram que a decisão final cabe aos familiares.
A recusa familiar ainda é um dos principais obstáculos para a realização de transplantes. Por isso, campanhas de conscientização buscam estimular o diálogo sobre o tema e reduzir a fila de espera por órgãos.
Acidente em Ponta Porã
Maria Caroline estava internada na UTI do Hospital da Vida desde o fim de semana. Ela foi transferida com urgência do Hospital Regional de Ponta Porã, cidade onde sofreu o acidente de moto.
As circunstâncias do acidente não foram divulgadas. Segundo as informações disponíveis, a estudante chegou ao hospital em Dourados em estado grave, com traumatismo craniano e múltiplas fraturas.
Estudante morava em Dourados
Maria Caroline morava em Dourados, cidade onde também vive o pai. Ela cursava medicina em uma universidade particular de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, cidade vizinha a Ponta Porã.
O corpo será sepultado em Natal, no Rio Grande do Norte, cidade onde mora a mãe da estudante.


