Fotógrafo Edson Vandeira, experiente em expedições extremas, está desaparecido desde quinta-feira (29) após atingir o cume da Artesonraju

O campo-grandense Edson Vandeira, fotógrafo e montanhista experiente, está desaparecido desde o dia 29 de maio após escalar a montanha Artesonraju, localizada na Cordilheira Branca, no Peru. Segundo informações divulgadas pela família, Edson e dois montanhistas peruanos que o acompanhavam perderam contato com as bases de apoio após atingir o cume da montanha, a mais de 6 mil metros de altitude. A hipótese mais provável, segundo os indícios iniciais, é de que algo grave tenha ocorrido durante a descida.
A última comunicação do trio foi registrada na quinta-feira (29), antes de iniciarem o trajeto de volta. Eles deveriam ter retornado no domingo (1º), o que não aconteceu. Na madrugada do início dos trabalhos de resgate, a barraca do grupo foi localizada vazia, o que reforçou a suspeita de que tenham conseguido alcançar o topo e que o acidente tenha ocorrido durante a fase mais arriscada da expedição: a descida.
Resgate em alta montanha é de alto risco
A busca por Edson e seus dois companheiros mobilizou montanhistas locais, guias especializados, policiais e familiares. A própria família do fotógrafo ressaltou, em nota divulgada à imprensa, que as operações de resgate em alta montanha são extremamente difíceis, exigindo logística robusta, equipamentos específicos, apoio técnico e um grande esforço humano. “A operação é delicada e depende de recursos, conhecimento do terreno, resistência à altitude e estratégias de segurança bem definidas”, explicaram.
O resgate conta ainda com dificuldades climáticas e com o terreno acidentado da montanha piramidal Artesonraju — uma das mais desafiadoras da Cordilheira dos Andes e conhecida por inspirar o logotipo da Paramount Pictures. A montanha, com 6.025 metros de altitude, atrai montanhistas do mundo inteiro, mas também registra um alto índice de acidentes.
Família inicia vaquinha para financiar resgate
Diante da urgência e da complexidade da missão, a família de Edson Vandeira iniciou nesta terça-feira (3) uma campanha de arrecadação online com o objetivo de levantar fundos para viabilizar as buscas. A vaquinha tem como meta inicial o valor de R$ 50 mil, destinados a cobrir custos como transporte aéreo, contratação de helicópteros, equipamentos, alimentação, estadia e pagamento de guias especializados.
Em menos de 24 horas, a campanha já havia praticamente alcançado a meta, com mais de R$ 49 mil arrecadados e a colaboração de mais de 430 doadores. A mobilização nas redes sociais tem sido intensa, especialmente entre fotógrafos, montanhistas e amigos de Edson, que compartilham relatos sobre sua paixão pela natureza e sua dedicação ao esporte.
Quem é Edson Vandeira?
Natural de Campo Grande (MS), Edson Vandeira iniciou sua trajetória no montanhismo aos 19 anos, unindo a paixão pela natureza ao olhar sensível de fotógrafo. Com o tempo, tornou-se referência em registros de paisagens extremas e já participou de expedições na Antártida, onde atuou como responsável pela segurança e logística de pesquisadores científicos. Sua atuação incluiu apoio a missões de instituições renomadas e cobertura de ambientes inóspitos, que exigem preparação física e mental intensas.
Atualmente, Edson reside no Peru, onde se dedica à formação como guia de montanha, além de seguir com seu trabalho fotográfico. Seu portfólio inclui colaborações com canais de reconhecimento internacional como o National Geographic e o History Channel. Sua relação com as montanhas não é apenas esportiva — é também artística e existencial. Em postagens recentes, Edson descreveu as expedições como formas de autoconhecimento e conexão com a natureza em estado bruto.
O impacto da tragédia em potencial
O desaparecimento de Edson representa não apenas uma tragédia pessoal para amigos e familiares, mas também um alerta sobre os riscos enfrentados por montanhistas em atividades de alta performance. Ainda que dotados de equipamentos modernos e conhecimento técnico, esses profissionais estão constantemente expostos a condições imprevisíveis, como avalanches, quedas de rochas, mudanças climáticas abruptas e hipóxia causada pela altitude.
O caso também reacende o debate sobre o apoio que exploradores brasileiros recebem ao atuar em regiões remotas de outros países. Em muitos casos, a falta de suporte institucional obriga famílias a custear, por conta própria, operações de busca de alto custo — como no caso de Edson.
Enquanto isso, as equipes de resgate seguem em ação, com esperanças de encontrar o trio com vida. O tempo, no entanto, é um fator crítico. A cada hora que passa, as condições se tornam mais difíceis, e a necessidade de apoio técnico e financeiro aumenta.
A família continua mobilizada e agradece o apoio recebido até o momento. Quem desejar colaborar com a vaquinha ou compartilhar informações pode encontrar detalhes nas redes sociais dedicadas à campanha de busca.
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Autoria: Sarah Pacini

