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Corregedoria realizará inspeção em promotorias de violência doméstica

Corregedoria realizará inspeção em promotorias de violência doméstica

Corregedoria do MPMS fará inspeção em promotorias de violência doméstica em Campo Grande, em meio a discussões sobre a efetividade da rede de proteção às mulheres.

A Corregedoria do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) iniciará, na próxima semana, uma nova inspeção nas promotorias de Justiça de Campo Grande que atuam contra a violência doméstica. A medida ocorre em um contexto delicado, marcado pela comoção pública causada pelo feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte. A ação será a segunda correição realizada em um intervalo de apenas cinco meses, e busca garantir a eficiência e a regularidade dos serviços prestados pelas unidades responsáveis pela aplicação da Lei Maria da Penha.

As promotorias que passarão pela Correição Ordinária, com foco na violência doméstica, são a 47ª, 48ª, 65ª, 66ª e 72ª. Esses órgãos são responsáveis pela distribuição dos processos relativos à violência doméstica nas Varas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Campo Grande. Segundo a Corregedoria, a inspeção tem como objetivo assegurar que os prazos sejam cumpridos, as rotinas de trabalho sejam padronizadas e que os serviços prestados à população estejam de acordo com os direitos fundamentais das vítimas de violência doméstica.

O que está em jogo é a fiscalização rigorosa de como os promotores e suas equipes lidam com casos de violência doméstica, um tema de extrema importância, especialmente após o recente feminicídio de Vanessa Ricarte. A jornalista havia registrado um boletim de ocorrência e solicitado uma medida protetiva contra seu ex-companheiro, mas, infelizmente, o trágico evento ocorreu horas depois da sua visita à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), evidenciando falhas no sistema de proteção.

A Correição Ordinária

A Corregedoria realiza a Correição Ordinária com o objetivo de verificar a regularidade dos serviços prestados nas promotorias. Durante o procedimento, os responsáveis pela correição analisam o andamento dos processos, se os prazos estão sendo cumpridos e se não há falhas nos serviços. Além disso, a inspeção busca padronizar as rotinas das promotorias, corrigir possíveis deficiências e garantir que as medidas legais para a proteção das vítimas de violência doméstica sejam aplicadas de maneira eficiente e célere.

Ao final da correição, a Corregedoria elaborará um relatório detalhado, apontando eventuais falhas nos procedimentos e sugerindo melhorias para garantir que os direitos das vítimas sejam protegidos adequadamente. Além disso, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanha essas inspeções como uma medida de fiscalização e melhoria constante dos serviços.

As promotorias envolvidas

As promotorias que serão visitadas pela Corregedoria têm atribuições específicas dentro do sistema de Justiça. A 47ª e 48ª Promotorias de Justiça atuam em casos distribuídos à Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, além do controle de inquéritos policiais envolvendo a Lei Maria da Penha. Estas promotorias são comandadas pelos promotores Paulo Henrique Camargo Iunes e Alexandre Pinto Capiberibe Saldanha, respectivamente.

Já as 65ª e 66ª Promotorias lidam com casos que tramitam na 2ª Vara da Violência Doméstica e Familiar, sob a responsabilidade dos promotores Bolivar Luis da Costa Vieira e Estefano Rocha Rodrigues da Silva. A 72ª Promotoria de Justiça, sob a responsabilidade da promotora Clarissa Carlotto Torres, é a que lida com medidas protetivas de urgência e outros casos relativos à Casa da Mulher Brasileira, prestando suporte imediato a vítimas de violência.

O foco das inspeções será verificar se os procedimentos das promotorias estão de acordo com os requisitos legais e garantir que o atendimento às vítimas seja eficiente e célere.

Medidas para fortalecer a rede de proteção às mulheres

O feminicídio de Vanessa Ricarte trouxe à tona falhas no sistema de proteção às mulheres em situação de violência. Apesar da medida protetiva solicitada por ela, o agressor, que não foi intimado sobre a ordem judicial, cometeu o feminicídio em poucas horas. Esse caso trágico expôs uma série de falhas no sistema de justiça e segurança pública, que agora estão sendo analisadas com mais rigor.

Em resposta a essa situação, o judiciário de Mato Grosso do Sul está tomando medidas para reforçar a rede de proteção às mulheres. Uma dessas iniciativas é a criação da 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar, que foi aprovada no Diário da Justiça e será instalada em 7 de março deste ano. A criação da nova vara visa a aumentar a celeridade nos processos e facilitar o acesso da vítima à justiça.

Além disso, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) também está considerando novas estratégias para garantir que mulheres em situação de risco tenham a proteção necessária. Uma das propostas discutidas envolve o acompanhamento policial das vítimas durante a retirada de seus pertences da residência, caso elas solicitem. O objetivo é garantir a segurança das mulheres em situações de alto risco, como a de Vanessa Ricarte, que recusou o acompanhamento policial no momento de sua saída do lar.

Desafios e promessas de melhorias

O Delegado-Geral da Polícia Civil, Lupersio Degerone, também destacou a importância de garantir que as medidas protetivas sejam cumpridas com a máxima celeridade. “O ponto crucial é a celeridade na aplicabilidade das medidas protetivas concedidas. Não podemos permitir que mais vítimas percam suas vidas sem que o Estado tenha feito sua parte”, afirmou. A capacitação dos servidores que lidam com o acolhimento das vítimas de violência também é um dos focos do governo estadual.

Embora o sistema de justiça esteja em constante evolução, o caso de Vanessa Ricarte revela que ainda há muito a ser feito para garantir que a rede de proteção realmente funcione, evitando que outras mulheres passem por tragédias semelhantes. O trabalho da Corregedoria e as iniciativas do judiciário de Mato Grosso do Sul são passos importantes, mas a efetividade dessas ações ainda depende de um compromisso contínuo das autoridades em melhorar o atendimento às vítimas e assegurar que os agressores sejam devidamente responsabilizados.

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Autoria: Sarah Pacini

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