Saca caiu de R$ 148,37 para R$ 144,04 com melhora da safra dos EUA, queda do petróleo e aumento da oferta nacional
Soja brasileira começou agosto em queda depois de alcançar, no fim de julho, a maior cotação real de 2026 no Porto de Paranaguá, no Paraná. A saca de 60 quilos abriu o mês negociada a R$ 144,04.
O valor representa uma redução de 2,92% em relação aos R$ 148,37 registrados em 24 de julho, maior patamar do ano até aquele momento.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o recuo está relacionado à melhora das expectativas para a produção dos Estados Unidos, à desvalorização do petróleo e ao aumento da quantidade de soja disponível para negociação imediata no mercado brasileiro.
Condições das lavouras americanas pressionam preços
Relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostra que 63% das lavouras de soja do país estavam classificadas em condições boas ou excelentes no início de agosto.
O resultado aumenta a expectativa de uma produção elevada e pressiona as cotações internacionais, pois indica a possibilidade de maior oferta do grão nos próximos meses.
Na manhã desta terça-feira (4), os contratos futuros da soja registravam queda de aproximadamente 0,5% no mercado internacional.
Apesar da avaliação favorável das plantações americanas, o clima ainda deve influenciar os preços. Mudanças nas condições de chuva e temperatura no Meio-Oeste dos Estados Unidos podem alterar as perspectivas da colheita.
Oferta maior também pesa no mercado brasileiro
No Brasil, o aumento da quantidade de grãos oferecida no mercado disponível contribuiu para a redução dos valores.
Quando mais produtores decidem vender ao mesmo tempo, compradores encontram maior disponibilidade e passam a ter menos necessidade de elevar as propostas.
O comportamento do dólar, a demanda internacional, as compras da China e o desempenho da safra norte-americana também devem continuar influenciando as negociações nas próximas semanas.
Milho tem piora nas lavouras dos Estados Unidos
Relatório americano também apontou que 61% das plantações de milho estavam em condições boas ou excelentes, abaixo dos 63% registrados na semana anterior.
O recuo foi associado ao tempo quente e seco em parte do cinturão agrícola dos Estados Unidos.
Tanto na soja quanto no milho, as avaliações permanecem abaixo da média observada no mesmo período dos três anos anteriores, conforme os dados apresentados no levantamento.
Trigo segue trajetória diferente
Enquanto a soja recua, os contratos futuros do trigo continuam em alta na Bolsa de Chicago.
O contrato com vencimento em setembro, um dos mais negociados, avançava 0,88%, cotado a US$ 6,50 por bushel. No acumulado do ano, a valorização chegava a 26%.
A alta é sustentada pela preocupação com os ataques envolvendo Rússia e Ucrânia, especialmente em portos e embarcações usados no transporte de grãos.
Os dois países têm participação importante no comércio mundial de trigo. Qualquer dificuldade no escoamento pode reduzir a oferta disponível e aumentar os custos de frete e seguro.
Seca americana reduz oferta de trigo
Outro fator de pressão é a seca nos Estados Unidos, que prejudicou a colheita do trigo de inverno.
Com menos produto disponível, compradores disputam os lotes restantes e contribuem para a elevação dos preços internacionais.
Analistas avaliam que os possíveis efeitos do conflito sobre as exportações ainda não foram incorporados integralmente às cotações, o que mantém a possibilidade de novas altas.
Trigo do Paraná atinge maior valor em um ano
No Paraná, o trigo alcançou o maior preço real desde agosto de 2025, segundo o acompanhamento do Cepea.
O movimento ocorre em meio à baixa disponibilidade de lotes para negociação imediata e à procura de compradores interessados em recompor os estoques.
A demanda está concentrada principalmente em grãos de melhor qualidade. Com pouca oferta remanescente da safra de 2025, as negociações ocorrem de forma pontual, mas com propostas gradualmente maiores.


