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Prefeitura de Campo Grande propõe mudança no IPTU

Prefeitura de Campo Grande propõe mudança no IPTU

Nova proposta de lei prevê cobrança do imposto antes da conclusão das obras, cria alíquota para loteamentos e permite reajustes automáticos, gerando debate sobre impactos no setor imobiliário

A Prefeitura de Campo Grande apresentou à Câmara Municipal um projeto de lei que pode transformar profundamente a forma como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) é cobrado na capital sul-mato-grossense. A proposta, enviada pela prefeita Adriane Lopes (PP), propõe alterações no Código Tributário Municipal e impacta diretamente quem possui imóveis em construção, terrenos em loteamentos fechados ou participa de empreendimentos imobiliários em expansão.

O Projeto de Lei Complementar n.º 7/2025 traz, entre outras mudanças, a possibilidade de cobrança do IPTU sobre imóveis ainda em fase de obras, antes mesmo da obtenção do habite-se — documento que atesta que a edificação está apta para ser habitada. Atualmente, o imposto incide apenas sobre o terreno enquanto o imóvel não está finalizado.

Se aprovada, a nova regra autoriza a cobrança antecipada com base na matrícula individualizada dos imóveis, ainda que a construção esteja longe de ser concluída. Isso representa um aumento considerável no custo dos empreendimentos, especialmente para construtoras, incorporadoras e compradores de imóveis na planta.

Cobrança antes da entrega das chaves

Na prática, a mudança antecipa o desembolso de tributos por parte de quem investe em imóveis, transferindo o ônus para o início da construção. Essa antecipação preocupa representantes do setor da construção civil, que argumentam que o IPTU deveria ser cobrado apenas após a disponibilização efetiva do imóvel para uso.

Segundo o projeto, a tributação será possível com a simples individualização da matrícula do imóvel, mesmo que a unidade ainda não possua condições mínimas de habitabilidade. Essa antecipação, segundo especialistas, pode impactar o ritmo de novos lançamentos imobiliários e encarecer o preço final para o consumidor.

Terrenos em loteamentos fechados terão alíquota própria

Outra novidade trazida pelo projeto é a criação de uma alíquota transitória de 1% para terrenos localizados em loteamentos fechados, classificados como L3 na legislação urbana municipal. Essa alíquota seria aplicada por três anos após a individualização das matrículas. Caso 60% das obras de infraestrutura (como pavimentação, iluminação e drenagem) estejam concluídas ao fim desse período, o benefício pode ser prorrogado por mais três anos.

Passado esse prazo, o IPTU poderá ser elevado progressivamente até o teto de 3,5%, conforme previsto em lei. A medida gera controvérsia entre moradores de condomínios horizontais e loteamentos fechados, que argumentam que não recebem serviços públicos como limpeza urbana e manutenção de vias, arcando com esses custos de forma privada.

Definição técnica de imóvel tributável

O projeto também busca evitar manobras que visam reduzir a carga tributária com construções simbólicas. Para isso, passa a definir critérios objetivos para considerar uma edificação como “tributável”. Entre os requisitos estão: aproveitamento mínimo de 10% da área do terreno, registro no Cadastro Imobiliário da Sefaz (Secretaria Municipal de Fazenda), e o cumprimento de parâmetros básicos de habitabilidade.

Essa medida visa coibir construções precárias utilizadas apenas como estratégia para reduzir a base de cálculo do imposto, prática que, segundo a prefeitura, compromete a justiça fiscal e o equilíbrio na arrecadação.

Atualização automática da base de cálculo

Outro ponto sensível do projeto é a permissão para que o valor venal dos imóveis — base de cálculo do IPTU — seja atualizado anualmente por ato do Executivo, com base nos critérios já definidos pela Lei Municipal nº 5.405/2014. Isso significa que os reajustes poderão ocorrer sem necessidade de uma nova votação a cada ano, o que facilita a gestão municipal, mas também pode provocar aumentos sucessivos na cobrança.

A proposta justifica essa atualização como um instrumento de modernização da arrecadação e de incentivo à ocupação adequada do solo urbano, como previsto no Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001) e na Constituição Federal, que dá aos municípios autonomia para instituir e gerir o IPTU.

Debate público marcado para o fim de agosto

O projeto ainda será discutido amplamente na Câmara Municipal. O presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto (Papy – PSDB), afirmou que o tema será analisado com cautela e que a sociedade terá voz durante o processo legislativo.

Uma audiência pública está marcada para o dia 29 de agosto, com a presença de representantes do Executivo, vereadores, empresários da construção civil, corretores, incorporadores e cidadãos interessados.

“Vamos ouvir todos os lados antes de tomar uma decisão. A Câmara é o espaço legítimo para esse debate e vamos garantir a transparência necessária”, afirmou Papy.

Reações e próximos passos

A proposta já vem gerando reações no setor imobiliário e entre especialistas em direito tributário. Enquanto a prefeitura defende a modernização do sistema como necessária para uma cidade mais ordenada e justa, representantes de entidades do setor veem a mudança como um peso extra num cenário já afetado por inflação, juros altos e instabilidade econômica.

O projeto ainda precisa passar pelas comissões internas da Câmara antes de ser levado à votação. A expectativa é que as discussões se intensifiquem nas próximas semanas, com possíveis emendas e ajustes no texto final.

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Autoria: Sarah Pacini

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