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Relógio inteligente detectou alteração no coração? Veja quando se preocupar

Relógio inteligente detectou alteração no coração? Veja quando se preocupar

Cardiologista alerta que variações da frequência cardíaca podem ser normais e que dados de wearables não substituem avaliação médica

Relógios e anéis inteligentes passaram a acompanhar de perto a rotina de quem monitora frequência cardíaca, sono, passos, calorias e até registros semelhantes a eletrocardiogramas. A facilidade de acesso a essas informações, porém, também tem levado pacientes ao consultório preocupados com alterações que nem sempre indicam um problema cardíaco.

Segundo o cardiologista da Cassems Alexandre Henrique Zangari, alertas emitidos por wearables podem ajudar a identificar situações que merecem investigação, mas não devem ser interpretados como diagnóstico.

Ele explica que a frequência cardíaca varia naturalmente ao longo do dia e pode sofrer influência de fatores como exercício físico, estresse, cafeína, qualidade do sono, emoções e até limitações do próprio sensor.

Alerta no relógio não significa doença

Um dos principais cuidados é evitar que cada variação registrada pelo dispositivo seja encarada como sinal de doença.

“Um alerta não significa, necessariamente, uma doença cardíaca”, explica Zangari.

Segundo o médico, oscilações no número de batimentos por minuto são comuns e fazem parte da resposta do organismo a diferentes situações do cotidiano.

A recomendação é observar o contexto em que a alteração ocorreu e evitar conclusões precipitadas baseadas apenas no aplicativo ou no relógio.

Dispositivos podem ajudar a identificar arritmias

Apesar das limitações, os equipamentos também podem ter utilidade na identificação inicial de alterações cardíacas.

Pesquisas realizadas com smartwatches apontam que alertas de ritmo irregular conseguem identificar alguns casos de fibrilação atrial, uma das arritmias cardíacas mais conhecidas.

No Apple Heart Study, citado no material, cerca de 84% dos alertas de pulso irregular que puderam ser avaliados coincidiram com fibrilação atrial confirmada posteriormente por eletrocardiograma.

Mesmo assim, o resultado não significa que todos os alertas emitidos por dispositivos sejam precisos.

Por isso, o aparelho pode funcionar como uma espécie de triagem, indicando quando vale procurar avaliação médica, mas sem substituir exames realizados por profissionais.

Excesso de monitoramento pode aumentar ansiedade

Outro ponto destacado pelo cardiologista é o impacto emocional do acompanhamento constante.

Segundo ele, algumas pessoas passam a conferir a frequência cardíaca repetidamente e interpretam qualquer mudança como sinal de que algo está errado.

Esse comportamento pode gerar estresse e ansiedade.

Em situações assim, a própria preocupação pode aumentar a frequência cardíaca, criando um ciclo em que a pessoa observa um número mais alto, fica ainda mais ansiosa e continua monitorando.

Frequência cardíaca varia ao longo do dia

Batimentos cardíacos não permanecem em um valor único durante todo o dia.

Eles podem acelerar durante exercícios, momentos de tensão, consumo de cafeína ou situações emocionais e diminuir durante repouso e sono.

Por isso, a interpretação isolada de um número registrado pelo relógio pode não refletir o funcionamento geral do coração.

Segundo Zangari, a tecnologia deve servir para ampliar a percepção sobre a própria saúde, e não transformar qualquer alteração em motivo de preocupação imediata.

Quando procurar avaliação médica

Alterações recorrentes ou notificações repetidas relacionadas a possíveis arritmias merecem atenção.

Nesses casos, a orientação é procurar um médico para confirmar se existe algum problema.

A avaliação profissional também se torna importante quando os alertas aparecem acompanhados de sintomas ou persistem ao longo do tempo.

O principal cuidado é não transformar os dados dos dispositivos em diagnóstico por conta própria.

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