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Marcinho VP reduz pena em 384 dias após escrever livros na prisão

Marcinho VP reduz pena em 384 dias após escrever livros na prisão

Justiça Federal reconheceu produção literária como atividade de estudo para remição de pena

Justiça Federal de Campo Grande reduziu em 384 dias a pena de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, após o preso escrever quatro livros enquanto cumpria pena no Presídio Federal da Capital sul-mato-grossense.

A decisão foi assinada nesta terça-feira (19) pelo juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, da 5ª Vara Federal Criminal, com base em entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece a produção literária como atividade educacional capaz de gerar remição de pena.

Considerado um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV), Marcinho VP está preso no sistema federal desde o início de 2024.

Produção literária serviu para abatimento da pena

Segundo a decisão, cada obra escrita garantiu 96 dias de redução da pena.

O cálculo teve como referência uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que prevê remição por leitura de livros. Para o magistrado, a escrita de uma obra exige um processo ainda mais complexo, envolvendo pesquisa, planejamento, organização das ideias, redação, revisão e publicação.

Os livros aceitos pela Justiça foram:

  • “Verdades e Posições: O Direito Penal do Inimigo” (2017);
  • “Preso de Guerra: Um Romance que resistiu à ditadura e à dor do Cárcere” (2021);
  • “Execução Penal Banal Comentada” (2023);
  • “A Cor da Lei” (2025).

Além disso, Marcinho VP também obteve mais 12 dias de remição pela leitura de três obras, incluindo textos bíblicos.

MPF defendia redução menor

Durante o processo, o Ministério Público Federal (MPF) sugeriu que a remição fosse aplicada nos mesmos moldes de cursos profissionalizantes, com abatimento de 30 dias por livro produzido.

O juiz, no entanto, rejeitou o pedido e entendeu que a elaboração de uma obra literária demanda um esforço intelectual maior.

Na decisão, o magistrado destacou que a produção intelectual pode ser considerada uma forma de estudo, mesmo sem previsão específica na legislação.

Pedido sobre banho de sol foi negado

Na mesma decisão, a Justiça negou um pedido da defesa relacionado à suposta restrição de banho de sol no presídio federal.

Segundo o juiz, a unidade oferece o benefício diariamente, e eventuais interrupções ocorreram por razões de segurança, condições climáticas ou atendimentos jurídicos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia analisado a situação anteriormente e concluído que não houve irregularidades.

Condenação por assassinato e esquartejamento

Marcinho VP foi condenado a 36 anos de prisão pelo assassinato e esquartejamento de dois traficantes rivais em 1996, no Rio de Janeiro.

A condenação definitiva ocorreu em 2007 pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Atualmente, ele está preso há quase 30 anos.

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