Aliados avaliam que ex-primeira-dama pode assumir interlocução política após senador ser impedido de visitar o pai por 90 dias
Decisão que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro alterou a divisão de influência política no núcleo familiar. Entre aliados, a avaliação é de que Michelle Bolsonaro poderá assumir uma função mais ativa na transmissão das posições do marido à direção nacional do PL.
A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que Flávio divulgou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai. No documento, Jair Bolsonaro apresentou o senador como seu porta-voz e reafirmou apoio à pré-candidatura do filho à Presidência da República.
Michelle havia reduzido as aparições públicas após uma divergência com o enteado. Com a proibição das visitas de Flávio, aliados consideram que ela pode recuperar espaço como principal interlocutora do ex-presidente junto ao partido.
Carta levou à suspensão das visitas
Flávio leu a mensagem do pai em uma transmissão pelas redes sociais no sábado (11). A carta pedia união entre os aliados e classificava o senador como uma pessoa de confiança para representar politicamente o ex-presidente.
Moraes entendeu que a divulgação poderia ter desrespeitado as restrições impostas a Jair Bolsonaro sobre o uso direto ou indireto das redes sociais. Além de suspender as visitas por três meses, o ministro determinou que a defesa esclarecesse as circunstâncias em que o documento foi produzido e divulgado.
Segundo relatos de pessoas próximas à família, Michelle teria alertado antes da publicação que a exposição da carta poderia provocar uma nova decisão judicial. A informação é atribuída a aliados e não consta das manifestações públicas localizadas sobre o processo.
Ex-primeira-dama pode ampliar interlocução
Com Flávio impedido de visitar o pai, Michelle tende a se tornar um dos principais canais entre Jair Bolsonaro e a direção do PL, na avaliação de integrantes do grupo político.
Carlos e Jair Renan Bolsonaro estão envolvidos em articulações eleitorais em Santa Catarina. Eduardo Bolsonaro e dirigentes como Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho também enfrentam restrições de contato com o ex-presidente, conforme o material-base.
Nesse cenário, Michelle poderá transmitir à cúpula partidária avaliações relacionadas às alianças estaduais, aos palanques regionais e à organização da campanha presidencial.
A ampliação desse papel, entretanto, ainda é uma interpretação de aliados. Não houve anúncio oficial do PL indicando que a ex-primeira-dama assumirá formalmente a função de porta-voz.
Relação com Flávio teve desgaste recente
Michelle e Flávio entraram em conflito após a ex-primeira-dama criticar publicamente uma articulação do PL no Ceará. O senador respondeu às declarações e buscou reduzir o desgaste entre os dois diante dos eleitores de direita.
A carta divulgada no fim de semana foi interpretada no entorno político como uma tentativa de Jair Bolsonaro reafirmar o apoio ao filho e encerrar rumores sobre uma eventual desistência da pré-candidatura.
Com a suspensão das visitas, porém, Flávio perde temporariamente o contato presencial que utilizava para discutir o cenário eleitoral com o pai. A proibição alcança praticamente todo o período de definição das alianças e das estratégias para a campanha presidencial.
Michelle avalia candidatura ao Senado
Ex-primeira-dama também deve conversar com Jair Bolsonaro sobre uma possível candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Segundo aliados citados no material-base, a tendência é de que ela participe da disputa, embora a decisão ainda não tenha sido anunciada oficialmente.
O novo cenário reforça a presença de Michelle nas articulações do grupo político, mas também expõe as dificuldades de comunicação entre o ex-presidente, seus familiares e a direção do PL durante o processo eleitoral.


