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Venda de garagem do Guaicurus entra na intervenção do transporte em Campo Grande

Venda de garagem do Guaicurus entra na intervenção do transporte em Campo Grande

Agereg questiona destino de recursos após venda de imóvel; consórcio diz que negócio foi legal e garagem não era bem reversível

Negócio envolvendo a antiga garagem principal do Consórcio Guaicurus passou a integrar as discussões sobre a intervenção no transporte coletivo de Campo Grande. Documentos apresentados pelo município apontam divergências sobre o valor da transação realizada em 2021 e questionamentos da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Delegados (Agereg) sobre o destino dos recursos obtidos com a venda.

Imóvel localizado na Avenida Gury Marques aparecia nos registros contábeis da concessionária com valor bruto de R$ 14.405.170,30. A escritura pública anexada ao processo, porém, registra uma negociação de R$ 7,7 milhões. Em resposta à Agereg, o Consórcio Guaicurus informou que a venda teria alcançado R$ 9,9 milhões e atribuiu a diferença em relação ao valor contábil à depreciação acumulada do bem.

Diferença entre os números é um dos pontos analisados no procedimento. Além disso, a agência reguladora busca esclarecer de que forma os recursos da negociação foram utilizados e por que o dinheiro não teria sido direcionado à renovação da frota ou a outras necessidades relacionadas ao serviço de transporte coletivo.

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Agereg questiona destino dos recursos

Documentos do Processo Fiscalizatório nº 43435/2026-96 apontam preocupação da agência com uma possível redução do patrimônio da empresa que lidera o consórcio. O órgão questiona se houve alguma contrapartida para o serviço público depois da alienação da garagem.

Discussão ganhou peso diante das dificuldades financeiras alegadas ao longo dos últimos anos no sistema de ônibus da Capital. Nesse contexto, o município procura saber se os valores obtidos com a venda foram utilizados na operação e na melhoria do transporte ou tiveram outra destinação.

Até o momento, entretanto, os documentos citados não estabelecem como fato definitivo que houve irregularidade no uso do dinheiro. O tema permanece sob análise administrativa e também está relacionado a uma disputa judicial sobre a própria natureza do imóvel.

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Município e consórcio divergem sobre a garagem

Outro ponto central é definir se a garagem poderia ter sido vendida livremente pela concessionária. O município sustenta que o imóvel pode ser considerado um bem reversível, expressão usada para designar um patrimônio ligado à prestação de determinado serviço público e que, dependendo das regras da concessão, pode retornar ao poder público quando o contrato termina.

Caso a Justiça reconheça esse entendimento, a validade da venda poderá ser questionada e o imóvel poderá ser considerado parte dos bens vinculados à concessão.

Consórcio Guaicurus apresenta interpretação diferente. A concessionária afirma que o próprio contrato estabelece que as garagens pertencem às empresas responsáveis pela operação e não são bens reversíveis ao município. Por essa razão, sustenta que o imóvel era particular e poderia ser negociado sem obrigação de destinar o dinheiro obtido novamente ao sistema.

Compradora tem ligação com os mesmos empresários

Venda também é discutida em uma ação popular apresentada por Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista. Segundo a ação, a negociação teria sido realizada com a Pauma Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa sediada em Presidente Prudente, em São Paulo, e vinculada aos mesmos sócios relacionados ao Consórcio Guaicurus.

Autor da ação sustenta que essa relação entre vendedores e compradores levanta dúvida sobre a efetiva transferência do patrimônio e defende a tese de que teria ocorrido uma simulação de negócio jurídico. Ele também argumenta que, mesmo sendo originalmente particular, a garagem teria adquirido importância para o serviço público depois do início da concessão, em 2012.

Esses argumentos ainda dependem de apreciação judicial e não representam uma conclusão definitiva sobre eventual irregularidade.

Consórcio afirma que venda seguiu contrato

Em manifestação sobre o caso, o Consórcio Guaicurus afirmou que a operação foi legal e seguiu as regras previstas no contrato de concessão. A empresa rejeitou a tese de que a garagem deveria retornar ao patrimônio público e afirmou que o imóvel utilizado como sede administrativa e operacional não estava classificado como bem reversível.

Concessionária também declarou permanecer à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Conforme a publicação original, entretanto, não houve resposta específica sobre a diferença entre o valor de R$ 7,7 milhões registrado na escritura, os R$ 9,9 milhões informados à Agereg e os R$ 14,4 milhões que apareciam nos registros contábeis.

Destino dos recursos, a validade da negociação e a classificação da garagem deverão permanecer entre os pontos analisados no processo envolvendo a concessão do transporte coletivo de Campo Grande.

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