Portal E-Brasil

Protesto na COP30 deixa seguranças feridos

Protesto na COP30 deixa seguranças feridos

Confronto durante manifestação em Belém interrompeu o acesso à área restrita da Conferência do Clima; ONU e Polícia Federal abriram investigação sobre o caso.

A partir de hoje, quarta-feira (12), a COP30, conferência global da ONU sobre mudanças climáticas realizada em Belém (PA), segue sob reforço de segurança após um protesto que terminou em confronto e deixou quatro seguranças feridos na noite de ontem, terça-feira (11). O episódio aconteceu por volta das 19h20, na Blue Zone, área onde se concentram os espaços de negociação entre líderes mundiais, técnicos e representantes de países.

De acordo com informações da organização e de autoridades brasileiras, um grupo de manifestantes tentou invadir o pavilhão principal da Blue Zone, bloqueando temporariamente a saída de pessoas credenciadas e interrompendo o fluxo interno do evento. A confusão ocorreu pouco depois da coletiva de imprensa que apresentou o balanço das atividades do segundo dia da conferência.

Confronto e feridos

Testemunhas relataram que dezenas de pessoas tentaram ultrapassar o controle de acesso da Blue Zone, passando pelas portas principais e avançando sobre o saguão onde estavam representantes da ONU e participantes das delegações oficiais. A segurança reagiu rapidamente e conteve o grupo, mas houve empurra-empurra e ferimentos leves em quatro seguranças contratados pela conferência.

Segundo um porta-voz da ONU para Mudanças Climáticas, as equipes de segurança brasileiras e internacionais seguiram todos os protocolos previstos e conseguiram restabelecer a ordem em poucos minutos.

“O local está totalmente seguro, e as negociações continuam normalmente. O incidente causou ferimentos leves e pequenos danos à estrutura do pavilhão”, afirmou o representante em nota.

Ainda de acordo com a ONU, a Polícia Federal foi acionada e instaurará um inquérito para investigar a invasão. As imagens de câmeras internas e externas da Blue Zone foram requisitadas para análise.

Polícia Federal e ONU reforçam segurança

Após o tumulto, as autoridades federais e representantes da ONU realizaram uma reunião emergencial para revisar os protocolos de segurança da conferência. A entrada de trabalhadores do turno noturno chegou a ser temporariamente adiada, e novas medidas foram definidas para evitar novos incidentes.

Carros da Polícia Militar foram deslocados para o local e permaneceram na área durante toda a noite. Apesar do susto, não há registro de detidos, e o acesso à conferência foi normalizado ainda antes das 21h.

O secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, destacou que o episódio não representa ameaça à realização do evento.

“A ONU possui protocolos rigorosos de segurança, e estamos em constante diálogo com os movimentos sociais para garantir que manifestações pacíficas possam acontecer, sem comprometer a integridade das delegações”, explicou.

Como começou o protesto

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que um grupo vestido com trajes indígenas atravessa os portões de segurança e passa pela área de raio-X da entrada principal. Em seguida, outros manifestantes, carregando bandeiras de coletivos estudantis e faixas contra a exploração de petróleo, se juntaram ao grupo e tentaram avançar em direção às salas de negociação.

A segurança impediu o avanço, e o confronto se espalhou pelo saguão principal. Pessoas credenciadas ficaram impedidas de sair do pavilhão durante alguns minutos, até que a situação foi controlada. Alguns seguranças precisaram de atendimento médico após ferimentos na cabeça e nos braços.

Marcha Global Saúde e Clima nega envolvimento

Horas antes do incidente, o mesmo espaço havia sido destino final da Marcha Global Saúde e Clima, uma manifestação pacífica que reuniu cerca de 3 mil pessoas — entre profissionais da saúde, estudantes, lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais — em um trajeto de 1,5 km pelas ruas de Belém.

Em nota enviada ao g1 Pará, os organizadores da Marcha afirmaram não ter qualquer ligação com o grupo que tentou invadir a Blue Zone.

“As organizações que integram a Marcha Global Saúde e Clima esclarecem que não têm relação com o episódio ocorrido na entrada da Zona Azul da COP30 após o encerramento da marcha”, informou o comunicado.

O protesto pacífico havia sido encerrado sem incidentes na Avenida Duque de Caxias, onde os participantes pediram políticas de saúde pública mais eficazes diante das mudanças climáticas e redução da dependência de combustíveis fósseis.

Repercussão e medidas imediatas

O incidente gerou preocupação entre as delegações estrangeiras e as autoridades locais, já que a COP30 reúne representantes de quase 200 países, além de milhares de jornalistas, ambientalistas e líderes de organizações internacionais.

Mesmo após o confronto, o porta-voz da ONU reiterou que o evento seguirá conforme a programação. A área atingida foi isolada para limpeza e reparos menores, e a segurança na entrada principal foi duplicada.

Durante a madrugada, equipes técnicas trabalharam para garantir que o acesso e a circulação na Blue Zone estivessem normalizados a partir da manhã desta quarta-feira.

A organização da COP30 reforçou que manifestações pacíficas são bem-vindas e fazem parte do espírito democrático do evento, mas ressaltou que qualquer ato de invasão ou violência será investigado e punido dentro da lei.

Conferência segue com negociações

Mesmo sob clima tenso, a programação oficial da COP30 segue normalmente. As negociações desta quarta-feira devem tratar do financiamento para mitigação climática e da transição energética global, um dos temas que mais dividem opiniões entre os países.

Nos bastidores, observadores relataram que a Arábia Saudita tem travado discussões sobre o plano global de redução do uso de petróleo, o que contribuiu para o aumento das tensões nos corredores da conferência.

O incidente reforça a necessidade de equilíbrio entre segurança e liberdade de expressão em um evento que simboliza o esforço internacional para enfrentar a crise climática. Enquanto isso, a partir de hoje, as autoridades intensificam o monitoramento no perímetro da COP30, buscando evitar novos episódios que possam comprometer as negociações e o espírito de diálogo do encontro.


Autoria: Sarah Pacini

Confira mais notícias sobre a COP30 no Portal E-Brasil.

Arquivos Relacionados

Deixe um comentário