Sistema imunológico eficiente e metabolismo lento ajudam a explicar longevidade dos quelônios
Tartarugas estão entre os animais mais longevos do planeta e seguem intrigando pesquisadores ao redor do mundo. Algumas espécies conseguem ultrapassar um século de vida e, em casos raros, se aproximam dos 200 anos.
No Dia Mundial da Tartaruga, celebrado em 23 de maio, especialistas voltaram a destacar os fatores biológicos que ajudam a explicar a impressionante resistência dos quelônios — grupo que reúne tartarugas marinhas, jabutis e cágados.
Segundo dados da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos), muitas espécies vivem entre 50 e 100 anos. Algumas, porém, ultrapassam esse período com folga.
Jonathan: quase dois séculos de vida
O maior símbolo dessa longevidade é Jonathan, um jabuti-gigante que vive na ilha de Santa Helena, território britânico no Atlântico Sul.
Reconhecido pelo Guinness World Records, ele é considerado o animal terrestre vivo mais velho do planeta. Estima-se que Jonathan tenha nascido por volta de 1832, o que faria dele um animal com aproximadamente 193 anos.
Ao longo da vida, o jabuti atravessou períodos históricos marcantes da humanidade, incluindo a chegada do homem à Lua.
Outro caso famoso é o da tartaruga Tu’i Malila, presenteada à família real de Tonga pelo explorador James Cook no século XVIII. O animal viveu pelo menos 188 anos.
Já Mommy, uma tartaruga-das-Galápagos que vive no Zoológico da Filadélfia, chamou atenção recentemente ao se tornar mãe pela primeira vez aos 100 anos.
O que explica tanta longevidade?
Pesquisadores apontam que a longa vida das tartarugas está ligada a uma combinação de fatores biológicos, genéticos e metabólicos.
Estudos divulgados pela Universidade de São Paulo (USP) indicam que os quelônios possuem mecanismos celulares mais eficientes para eliminar células danificadas e preservar células saudáveis.
Esse processo reduz o desgaste natural do organismo e diminui o risco de doenças associadas ao envelhecimento.
Outro diferencial está no sistema imunológico. As tartarugas apresentam grande quantidade de proteínas responsáveis por combater células tumorais e agentes infecciosos, tornando esses animais menos vulneráveis a doenças.
Metabolismo lento reduz desgaste
Por serem animais de sangue frio, as tartarugas gastam menos energia para manter a temperatura corporal. Isso faz com que o metabolismo funcione de forma mais lenta, reduzindo o desgaste celular ao longo dos anos.
A maturidade sexual tardia também chama atenção. Algumas espécies levam décadas para chegar à fase reprodutiva. Tartarugas marinhas, por exemplo, podem demorar entre 20 e 35 anos para atingir a idade adulta.
Espécies ainda enfrentam ameaças
Apesar da resistência e da longa expectativa de vida, as tartarugas seguem ameaçadas em várias partes do mundo.
Entre os principais riscos estão a poluição dos oceanos, captura acidental em redes de pesca e destruição dos habitats naturais.
Especialistas alertam que a preservação ambiental continua sendo essencial para garantir a sobrevivência dessas espécies nas próximas gerações.


