Intervenção também identificou frota envelhecida, atrasos tributários e falhas na gestão da concessão
Primeiro relatório da intervenção no transporte público de Campo Grande aponta um cenário de dificuldades financeiras, problemas operacionais e fragilidades na gestão da concessão. O documento foi apresentado nesta semana à Câmara Municipal pela equipe interventora responsável por acompanhar o serviço.
Entre os principais pontos levantados estão cerca de R$ 20 milhões em dívidas do Consórcio Guaicurus, concessionário do transporte coletivo da Capital, envolvendo bancos e fornecedores. O relatório também indica atrasos no pagamento de tributos desde 2014.
A equipe interventora é liderada pelo advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira. Segundo ele, os primeiros 20 dias de trabalho foram voltados à estabilização da operação, à manutenção da continuidade do serviço e à coleta inicial de informações sobre contratos, finanças e funcionamento do sistema.
Frota antiga preocupa
Outro ponto destacado no relatório é a defasagem da frota. Aproximadamente 190 ônibus têm mais de 10 anos de uso, situação que pode afetar a qualidade do serviço prestado à população.
A análise inicial também identificou fragilidades operacionais e problemas relacionados à gestão da concessão. O levantamento servirá de base para a abertura e o andamento do processo administrativo.
De acordo com a equipe interventora, a prioridade neste primeiro momento foi evitar interrupções no transporte coletivo, garantir a circulação dos ônibus e organizar as informações necessárias para a próxima fase da intervenção.
Auditoria será aprofundada
Com a operação estabilizada, a equipe deve avançar para uma auditoria contratual e financeira mais detalhada. O objetivo é avaliar como o contrato foi executado ao longo dos anos, identificar eventuais falhas e apresentar sugestões à Prefeitura.
“Uma vez estabilizada a prestação de serviço, vamos aprofundar naquilo que é um dos objetivos da intervenção, que é fazer toda essa parte de auditoria contratual e financeira da empresa, como esse contrato transcorreu durante todo esse período, as eventuais falhas nessa prestação de serviço para apresentar o relatório final, fazendo as sugestões necessárias para que a prefeita possa tomar sua decisão”, afirmou Alexandro Oliveira.
Intervenção pode durar até 180 dias
O decreto de intervenção foi publicado no Diário Oficial de Campo Grande no dia 16 de junho. A medida afastou o Consórcio Guaicurus da gestão do sistema enquanto as irregularidades são analisadas.
O consórcio é formado pelas empresas Viação Cidade Morena Ltda, Viação São Francisco Ltda, Jaguar Transportes Urbanos Ltda e Viação Campo Grande Ltda.
A intervenção tem prazo de até 180 dias e foi adotada com o objetivo de garantir a continuidade e a qualidade do transporte público na Capital. Ao fim do processo, a equipe deverá apresentar um relatório final com diagnóstico completo e recomendações para a administração municipal.


