Polícia investiga lavagem de dinheiro; familiares também são procurados
Investigação que mira o núcleo financeiro do Comando Vermelho colocou novamente o nome do rapper Oruam no centro das atenções. O artista, de 24 anos, é considerado foragido há quase três meses e está entre os alvos de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrada nesta quarta-feira (29).
Oruam, cujo nome é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, teve a prisão preventiva decretada no início de fevereiro, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Desde então, não foi localizado pelas autoridades.
Descumprimento de medidas
A ordem de prisão foi restabelecida depois que a Justiça identificou sucessivos descumprimentos das medidas cautelares impostas ao cantor, especialmente em relação ao uso da tornozeleira eletrônica.
Segundo a decisão judicial, foram registradas 66 violações desde novembro de 2025, sendo 21 consideradas graves apenas em 2026. Para o ministro responsável pelo caso, o histórico comprometeu a eficácia do monitoramento e justificou a prisão preventiva.
A defesa do artista afirma que os problemas ocorreram por falhas técnicas no equipamento, e não por intenção de descumprimento.
Operação mira estrutura financeira
A ação desta quarta-feira faz parte de uma investigação que busca desmontar o esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Além do rapper, a mãe e o irmão dele também são alvos e estão sendo considerados foragidos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados, na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá. Um homem apontado como operador financeiro do grupo foi preso durante a operação.
De acordo com a polícia, o esquema envolvia distribuição de valores ilícitos por meio de contas de terceiros, pagamento de despesas e aquisição de bens para ocultar a origem do dinheiro.
Estrutura do esquema
As investigações apontam que o grupo utilizava uma rede organizada para dificultar o rastreamento dos recursos. Entre as práticas identificadas estão:
- Fragmentação de valores em diferentes contas
- Uso de intermediários para movimentações financeiras
- Aquisição de bens com recursos de origem ilegal
Também foram encontradas movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Ligação familiar e facção
Oruam é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como “Marcinho VP”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, mesmo estando preso há anos.
A operação integra uma ofensiva mais ampla do governo estadual para enfraquecer a atuação da facção criminosa. Segundo dados da própria polícia, a ação já resultou em centenas de prisões e apreensões de armas e munições.


