Três tamanduás passam por reabilitação e seguem para o Instituto Tamanduá em Aquidauana, como parte do projeto Órfãos do Fogo, que visa devolver animais silvestres ao seu habitat natural.

A jornada de recuperação de três tamanduás resgatados em Mato Grosso do Sul ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, quando foram transferidos para uma etapa crucial de reintegração à natureza. Após meses de cuidados intensivos no Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS), mantido pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), os animais seguem para o Instituto Tamanduá, em Aquidauana, onde passarão por um processo de adaptação antes de serem soltos em seu habitat natural.
Essa ação faz parte do projeto Órfãos do Fogo, uma iniciativa fundamental para o resgate e reabilitação de animais que sofreram danos causados por queimadas, atropelamentos e outras ameaças ambientais. A missão é oferecer uma nova chance para esses animais, permitindo que possam retornar à vida selvagem com as condições necessárias para sobreviver por conta própria.
Histórias de Superação
Cada tamanduá resgatado possui uma história única de superação. Um dos casos mais emocionantes envolve um tamanduá-bandeira encontrado sozinho às margens de uma rodovia em Miranda, sem a presença de sua mãe. O resgate rápido e os cuidados no CRAS foram determinantes para que o pequeno animal tivesse a chance de continuar sua jornada.
Outro caso marcante é o de um tamanduá-mirim encontrado em Campo Grande, pela Polícia Militar Ambiental (PMA), ainda frágil e desorientado. Após passar por um tratamento cuidadoso e monitorado, o animal agora está pronto para seguir seu caminho. Além deles, um segundo tamanduá-bandeira também recebeu a transferência para Aquidauana. Esse tamanduá chegou ao CRAS em novembro de 2024 com suspeita de cinomose, uma doença viral que poderia ter comprometido sua recuperação, mas, após exames, a suspeita foi descartada, e ele pôde seguir para essa nova etapa de adaptação.
Compromisso com a Conservação da Fauna
Para André Borges, diretor-presidente do Imasul, essa ação reflete o compromisso do estado de Mato Grosso do Sul com a preservação da fauna local. “O Órfãos do Fogo é uma iniciativa essencial para garantir que animais vítimas de tragédias ambientais possam ser reabilitados e devolvidos ao seu habitat natural. A parceria com o Instituto Tamanduá é um passo importante na preservação da biodiversidade”, afirmou Borges.
Jordana Toqueto, veterinária que acompanhou os tamanduás durante o tratamento, explicou a preparação meticulosa envolvida na reabilitação desses animais. “Cada um desses tamanduás passou por exames detalhados, recebeu alimentação especializada e foi preparado para retornar ao ambiente natural. Agora, no Instituto Tamanduá, eles terão a chance de aprender habilidades essenciais para a sobrevivência antes de serem soltos definitivamente”, destacou.
O Papel do Hospital Ayty
A recuperação dos tamanduás não teria sido possível sem a estrutura do Hospital Ayty, um dos centros mais modernos do Brasil para o tratamento de animais silvestres. A unidade é equipada com laboratórios, centros cirúrgicos, recintos de reabilitação e uma cozinha especializada que prepara dietas balanceadas para atender as necessidades de cada espécie.
Aline Duarte, gestora do CRAS e do Hospital Ayty, ressaltou a importância da colaboração entre as diversas instituições envolvidas no processo. “Nosso objetivo é garantir que esses animais estejam prontos para retornar à natureza. No Hospital, eles receberam os cuidados necessários para recuperação física, enquanto no Instituto Tamanduá terão a chance de desenvolver comportamentos naturais, como a busca por alimento”, afirmou Aline.
Alimentação e Comportamento Natural
O processo de reabilitação foi cuidadosamente planejado para que os tamanduás mantivessem seus instintos naturais, essenciais para sua sobrevivência no ambiente selvagem. A equipe do hospital se empenhou em garantir que os animais mantivessem comportamentos típicos da espécie, como a procura por alimentos que fazem parte de sua dieta natural, como formigas e cupins.
“Buscamos cupinzeiros na mata e oferecemos aos tamanduás para que eles mantivessem o instinto de procurar alimento. Essa adaptação é fundamental para que possam se alimentar por conta própria quando retornarem à natureza”, explicou Jordana.
A Importância do Resgate de Animais Silvestres
O resgate de animais silvestres envolve um esforço conjunto entre várias instituições, como o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental (PMA) e o Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal (Gretap). Quando encontrar um animal silvestre em situação de risco, é fundamental que a população acione as equipes especializadas, evitando o contato direto com o animal, que pode ser perigoso tanto para a pessoa quanto para o próprio animal.
Uma Nova Chance para a Fauna
A transferência dos tamanduás para o Instituto Tamanduá é um passo fundamental para garantir que esses animais tenham uma nova oportunidade de viver em seu habitat natural. A ação é um reflexo do compromisso de Mato Grosso do Sul com a preservação e a reabilitação da fauna local, proporcionando não apenas o cuidado e a proteção dos animais, mas também um futuro mais sustentável para a biodiversidade da região.
O Órfãos do Fogo segue como um exemplo de ação efetiva na preservação da fauna e no cuidado com a vida selvagem, destacando a importância da união entre as instituições públicas e privadas para a proteção do meio ambiente.
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Autoria: Sarah Pacini

