Homem de 37 anos confessou o crime à polícia após ser preso em flagrante, a vítima tinha 65 anos

Em Juti, cidade a 310 km de Campo Grande, um homem de 37 anos foi preso em flagrante nesta segunda-feira (24), suspeito de matar a companheira Emiliana Mendes, de 65 anos. O corpo da vítima foi encontrado em uma quitinete, e a polícia suspeita que ela tenha sido esganada entre a noite de ontem e a madrugada. O suspeito, após ser localizado na BR-163, confessou o crime e foi detido por feminicídio. Emiliana é a quinta vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2025.
Segundo a polícia, o corpo da vítima foi encontrado em uma quitinete e teria sido arrastado pelo autor do crime até o local, na tentativa de forjar morte natural. Contudo, a suspeita é a de que a mulher foi esganada em um terreno baldio entre a noite de ontem e a madrugada desta quarta-feira.
O homem, que não teve a identidade revelada, foi localizado na BR-163 e preso em flagrante. Ele confessou o crime à polícia em detalhes. Segundo o delegado Ciro Jales, o autor do crime deve responder por feminicídio.
Feminicídios em MS
O primeiro feminicídio do ano aconteceu no dia 1º de fevereiro, em Caarapó, quando o ex-companheiro de Karin Corin, de 29 anos, atirou contra a jovem. Ele também matou a amiga de Karina, Aline Rodrigues, de 32 anos, que estava na loja onde as duas foram atacadas pelo homem.
O segundo foi a indígena Juliana Dominguez, de 28 anos, morta a golpes de foice durante a noite. O principal suspeito de cometer o crime é o companheiro da jovem, que fugiu após o crime.
O terceiro caso é o da jornalista e criadora de conteúdo, Vanessa Ricarte, de 42 anos. Ela foi brutalmente atacada pelo ex-noivo, Caio Nascimento, no dia 12 de fevereiro. A morte de Vanessa resultou em discussões sobre a reformulação da rede de atendimento às mulheres vítimas de violência. A jornalista foi morta hora após pedir medida de proteção contra o ex-noivo.
No último sábado (22), a jovem Mirieli Santos, de 26 anos, foi baleada pelo ex-marido, em Água Clara. O suspeito chegou a levar a mulher ao hospital, mas fugiu. A defesa do homem alega que o tiro foi acidental.
O que é feminicídio e violência contra a mulher?
A violência contra a mulher é um problema global que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Essa violência pode se manifestar de diversas formas, sendo uma das mais extremas e trágicas o feminicídio, que envolve o assassinato de uma mulher por razões de gênero. A compreensão do feminicídio e da violência contra a mulher é essencial para que possamos combater essas práticas e promover uma sociedade mais justa e igualitária.
Feminicídio: um crime de gênero
Feminicídio é definido como o assassinato de uma mulher em decorrência do fato de ela ser mulher. Esse tipo de crime é motivado, em sua maioria, por questões de dominação, controle e poder, e está frequentemente ligado à violência doméstica ou a relacionamentos abusivos. O feminicídio não é simplesmente um homicídio comum, mas um ato de extrema violência baseado na desigualdade de gênero.
No Brasil, o feminicídio foi tipificado como um crime hediondo em 2015, após a Lei 13.104, que alterou o Código Penal para classificar o assassinato de mulheres por motivos de gênero como feminicídio. A lei especifica que, quando o crime ocorrer dentro de um contexto de violência doméstica e familiar ou quando a vítima estiver sob a influência do agressor, ele será considerado feminicídio. Além disso, o feminicídio também pode ser caracterizado quando a mulher é morta após sofrer violência sexual ou psicológica.
A motivação para o feminicídio pode variar, mas geralmente está ligada ao controle sobre a mulher, à tentativa de vingança ou à posse. Muitas vezes, as vítimas de feminicídio são assassinadas por seus companheiros, ex-companheiros, familiares ou pessoas próximas, que não aceitam o fim de um relacionamento ou sentem que perderam o controle sobre elas.
Violência contra a mulher: um ciclo perigoso
A violência contra a mulher é um fenômeno que ocorre em várias formas e atinge mulheres de todas as idades, raças, classes sociais e origens. A violência doméstica, uma das formas mais comuns, acontece dentro de casa e pode envolver abusos físicos, psicológicos, sexuais e até econômicos. A mulher é frequentemente subjugada a um ciclo de violência que se repete, onde o agressor usa táticas de manipulação e controle para garantir que a vítima permaneça na relação de abuso.
Além da violência doméstica, a mulher também é vítima de violência sexual, como o estupro, o assédio sexual e a exploração sexual. O abuso sexual, muitas vezes silencioso e encoberto pelo medo e vergonha, é uma das formas mais cruéis de violência contra a mulher. O assédio sexual, por sua vez, ocorre frequentemente em ambientes de trabalho, transporte público e outros espaços públicos, onde a mulher se vê pressionada a suportar atitudes e comentários invasivos de natureza sexual.
A cultura de machismo e o papel das instituições
A violência contra a mulher está profundamente enraizada em uma cultura patriarcal e machista, que tem como base a crença na superioridade do homem sobre a mulher. Essa mentalidade reforça estereótipos e expectativas sociais que limitam a liberdade das mulheres e as colocam em situações de vulnerabilidade. Em muitos casos, as mulheres são ensinadas a se submeterem ao poder e controle dos homens, o que contribui para a normalização de práticas violentas.
As instituições também desempenham um papel fundamental na perpetuação da violência contra a mulher. A falta de punições rigorosas, a desvalorização da denúncia de abusos e a escassez de políticas públicas eficazes de proteção são fatores que dificultam o enfrentamento dessa questão. Muitas mulheres, ao buscarem ajuda, são descredibilizadas ou ignoradas, o que as faz sentir-se desamparadas e incapazes de romper o ciclo de violência.
Como combater a violência contra a mulher?
É essencial que todos nós, como sociedade, nos envolvamos no combate à violência contra a mulher e ao feminicídio. O primeiro passo é a conscientização, promovendo uma educação que valorize o respeito, a igualdade e a liberdade das mulheres. As escolas, os meios de comunicação e as famílias devem ser aliados na construção de um ambiente onde o machismo seja combatido e as mulheres possam viver sem medo de violência.
Além disso, é fundamental que a justiça seja mais eficiente na punição dos agressores e na aplicação de medidas protetivas às vítimas. As leis existem, mas precisam ser rigorosamente aplicadas. A criação de centros de apoio, serviços de atendimento psicológico e jurídico, além de campanhas educativas, são ferramentas essenciais para a prevenção e o enfrentamento da violência.
O feminicídio e a violência contra a mulher são problemas graves e sistêmicos que exigem uma abordagem global. É necessário que a sociedade como um todo se una para erradicar essas formas de violência, promovendo a equidade e a segurança para todas as mulheres. Somente assim conseguiremos construir um futuro mais justo e igualitário, onde as mulheres possam viver sem medo e com dignidade.
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Autoria: Sarah Pacini

