Estudo clínico inédito vai comparar método tradicional com uso de app no combate à dor lombar; participantes serão acompanhados por até um ano em Campo Grande e Brasília

A dor lombar crônica é uma das principais causas de afastamento do trabalho e perda de qualidade de vida no mundo. Para enfrentar esse problema de saúde pública com inovação e tecnologia, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), deu início a um estudo clínico controlado que avaliará a eficácia de um aplicativo de celular no tratamento da lombalgia. A iniciativa busca voluntários em Campo Grande (MS) e Brasília (DF) e já está em fase de recrutamento.
Coordenado pelo professor Thomaz Burke, do Instituto Integrado de Saúde (Inisa) da UFMS, o estudo pretende analisar não apenas a efetividade clínica do app, mas também sua viabilidade econômica, com acompanhamento dos participantes por até um ano.
Como vai funcionar o estudo
A pesquisa contará com 140 voluntários, sendo 70 em Campo Grande e 70 em Brasília, que serão divididos em dois grupos: um receberá o tratamento convencional, enquanto o outro utilizará o aplicativo móvel desenvolvido especialmente para o acompanhamento da dor lombar. O objetivo é avaliar se a ferramenta digital pode ser uma alternativa eficaz, acessível e de baixo custo para o tratamento da condição.
A intervenção terá duração de oito semanas, com os participantes sendo monitorados ao longo de 12 meses para observar a evolução dos sintomas, recaídas, adesão ao tratamento e mudanças na qualidade de vida. Além dos efeitos clínicos, o estudo também irá mensurar o custo-benefício do uso da tecnologia no sistema de saúde.
“Queremos saber se o app funciona tão bem quanto o tratamento presencial tradicional, mas também entender se ele é economicamente viável para ser implementado em larga escala, inclusive no SUS”, explica o professor Thomaz Burke.
Quem pode participar do teste do aplicativo
Os requisitos para participar do estudo incluem:
- Ter entre 18 e 59 anos;
- Sofrer de dor lombar persistente há pelo menos três meses;
- Não ter feito nenhum tipo de tratamento para a dor lombar nos últimos seis meses;
- Ter acesso a um smartphone com conexão à internet;
- Estar disponível para avaliações presenciais e uso regular do aplicativo.
Interessados devem preencher um formulário on-line para se candidatar à seleção. Os aprovados passarão por uma avaliação clínica inicial, conduzida por profissionais de saúde capacitados, antes de serem aleatoriamente alocados em um dos dois grupos de intervenção.
A expectativa é que o recrutamento seja finalizado ainda em outubro, com início das atividades nas semanas seguintes.
Tecnologia a favor da saúde: como funciona o app
O aplicativo desenvolvido pela equipe da UFMS e da UnB tem como principal função guiar o paciente no manejo da dor lombar, por meio de orientações diárias, exercícios físicos personalizados, vídeos educativos e registro de sintomas. A proposta é que o usuário assuma um papel ativo no seu próprio tratamento, podendo adaptar os cuidados à sua rotina e nível de dor.
O app também oferece feedback contínuo com base nas informações inseridas pelo usuário, além de enviar lembretes e alertas para promover a adesão ao programa de reabilitação. Todo o conteúdo foi elaborado com base em evidências científicas atualizadas sobre o tratamento da dor lombar.
A tecnologia tem potencial para desafogar os serviços de saúde, especialmente no sistema público, onde muitas vezes há longas filas de espera para consultas com especialistas, como fisioterapeutas e ortopedistas.
Dor lombar: um problema de saúde global
Estudos apontam que 80% da população mundial sofrerá com algum episódio de dor lombar ao longo da vida. No Brasil, a lombalgia é uma das principais causas de incapacidade funcional e afastamento do trabalho, afetando significativamente a produtividade e os gastos com saúde pública e privada.
Grande parte desses casos é classificada como lombalgia inespecífica, ou seja, sem uma causa estrutural ou patológica clara. Isso torna o tratamento ainda mais desafiador, exigindo abordagens multidisciplinares e focadas no comportamento e estilo de vida do paciente.
Segundo o professor Burke, a maioria dos pacientes que sofre com a condição pode se beneficiar de intervenções simples, educativas e baseadas em movimento, desde que realizadas de forma consistente. É justamente essa lacuna que o novo app pretende preencher.
Transformando a reabilitação com inovação
A pesquisa realizada pela UFMS e UnB não apenas representa um avanço no uso de tecnologias digitais para cuidados em saúde, como também pode abrir caminho para novos protocolos de tratamento remoto em outras áreas da medicina.
Se os resultados forem positivos, o aplicativo poderá ser integrado a estratégias de saúde pública, facilitando o acesso de milhares de brasileiros a um tratamento de qualidade, mesmo em regiões onde há carência de profissionais especializados.
“Queremos democratizar o cuidado com a dor lombar e oferecer uma alternativa moderna, eficaz e acessível para quem sofre com esse problema”, afirma o coordenador da pesquisa.
Interessados em participar devem acessar o formulário de inscrição oficial, disponível neste link.
As vagas são limitadas e o estudo já está em andamento.
Autoria: Sarah Pacini

