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Yeltsin Jacques conquista ouro nos 1.500m

Yeltsin Jacques conquista ouro nos 1.500m

Campo-grandense brilha em Nova Déli e dá início ao ciclo rumo aos Jogos de Los Angeles 2028 com medalhas de ouro e prata

O atleta paralímpico Yeltsin Jacques, natural de Campo Grande (MS), escreveu mais um importante capítulo de sua carreira ao conquistar a medalha de ouro na prova dos 1.500 metros da classe T11 — destinada a atletas com deficiência visual — no Mundial Paralímpico de Atletismo, realizado em Nova Déli, na Índia. A vitória foi confirmada na manhã desta terça-feira (30), horário local, e marca o início promissor do ciclo que culminará nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028.

Yeltsin já havia subido ao pódio no dia anterior, conquistando a medalha de prata nos 5.000 metros da mesma classe, reforçando seu status de referência no esporte paralímpico brasileiro. Aos 33 anos, o atleta soma agora seis participações em Campeonatos Mundiais adultos e contabiliza, com esse novo título, um total de seis medalhas internacionais: duas de ouro, duas de prata e duas de bronze.

Superando desafios fora da pista

Em entrevista após a conquista, Yeltsin destacou que o desempenho em Nova Déli teve um valor ainda mais especial diante dos obstáculos enfrentados fora da pista. O clima extremo, a poluição do ar e o fuso horário foram alguns dos fatores que colocaram à prova a preparação física e mental dos atletas.

“Aqui o calor é diferente, com um sol que arde mais e a poluição pesa bastante. É um ambiente desafiador. Tivemos que nos adaptar rapidamente. Foi uma prova de resistência não só física, mas psicológica também”, declarou o corredor.

Ele também enfatizou a importância de iniciar o novo ciclo paralímpico com medalhas: “Esse é o primeiro grande evento em direção a Los Angeles 2028. Então, com certeza, essa performance mostra que estamos no caminho certo. Ainda temos o Parapan-Americano no percurso e muito trabalho pela frente.”

Um nome consolidado no esporte paralímpico

Desde 2013, Yeltsin Jacques representa o Brasil em competições internacionais de alto nível. Sua trajetória é marcada por constância e superação, atributos que o transformaram em um dos principais nomes do atletismo paralímpico nacional. Além das conquistas em campeonatos mundiais, ele também tem no currículo medalhas em Jogos Paralímpicos e Parapan-Americanos.

No cenário nacional, Yeltsin é uma figura respeitada por sua dedicação, disciplina e resultados consistentes ao longo dos anos. Em Campo Grande, seu nome já virou sinônimo de orgulho local, servindo de inspiração para novos atletas com deficiência.

A classe T11, na qual o brasileiro compete, é destinada a atletas com deficiência visual total ou quase total, que correm acompanhados por um guia. A sintonia entre atleta e guia é fundamental, e Yeltsin tem destacado a importância desse trabalho em dupla em todas as suas conquistas. “Nada disso seria possível sem meu guia, que é uma extensão de mim dentro da pista. A confiança é total”, afirma.

Los Angeles 2028 no horizonte

Com a temporada internacional de 2025 encerrando seu primeiro grande evento, Yeltsin Jacques já mira os próximos desafios. O foco agora se volta ao Parapan-Americano, programado para 2026, que servirá como etapa preparatória fundamental antes da Paralimpíada de Los Angeles.

Segundo a comissão técnica que acompanha o atleta, o objetivo é manter o alto rendimento por todo o ciclo, priorizando provas estratégicas como os 1.500m e os 5.000m — justamente onde ele já demonstrou domínio.

A vitória em Nova Déli também reforça o posicionamento do Brasil no cenário do atletismo paralímpico mundial. O país, que tradicionalmente ocupa posições de destaque no quadro de medalhas da categoria, busca manter-se entre as principais potências nas próximas edições dos jogos internacionais.

Reconhecimento e legado

A conquista de Yeltsin tem repercutido amplamente nas redes sociais e veículos esportivos especializados. Diversas personalidades do paradesporto e do atletismo brasileiro parabenizaram o atleta pela performance, destacando seu comprometimento e exemplo para o esporte nacional.

Em depoimento emocionado, Yeltsin disse que vive cada medalha como um marco não apenas profissional, mas pessoal: “Representar o Brasil é uma honra. Desde 2013 venho construindo uma história no esporte paralímpico e cada vitória me lembra o quanto vale a pena lutar. Sou grato a todos que me acompanham nessa caminhada.”

Com uma carreira sólida, resultados expressivos e ainda fôlego para seguir competindo em alto nível, Yeltsin Jacques se consolida como um dos grandes nomes do atletismo paralímpico brasileiro e internacional. O ouro em Nova Déli é mais do que uma conquista — é a confirmação de um legado em construção.

Autoria: Sarah Pacini

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